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Mostrando postagens com o rótulo Baseado em Literatura

Crítica | O Talentoso Ripley: esta adaptação magistral de Anthony Minghella conseguiu ampliar a dimensão estética do romance. Fascinante!

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O Talentoso Ripley: direção de Anthony Minghella UMA ILHA DE PSICOPATIA, CERCADA DE BELEZA Tempos atrás, escrevi uma crônica sobre a minissérie Ripley , dirigida em 2024 por Steven Zailian. Gostei tanto que resolvi revisitar o  filme O Talentoso Ripley , dirigido em 1999 por Anthony Minghella. Num primeiro momento, achei que seria redundante escrever sobre mais essa adaptação do romance de Patricia Highsmith, já que o personagem e a trama de assassinatos que ele protagoniza estão descritos no meu texto anterior. Acontece que a qualidade do cinema realizado por Minghella é tão notável que mudei de ideia; decidi revirar mais uma vez o mundo do psicopata que consegue se safar da punição por seus crimes, graças a uma combinação de sorte com uma gélida meticulosidade. Mais uma adaptação primorosa de Minghella           O romance de Patricia Highsmith atrai o leitor com uma prosa austera. Há pouca informação descritiva, raros adjetivos e poucos detalhes sobr...

Crítica | Conclave: Edward Berger faz um suspense papal voltado para os não católicos. Frio, calculista e maniqueísta

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Conclave: direção de Edward Berger NARRATIVA MANIPULADORA, PERSONAGENS CARICATOS Esta crônica contém spoilers . Um tal alerta logo de início não é comum aqui na Crônica de Cinema; por regra, evito revelar detalhes cruciais, para não estragar a surpresa dos cinéfilos. No entanto, Conclave , filme de 2024 dirigido por Edward Berger, pisa num terreno tão escorregadio que decidi fazer uma exceção. Caso você ainda não tenha assistido a esse filme, sugiro que o faça antes de continuar a leitura; mas peço que tenha em mente alguns pontos: o filme descarta o conteúdo religioso e se concentra nos meandros da disputa eleitoral de um novo papado; esboça os embates políticos de forma caricata e desenha personagens estereotipados; escancara um viés progressista, com uma narrativa manipuladora em favor de mudanças na Igreja; desconsidera a fé como princípio vital que há dois mil anos rege o catolicismo – ao contrário, o filme enaltece a dúvida, o exato oposto da fé! Impessoalidade e distanciamento ...

Crítica | O Leopardo: Tom Shankland dirige a minissérie em seis episódios baseada num épico italiano. Mas a produção é britânica!

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O Leopardo: direção de Tom Shankland DRAMATURGIA ITALIANA COM TEMPERO BRITÂNICO O escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa escreveu O Leopardo , mas não viveu para testemunhar seu incrível sucesso editorial;  publicado postumamente em 1958, depois de recusado por vários editores, o romance histórico alcançou um lugar de destaque na literatura do seu país – muitos agora se referem a ele como o Guerra e Paz da Itália! O autor se inspirou na história dos seus antepassados e desenrolou uma trama épica, repleta de intrigas, romances e disputas pelo poder. O nascimento da nação italiana           O Leopardo é um livro conciso, com apenas 384 páginas. Mas quanta literatura! As entrelinhas vêm abarrotadas de referências e imagens tão ricas que se desdobram em acontecimentos na mente do leitor. Começa em 1860, em pleno declínio dos Bourbon, quando os Camisas Vermelhas de Garibaldi invadem a Sicília para anexá-la à Itália, nos momentos cruciais do Risorgi...

Crítica | O Último Duelo: Ridley Scott ousa uma superprodução e acerta na qualidade do cinema, mas erra na bilheteria

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O Último Duelo: direção de Ridley Scott UM DRAMA, TRÊS PONTOS DE VISTA O Último Duelo , dirigido por Ridley Scott em 2021, é uma prova de que a sétima arte já não é mais a mesma. O filme tem DNA de cinemão e consumiu um orçamento polpudo, mas amargou um retumbante fracasso nas bilheterias – não arrecadou 20% do que os investidores aportaram. É um filme ruim? Longe disso! É cinema de primeira, bem realizado, com ótimas atuações e uma história envolvente. Mas o público não se dispôs a visitá-lo nas salas de exibição;  parece que, ultimamente, está mais cômodo ficar em casa e consumir as ofertas do streaming . Cinema ousado, só com baixo orçamento           Produções caras viraram artigos exclusivos para poucos cineastas – os Nolans, Camerons e Villeneuves da vida – ou restritos a temáticas infantilizadas – Godzillas, Coringas, Wolverines e Deadpools... Ousadias como O Último Duelo terão que se contentar com orçamentos modestos. O fracasso financeiro do ...

Crítica | Fomos Heróis: Randal Wallace mostra como começou a guerra do Vietnã e põe o espectador no campo de batalha

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Fomos Heróis: direção de Randall Wallace VISÃO PLENA DE TODO O TEATRO DE OPERAÇÕES Nem todos os cinéfilos apreciam filmes de guerra. Alguns evitam exposições à violência, como quem evita tomar vento pelas costas, para se proteger das gripes e resfriados; entretanto, o fato é que todos ficamos resfriados em algum momento! Para quem gosta da sétima arte, certos filmes de guerra são inevitáveis, especialmente os que ampliaram os cânones do gênero e modelaram o jeito de fazer cinema. Apocalypse Now , O Resgate do Soldado Ryan , Nascido Para Matar , Platoon , Nada de Novo no Front ... São alguns dos títulos que me ocorrem quando quero falar de qualidade.   Fomos Heróis , filme de 2002 dirigido por Randall Wallace, talvez não seja uma dessas obras inovadoras, mas possui qualidades inegáveis. A primeira batalha do americanos no Vietnã           Trata-se da adaptação para as telas do livro We Were Soldiers Once... And Young , assinado pelo tenente-general Haro...

Crítica | Vestígios do Dia: James Ivory adapta para as telas o romance de Kazuo Ishiguro e realiza um feito cultural

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Vestígios do Dia: direção de James Ivory O PRIVILÉGIO DE CONSUMIR ALTA CULTURA Raros são os filmes que podemos guardar na prateleira destinada à alta cultura. Entre eles, certamente estão os produzidos pela Merchant Ivory Productions, uma produtora de sucesso criada em 1961 por três personalidades que conquistaram um lugar de destaque na sétima arte: o produtor Ismail Merchant, a roteirista Ruth Prawer Jhabvala e o diretor James Ivory. O trio se notabilizou por trazer para as telas excelentes adaptações de obras literárias, que abordam temas complexos e envolvem personagens multifacetados. Seus filmes são sempre inteligentes, elegantes, sofisticados e maduros, como Vestígios do Dia , dirigido em 1993 por James Ivory. Além do visual requintado e do design de áudio apurado, o filme abre espaço para interpretações marcantes, que arrancam elogios da crítica e aplausos dos cinéfilos mais exigentes. Adaptação fiel de um Nobel da Literatura           Baseado no r...

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