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Mostrando postagens com o rótulo Baseado em fatos

A Sociedade da Neve: história real contada de forma mais verdadeira

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A Sociedade da Neve: direção de J. A. Bayona PARA ALÉM DA AÇÃO, FICAMOS COM O EMOCIONAL E O ESPIRITUAL Ao ler no serviço de streaming a sinopse de A Sociedade da Neve , dirigido em 2023 por Juan Antonio Bayona, de imediato fui açoitado por uma pergunta incômoda: por que raios alguém se atreveria a recontar essa história tão penosa dos sobreviventes dos Andes? Porém, como o atrevido é o cineasta Juan Antonio Bayona, diretor do excelente O Impossível , deduzi que a justificativa deveria ser das boas! É de fato é!           O cinéfilo atento já percebeu que se trata de um remake do filme Vivos , de 1993, que por sua vez é um remake de Os Sobreviventes do Andes , de 1976. Conta a história do fatídico voo 571 da Força Aérea Uruguaia que, em 1972, transportava 45 passageiros – entre eles 18 jovens jogadores de um time de rugby de Montevideo – quando se espatifou nas montanhas geladas dos Andes. Sobreviveram apenas 16 passageiros, depois de amargarem 72 dias de...

Nyad: a façanha de uma nadadora de 64 anos

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Nyad: direção de Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin CASAMENTO DE DRAMA COM DOCUMENTÁRIO Nos premiados documentários  Free Solo e Meru , dirigidos pelo casal Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin, acompanhamos alpinistas destemidos em façanhas de tirar o fôlego. A dupla também dirigiu The Rescue , que mostrou o esforço para resgatar doze garotos e seu treinador, presos numa caverna alagada na Tailândia. Portanto, a matéria-prima com a qual esses diretores estão acostumados a lidar é a verdade, aquela que se exibe despudorada na tela, em sua crueza desconcertante. O mundo do esporte, território da tenacidade e da superação, é onde eles se sentem em casa; assim, nada mais natural que tenham sido escolhidos para dirigir Nyad , filme de 2023, que celebra a proeza esportiva da nadadora Diana Nyad: aos 64 anos, ela saiu de Cuba e chegou na Flórida, numa jornada de braçadas extenuantes que duraram 53 horas ininterruptas.           Em termos cinemato...

Mãos Talentosas: A História de Ben Carson

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Mãos Talentosas: A História de Ben Carson JEITÃO DE CINEMA E SOTAQUE DE TELEVISÃO Quais são, afinal, as diferenças entre os filmes para cinema e aqueles feitos para a televisão? Hoje em dia, dada a qualidade dos aparelhos modernos, esta parece uma questão irrelevante, já que os filmes produzidos pelos grandes estúdios ficam tão bem na tela da sala de estar quanto na do cinema. Estatelado no sofá, diante de um telefilme ou de um grande clássico remasterizado, o cinéfilo pode experimentar a mesma sensação de estar numa sala de exibição. Portanto, a única razão para rotular uma produção como “feita para a televisão” parece ser o fato de que os realizadores não cogitaram a possibilidade de distribui-la nos circuitos de cinema. Esse é o caso de Mãos Talentosas: A História de Ben Carson , dirigido em 2009 por Thomas Carter.           Exibido originalmente pela TNT, o filme é um drama envolvente, como tantos outros que estreiam nas salas de cinema. Bem realizado, ...

Crítica | Alexandre: agora sim, um corte impecável

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Alexandre: direção de Oliver Stone A MARCHA DO PROCESSO CIVILIZATÓRIO Sabia muito bem que Alexandre o Grande cairia... na prova! Por isso tratei de estudar o básico: guardei na memória que aquele rei da Macedônia viveu no século 4 a.C, venceu suas mais importantes batalhas quando tinha apenas 18 anos e, ao morrer com 33, dominava 90% do mundo conhecido. Estudou com Aristóteles e montava Bucéfalo, um cavalo tão majestoso quanto ele. Era inteligente, corajoso e um líder capaz de mobilizar multidões em prol de sua desmedida ambição. Pacificou a Grécia, dominou o Egito, conquistou a Pérsia e rumou para o oriente, sem jamais aniquilar a cultura dos povos sob seu jugo; ao contrário, promoveu uma integração com as crenças e valores que trazia de berço e assim disseminou a cultura helenística. Fundou várias cidades, todas elas chamadas de Alexandria. O sujeito foi rápido, implacável e eficiente. Em apenas 11 anos se tornou o homem mais poderoso do seu tempo e conquistou para sempre um espaço c...

Crítica | Som da Liberdade: mais verdades do que polêmicas

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Som da Liberdade: direção de Alejandro Monteverde LUTANDO CONTRA UM MONSTRO REAL Ah, o burburinho! Ele é essencial na promoção e divulgação de qualquer produto cultural. No caso de Som da Liberdade , filme de 2023 dirigido por Alejandro Monteverde, ele alcançou níveis de decibéis tão altos que virou estrondo nas bilheterias – façanha notável para uma produção independente de baixo orçamento; espirrou polêmicas para todos os lados e alvoroçou as lombrigas ideológicas dos que se interessam por cinema e também por política; ou seja, todos nós! Antes de comentar sobre esse filme, portanto, é melhor examinar como esse burburinho se espalhou. Pressa em promover o filme           O diretor começou a gestar o filme em 2015 e realizou as filmagens em 2018, com o financiamento de investidores mexicanos. A produção foi engavetada em 2019, quando a 21st Century Fox, que faria a distribuição, foi adquirida por uma Disney entupida de lançamentos já programados e decidida...

Crítica | A Luta Pela Esperança: isso é que é superação!

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A Luta Pela Esperança: direção de Ron Howard ESTÁ MAIS PARA PAI DE FAMÍLIA DO QUE PARA PUGILISTA Minha crônica anterior foi sobre o lutador de boxe asqueroso e desagradável retratado por Martin Scorsese no seu excelente Touro Indomável . Para ficar no tema, decidi escrever agora sobre o seu exato oposto: o lutador de boxe bom caráter e aferrado a sólidos valores éticos, que foi nocauteado pela grande depressão econômica na década de 1930; despencou para a miséria, mas conseguiu se reerguer e conquistar o título de campeão mundial dos meio-pesados. Sua história está contada no filme A Luta Pela Esperança , dirigido em 2005 por Ron Howard. Um conto de fadas da vida real            O protagonista dessa história verdadeira e tocante é James J. Braddock, um boxeador compenetrado no ringue e pai de família dedicado fora dele. Sua trajetória de superação, que lembra um conto de fadas, rendeu-lhe o apelido de Cinderella Man, dado por um jornalista esportivo ch...

Crítica | Touro Indomável: ótimo filme, péssimo personagem!

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Touro Indomável: direção de Martin Scorsese UM PROTAGONISTA NOS LEVANDO PARA AS CORDAS O boxeador Jake LaMotta, retratado no filme Touro Indomável , dirigido em 1980 por Martin Scorsese, nunca foi um sujeito agradável. Ao contrário, esbanjava mau-caratismo. Esteve na prisão, estuprou uma mulher, durante um assalto espancou sua vítima até quase matá-la, meteu-se com o crime organizado, foi casado sete vezes e bateu em todas as suas mulheres; a violência estava por toda a sua ficha corrida. Nova-iorquino nascido no Bronx, era descendente de italianos e começou no boxe profissional aos 19 anos, em 1941. Tornou-se campeão mundial na categoria peso médio em 1950. Depois da aposentadoria, comprou alguns bares e virou comediante; também foi ator e participou de vários filmes. Um protagonista execrável           Apesar da vida conturbada, Jake LaMotta virou símbolo de coragem e se tornou um herói para os apreciadores do esporte. Lançou alguns livros, entre ...