Crítica | Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: Alfonso Gomez-Rejon realizou uma comédia dramática sensível e envolvente

Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: dirigido por Alfonso Gomez-Rejon
UM FILME CRIATIVO E SENSÍVEL
Dia desses, zapeando pelos canais da TV por assinatura, tropecei em Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer, filme de 2015 dirigido por Alfonso Gomez-Rejon. Nunca ouvira falar sobre o filme, não conhecia o diretor e nem qualquer dos atores envolvidos. Se tivesse lido a sinopse apresentada no guia de programação, certamente mudaria de canal; pensaria se tratar de mais uma comédia repleta de humor imaturo, voltada para o público adolescente e explorando a fauna que habita as high schools americanas. Para minha sorte, contudo, nem encostei no controle remoto; apenas deixei a programação fluir e o filme começar. Em poucos minutos estava fisgado.
Uma ótima comédia dramática
Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer foi premiado no Festival de Sundance em 2015 com o Grande Prêmio do Júri e do Público. É baseado no romance intitulado Me and Earl and The Daying Girl, escrito em 2012 pelo americano Jesse Andrews, que também assina o roteiro dessa adaptação para o cinema. Conta a história de Greg Gaines (Thomas Mann) um garoto criativo que, por pressão dos pais, é obrigado a se relacionar com Rachel Kushner (Olivia Cooke), uma garota com leucemia. Greg se deixa envolver emocionalmente, mesmo ciente de que Rachel corre o risco de morrer. Intermediando o relacionamento, entra em cena Earl (RJ Cyler), o melhor amigo de Greg, que o ajuda na produção de curtas-metragens em vídeo, parodiando grandes sucessos do cinema.
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Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: uma comédia dramática envolvente
Personagens criativos e carismáticos
Com tal enredo, o filme poderia escorregar com facilidade para o melodrama, ou então boiar na superfície do contexto dramático. O diretor Alfonso Gomez-Rejon, entretanto, encontrou os caminhos narrativos para se aprofundar. Em parceria com o roteirista e “dono” da história, construiu as cenas com simplicidade e honestidade, para ressaltar a criatividade, a sensibilidade e o carisma dos personagens. Impôs ao filme um ritmo leve, agradável e otimista, sem jamais deixar que o espectador se esqueça da possibilidade de tristeza no final. Também soube usar com critério a alusão ao cinema – as versões dos filmes famosos realizadas pelos personagens são singelas mas emocionalmente reveladoras.
Uma experiência transformadora
O filme explora com sucesso um amplo leque de emoções. Há oportunidades para rir; há momentos para verter as lágrimas; há momentos para refletir sobre a vida e a morte. Acompanhamos a trajetória de amadurecimento dos personagens e, no final, não saímos incólumes; aprendemos algo sobre as diferentes formas de encarar a vida – ainda que seja da perspectiva de gente endinheirada, que vive confortavelmente numa sociedade estruturada; gente que protege e valoriza as liberdades individuais e usufrui uma invejável qualidade de vida, que aqui no Brasil, nem sequer podemos imaginar..jpg)
Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: personagens bem construídos
Uma grata surpresa
Pela forma que chegou até mim, enquanto zapeava pela programação regular da TV por Assinatura, Eu, Você e a Garota que vai Morrer foi uma grata surpresa. É provável que topasse com o filme em outras circunstâncias, ao xeretar nas resenhas e sinopses da internet ou nas sugestões das plataformas de streaming; mas a experiência talvez fosse diferente. Talvez não estivesse largado no sofá, tão disposto a enxergar o novo e o diferente. Talvez apenas incluísse o filme em uma daquelas listas de títulos que pretendo assistir sabe-se lá quando. Gostei de ter dado essa chance ao acaso.
É preciso dar uma chance ao acaso
Por diversas vezes já pensei em cancelar a TV por assinatura. Com a imensa oferta nos streamings, poderia economizar um bom dinheiro. O problema é que ainda vejo muita televisão, e não falo apenas de filmes: jornalismo, esportes, música, reality shows... Minha geração tem um caso sério com essa mídia. Fomos criados na frente TV e por meio dela fomos alfabetizados na linguagem do cinema. Há uma ligação afetiva... uma espécie de cordão umbilical, que liga nossa poltrona ao aparelho de TV. Romper com ele significa nascer para uma outra forma de consumir entretenimento. Entretanto, topar com filmes inteligentes e sensíveis como Eu, Você e a Garota que vai Morrer é o tipo de experiência que me faz adiar o cancelamento da TV por assinatura. Mas sei que isso será inevitável. Cedo ou tarde terei que encontrar outros modos de acessar o acaso.
Veredito da crônica de cinema
★★★★☆(4 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Alfonso Gomez-Rejon, a adaptação inteligente de Jesse Andrews, a trilha sonora envolvente e o ótimo trabalho dos atores.
O que surpreende: ao filme não descamba para o melodrama, mas se eleva na medida em que se aprofunda nas camadas emocionais dos personagens.
Acima da média. É cinema de qualidade.
Ficha técnica do filme Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer
Título original: Me and Earl and the Dying Girl
Ano de produção: 2015
Direção: Alfonso Gomez-RejonRoteiro: Jesse Andrews
Elenco:
- Thomas Mann
- RJ Cyler
- Olivia Cooke
- Nick Offerman
- Connie Britton
- Molly Shannon
- Jon Bernthal
- Matt Bennett
Pois é meu caro. Confesso que sou meio complicado pra ser capturado assim. Se visse a sinopse não entrava nessa. Vou tentar rever isso e dar mais oportunidades às surpresas. Excelente reflexão. Abçs
ResponderExcluirCinema não precisa ser essa coisa intelectualizada... É só relaxar. Se o filme não surpreender, sempre tem o controle remoto pra resolver!
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