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Mostrando postagens com o rótulo Mistério

Crítica | Presságio: Nicolas Cage, profecias e o dilema entre o mistério e a catástrofe

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Presságio: direção de Alex Proyas OS DOIS PRIMEIROS ATOS FUNCIONAM. O ÚLTIMO É UMA BOBAGEM! Na juventude, fui um cinéfilo mais criterioso. Só entrava numa sala de exibição se o filme valesse o preço do ingresso. Além disso, tinha que escolher entre uma lista reduzida de títulos – Curitiba contava com dezena de cinemas, onde os lançamentos ficavam em cartaz por poucas semanas. Para decidir com sabedoria onde gastar meu suado dinheirinho, a solução era vasculhar os cadernos de cultura dos jornais e as revistas especializadas; lia muito sobre cinema e quando me sentava na plateia, já sabia o que esperar. A era do streaming e o impulso de apertar o play           Hoje, a oferta de filmes beira o infinito. Nas plataformas de streaming, o valor da assinatura é o mesmo, caso você assista a um único filme por mês ou a cinco por dia! Tornei-me um cinéfilo mais impulsivo. Aperto o play com facilidade, pois sei que posso mudar de ideia ao primeiro sinal de arrependime...

Crítica | Ripley: Steven Zaillian desce até as profundezas da mente de um psicopata e realiza uma minissérie primorosa

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Ripley: minissérie dirigida por Steven Zaillian RETRATO EM PRETO E BRANCO DE UM PSICOPATA A minissérie  Ripley , criada, escrita e dirigida em 2024 por Steven Zaillian, é uma adaptação brilhante do romance  O Talentoso Ripley , que Patricia Highsmith escreveu em 1955. Lá a escritora americana apresentou o  personagem Tom Ripley, um vigarista que se consagrou como um dos mais desprezíveis psicopatas da literatura.  Rendeu uma série de livros, que fizeram a fama da autora; além de vários contos, ela escreveu 22 romances, vários deles adaptados para o cinema – inclusive  Pacto Sinistro , dirigido por Alfred Hitchcock. Agora, disponível na Netflix, os fãs do personagem encontrarão um excelente motivo para revistar o personagem e suas tramoias.  Um convite para maratonar          Antes de apertar o play na minissérie, o s cinéfilos atentos buscarão na memória a adaptação de 1999 intitulada  O Talentoso Ripley , dirigida por Ant...

Camaleões: policial com atmosfera de suspense

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Camaleões: direção de Grant Singer PERSONAGENS QUE SE REVELAM NO RITMO CERTO Desde a primeira aparição do detetive Auguste Dupin, personagem criado por Edgar Allan Poe no conto Os Assassinatos na Rua Morgue , publicado em 1841, o gênero policial encontrou caminho livre para se desenvolver. Do gótico ao noir, do whodunnit aos thrillers, todos os estilos deixaram as páginas da literatura e ganharam vida nas telas do cinema. O policial detetive virou personagem íntimo dos cinéfilos, como se fizesse parte do nosso dia a dia. A própria profissão de investigador já nos parece tão familiar, que praticamente a dominamos; conhecemos o jargão, as malandragens, os ossos do ofício... Existem policiais de todos os tipos: os meticulosos, os obsessivos, os violentos, os atormentados, os justiceiros... Agora, em Camaleões , filme de 2023 dirigido por Grant Singer, somos apresentados a um novo tipo de detetive: aquele mais interessado em concluir a reforma da própria casa!       ...

O Pálido Olho Azul: ficção envolvente com final surpresa!

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O Pálido Olho Azul: direção de Scott Cooper AQUI, EDGAR ALLAN POE VIRA PERSONAGEM O diretor Scott Cooper diz preferir o formato de longa-metragem em vez daquele estabelecido para as minisséries da TV. Minha tendência é concordar com ele, já que a objetividade de resolver tudo em duas horas se encaixa melhor na minha experiência cotidiana de cinéfilo. Mais demoradas, as séries demandam disciplina e um maior controle da ansiedade, enquanto esperamos a resolução da trama. Não sei se essa preferência do diretor foi o único motivo para que  O Pálido Olho Azul , de 2022, fosse realizado como filme, mas o fato é que o material no qual ele se baseou – o romance com o mesmo título escrito em 2009 por Louis Bayard – traz uma profusão de personagens e uma trama minuciosa o bastante para render uma minissérie inteira. E das boas!          Vamos começar pelo livro. Seu autor  tem no currículo alguns ótimos mistérios históricos, como Mr. Timothy ...

The Sinner: série policial de suspense psicológico

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The Sinner: série desenvolvida por Derek Simonds UM PERSONAGEM E SUA JORNADA Quando a safra de bons filmes disponíveis nos serviços de streaming começa a se esgotar, lembro do óbvio: há uma grande quantidade de séries feitas para a TV, esperando ser descobertas; o maior problema é saber escolher. Odeio perceber, lá pelo segundo ou terceiro episódio, que o enredo é raso, que os personagens são estereotipados e que não haverá uma perspectiva clara para a resolução da história. Na maioria das séries, na medida em que a audiência definha, os realizadores simplesmente cancelam futuras temporadas – ou pior, inventam um final capenga e frustrante. Como não quero correr esse risco, trato de trocar mensagens com a Julia. Minha filha sempre vem com boas sugestões e me garantiu que The Sinner , série desenvolvida por Derek Simonds em 2017, é imperdível. Conferi, adorei, maratonei as quatro temporadas e torço para que haja uma quinta.           The Sinner é um drama p...

Entre Facas e Segredos: surpresa no final e ação o tempo todo

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Entre Facas e Segredos: direção de Rian Johnson O ROTEIRO EVITOU AS ARMADILHAS DO GÊNERO Os romances policiais de mistério se tornaram uma febre por décadas, desde que Sir Arthur Conan Doyle emplacou seu Sherlock Holmes. Com o tempo, eles derivaram num tipo muito específico de ficção, onde o autor propõe um quebra-cabeça para estimular o raciocínio do leitor, enquanto o confunde com pistas falsas; tentar descobrir a identidade do assassino, antes que ela seja revelada nas últimas páginas, tornou-se verdadeiro passatempo para os admiradores desse estilo de romance. Os anglo-saxões chegaram a criar um termo específico para se referir a esse gênero literário: o “ whodunnit ”, uma corruptela da expressão " Who has done it? " – numa tradução livre, algo como "Quem fez isso?", que ficaria melhor dito como: "Quem é o culpado?"           U m whodunnit que se preze tem que estar confinado a um ambiente restrito – uma mansão, um hotel ou um trem – que represente o ...

Tempo: um mistério enrolado em questões éticas

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Tempo: filme de M. Night Shyamalan ENVELHECER SEM O BÔNUS DA EXPERIÊNCIA DE VIDA O que é o tempo? A tirada espirituosa de Santo Agostinho, no seu livro autobiográfico As confissões , já virou resposta clássica: “Se ninguém me pergunta, eu o sei, mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada.” A frase se popularizou, porque a maioria de nós não quer se perder com divagações; sempre de olho no relógio, estamos mais preocupados com os compromissos a cumprir e, feito peixes que se movem sem atinar para a existência da água, seguimos com a vida, distraídos para a passagem do tempo. Segundo os físicos, ele é de uma constância implacável: não se apressa, não se cansa, não pára. Mas não é o que diz o senso comum. Quando nos divertimos, o tempo voa; na cadeira do dentista, ele se arrasta! Na medida em que o tempo flui, ficamos mais velhos. E se ficamos mais velhos, é porque acumulamos mais tempo de vida. Essa lógica cristalina vai por terra no filme Tempo , dirigido em 2021 por M. Ni...

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