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Mostrando postagens com o rótulo Comédia Dramática

O Pior Vizinho do Mundo: só que não!

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O Pior Vizinho do Mundo: filme de Marc Forster A PRESENÇA DE TOM HANKS É PRATICAMENTE UM SPOILER! Quando vi a foto do ator Tom Hanks ao lado do título O Pior Vizinho do Mundo , já entendi tudo! Imaginei uma história completa, com começo, meio e fim: o protagonista seria um tipo de ranzinza abominável que, depois de exposto às agruras da vida, revelaria ter bom caráter e encantaria a audiência com suas atitudes de boa-praça – aquelas que costumamos associar a... Tom Hanks! Talvez você também tenha caído nesse truque e acreditado que essa comédia dramática de 2022, dirigida por Marc Forster, seguiria aquela velha receita consagrada em Hollywood: pegam uma história emocionante, exageram nas pitadas de ternura e assim conquistam mais facilmente o coração do espectador. Bem, em parte, é justamente disso que se trata!           Acontece que apenas nós, brasileiros, somos avisados de que o protagonista é o pior vizinho do mundo. O restante do planeta ficou com o ...

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo: nada importa, nem o cinema!

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Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo: direção de Daniel Kwan e Daniel Scheinert É SÓ MAIS UM FILME DE SUPER-HERÓIS, PROTAGONIZADO POR GENTE COMUM O humor anárquico e absurdo sempre foi uma ferramenta de demolição, usada sem piedade para estilhaçar o sistema e os poderosos da vez. Nas mãos de cineastas talentosos e criativos, o estilo mordaz costumava irradiar críticas para todas as direções, com zombarias que faziam pensar. Escarneciam com elementos mórbidos e tiravam o espectador da zona de conforto; o faziam duvidar das verdades que trazia para a sala de cinema. Infelizmente, em  Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo , realizado em 2022 por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, o humor anárquico e absurdo é usado para acalmar os ímpetos contestadores e distrair. O maior esforço do filme é para estabelecer três conceitos mentirosos:           Conceito mentiroso 1: nada importa, realmente! – A frase é pronunciada diversas vezes. Num primeiro moment...

O Homem Bicentenário: baseado em um conto de Isaac Asimov

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O Homem Bicentenário: direção de Chris Columbus EXCESSO DE SENTIMENTALISMO E PRESSA EM FAZER RIR A comédia Uma Babá Quase Perfeita , dirigida por Chris Columbus e estrelada por Robin Williams, tornou-se um estrondoso sucesso no verão de 1993. Em 1999, o estúdio – a Disney – tratou de repetir a dose e apostou que o filme O Homem Bicentenário alcançaria os mesmos resultados nas bilheterias; convocou o diretor badalado e o astro consagrado novamente, mas dessa vez deu tudo errado! O filme naufragou estrondosamente e deixou legiões de espectadores decepcionados. Em vez de uma comédia ágil e leve, toparam com uma história sentimental, densa e pontuada de reflexões. Os poucos rompantes de humor terminaram diluídos ao longo das duas horas e dez minutos de duração.           Os estrategistas de marketing responsáveis pela divulgação do filme tiveram suas orelhas puxadas e com razão. Seus trailers e materiais promocionais insistiam em vender O Homem Bicentenário c...

Crítica | Cinema Paradiso: Giuseppe Tornatore criou a comovente história de Totò e Alfredo e fez uma bela projeção na alma de todo cinéfilo

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Cinema Paradiso: direção de Giuseppe Tornatore UMA DECLARAÇÃO DE AMOR AO CINEMA   Quando assisto a filmes falados em italiano, sou assaltado por uma inexplicável sensação de familiaridade.  Não falo italiano, nem sequer tenho ascendência italiana, mas me encanto pela  prosódia e pela musicalidade do idioma. Filmes de Fellini sempre me chegaram agradáveis aos ouvidos, porque o mestre parecia tirar o máximo proveito do ser italiano. Nenhum cineasta, porém, despertou minhas “italianices” mais do que Giuseppe Tornatore, com seu Cinema Paradiso , realizado em 1988. O filme registrou um alinhamento perfeito de alguns temas que me são caros: a paixão pelo cinema, a perda prematura do pai e o posterior desenvolvimento interno da figura paterna. Memórias de um projecionista           Quando filmou Cinema Paradiso , que lhe rendeu o Óscar de melhor filme de língua estrangeira e o prêmio especial do júri no Festival de Cannes, Tornatore tinha apenas 31 ...

Julieta dos Espíritos: comédia dramática em tom de fantasia onírica

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Julieta dos Espíritos: direção de Federico Fellini ESTUDO APROFUNDADO DE UMA PERSONAGEM COMPLEXA Eis que Fellini se torna... colorido! Julieta dos Espíritos , realizado em 1965, é o primeiro longa-metragem do diretor a abandonar o preto e branco, o que é significativo: comparável a quando Charlie Chaplin precisou incorporar o som ao seu universo fílmico. Mas ao contrário do que possam concluir os apressados, isso não significou uma rendição aos “novos rumos da modernidade”. Foi uma decisão estética, em perfeita sintonia com a temática que o diretor estava interessado em abordar. É verdade que em 1962 Fellini já havia experimentado lidar com as cores, no episódio que dirigiu para o filme Boccaccio '70 . O fez por imposição dos produtores e sem grandes reflexões estéticas. Tanto que em 1963 ele retomou ao preto e branco para arrasar em Oito e Meio , uma de suas obras mais importantes.           Em Julieta dos Espíritos , a cor é elemento essencial. O filme me...

Crítica | Nossas Meninas: Michael Caton-Jones realiza uma comédia dramática sobre meninas vivendo na fronteira entre o analógico e o digital

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Nossas Meninas: filme dirigido por Michael Caton-Jones JÁ NÃO SÃO MAIS CRIANÇAS, MAS AINDA NÃO SÃO ADULTAS! Ao escrever sobre o filme Nossas Meninas , realizado em 2019 pelo escocês Michael Caton-Jones, decidi começar pelo título que ele recebeu aqui no Brasil. Se seguissem o original em inglês, deveria se chamar Nossas Senhoras, mas alguém aqui decidiu que as personagens não passavam de... meninas! Optou por fazer um julgamento moral e também evitou ofender a susceptibilidade dos católicos, que dão o título exclusivamente a Maria, a mãe de Jesus. Esse alguém foi na direção oposta dos realizadores, que nos entregaram uma comédia dramática densa, ácida e honesta, desinteressada de fazer julgamentos e dedicada a tratar suas protagonistas com respeito. Esse alguém comprometeu a experiência do espectador – ao menos no começo do filme, enquanto as tais meninas ainda não se revelaram por inteiro. Assuntos católicos             O filme é uma adaptação do roma...

Entre Facas e Segredos: surpresa no final e ação o tempo todo

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Entre Facas e Segredos: direção de Rian Johnson O ROTEIRO EVITOU AS ARMADILHAS DO GÊNERO Os romances policiais de mistério se tornaram uma febre por décadas, desde que Sir Arthur Conan Doyle emplacou seu Sherlock Holmes. Com o tempo, eles derivaram num tipo muito específico de ficção, onde o autor propõe um quebra-cabeça para estimular o raciocínio do leitor, enquanto o confunde com pistas falsas; tentar descobrir a identidade do assassino, antes que ela seja revelada nas últimas páginas, tornou-se verdadeiro passatempo para os admiradores desse estilo de romance. Os anglo-saxões chegaram a criar um termo específico para se referir a esse gênero literário: o “ whodunnit ”, uma corruptela da expressão " Who has done it? " – numa tradução livre, algo como "Quem fez isso?", que ficaria melhor dito como: "Quem é o culpado?"           U m whodunnit que se preze tem que estar confinado a um ambiente restrito – uma mansão, um hotel ou um trem – que represente o ...

Dr. Fantástico: sátira sobre o apocalipse nuclear

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Dr. Fantástico: filme de Stanley Kubrick É O QUE DÁ CONFIAR NOS TECNOCRATAS! No início da década de 1960, a humanidade estava atordoada com a possibilidade de uma guerra nuclear iminente. A crise dos mísseis em Cuba, em 1962, produziu a sensação de que estávamos a poucos passos de cair num precipício imensurável, com um rio de puro horror apocalíptico a borbulhar lá embaixo. Diante disso, o que deveria fazer um cineasta antenado com seu tempo e empenhado em realizar o cinema mais relevante que esteja ao seu alcance? Stanley Kubrick não pensou duas vezes: leu tudo o que havia disponível sobre guerras nucleares e aprofundou-se o mais que pode. Até tropeçar no romance Red Alert , escrito pelo ex-oficial da RAF Peter George, em 1958.           Ao criar uma ficção séria e grave, o autor mostra os bastidores de uma eventual guerra nuclear e revela como seria ridiculamente fácil deflagrá-la. Outros autores fizeram o mesmo, como Eugene Burdick e Harvey Wheeler, que...

Crítica | Adeus, Lenin!: Wolfgang Becker filma uma comédia dramática sutil, enaltecendo os valores familiares

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Adeus, Lenin!: filme de Wolfgang Becker À PROCURA DA FELICIDADE, APESAR DO ESTADO Em 1989, a queda do muro de Berlim foi transmitida ao vivo e em cores para o resto do mundo. Cenas de jovens eufóricos, empoleirados em festa ao som de uma trilha sonora moderna e nervosa, anunciavam o começo de uma nova era de liberdade. Não havia mais espaço para os desmandos autoritários, vícios burocráticos ou interferências de um estado policial sustentado à base de privilégios para os dirigentes; os cidadãos da RDA faziam questão de mostrar que não queriam mais ser tutelados pela coletividade.   Aqueles foram dias e noites de uma espécie de carnaval fora de época, que deixaram implícita a inevitável chegada de uma quarta-feira de cinzas com gosto azedo de ressaca; e ela chegou rápido para os alemães! Uma comédia dramática com sotaque germânico           O processo de reunificação foi complexo, penoso e ligeiro; em pouco mais de dez anos, já não se encontravam vestíg...

Crítica | O Grande Ditador: Charlie Chaplin realizou esta sátira brilhante antes da guerra, quando ainda não se fazia ideia dos horrores que virian

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O Grande Ditador: filme de Charlie Chaplin UM BIGODINHO CURTO NA FRONTEIRA ENTRE O BEM E O MAL Havia muita semelhança física entre Carlitos  –   o vagabundo de bigodinho curto, chapéu coco e bengala dos filmes mudos  –  e o ditador Adolf Hitler.  Havia também semelhanças biográficas: nasceram com poucos dias de diferença, em berço pobre e percorreram trajetórias de sucesso ancoradas na capacidade de realização – ainda que tenha seguido em direções opostas na linha entre o bem e o mal. No final dos anos 1930, fascinado por essas semelhanças e seus significados – e incentivado pelo produtor Alexander Korda – Chaplin decidiu realizar o filme O Grande Ditador . Lançado em 1940, seria um grande sucesso de bilheteria. Antes da Inglaterra declarar guerra à Alemanha          O bserve, caro leitor, que Chaplin começou a rodar seu filme em setembro 1939, bem no comecinho da Segunda Guerra Mundial. Ao ser lançado, os nazistas já ocupavam grande par...

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