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Mostrando postagens com o rótulo Policial

Efeito Dominó: baseado em um assalto real

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Efeito Dominó: direção de Roger Donaldson UMA REUNIÃO DE TODOS OS TIPOS DE MELIANTES Sim, Efeito Dominó , filme de 2008 dirigido por Roger Donaldson, é um ótimo thriller policial, capaz de nos prender na poltrona do começo ao fim. Porém, é preciso que se diga: é mais um daqueles filmes que enaltecem os criminosos e celebram suas ousadias. Aliás, o espectro de meliantes coberto pela trama é dos mais amplos; tropeçamos em ladrões ordinários, traficantes de drogas, exploradores da pornografia, gângsteres, ativistas, falsários, agiotas, políticos, agentes do estado... E o pior de tudo: eles protagonizam uma história real, passada na Inglaterra 1971. Para complicar, as implicâncias e desdobramentos dos crimes por eles cometidos ainda não são totalmente conhecidos, pois o caso está sob sigilo até 2054 – sim, lá na Inglaterra, como no Brasil, o sistema também se autoprotege sem qualquer constrangimento.           O filme foi construído sobre o terreno arenoso das ...

O Contador: entretenimento ligeiro e divertido

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O Contador: direção de Gavin O'Connor UM PROTAGONISTA MORALMENTE AMBÍGUO, PORÉM CARISMÁTICO Meu pai era contador. Melhor dizendo, era formado em ciências contábeis, mas jamais exerceu a profissão. Arriscou-se em empreendimentos comerciais que não vingaram e depois refugiou-se na área de vendas em algumas empresas de grande porte. Nunca enxerguei meu pai como um contador: não exibia talentos com a matemática, não perdia tempo com registros e não se apegava a documentos nem carimbos. Sabia, porém, que ele era um contador, porque usava sempre na mão direita um vistoso anel com pedra vermelha – anel de formatura, como ele costumava explicar aos que reparavam nos seus gestos largos. Contadores são metódicos, compenetrados e rigorosos; meu pai era extrovertido, afoito e imprevisível.           Conheci alguns contadores de verdade – fui cliente de uns e prestei serviços de publicidade para outros. Nenhum deles se parecia com meu pai. Por outro lado, nenhum deles...

Roubando Vidas: um thriller de suspense... interessante

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Roubando Vidas: direção de D. J. Caruso QUASE MEMORÁVEL Thrillers de suspense sobre policiais empenhados em capturar um assassino em série têm potencial para atrair multidões de espectadores, todos ávidos por experimentar momentos de tensão, acompanhar conflitos psicológicos em profundidade e respirar uma atmosfera de mistério. O gênero costuma nos apresentar a personagens densos e complexos, envolvidos em tramas intrincadas, que demandam astúcia, inteligência e sangue frio para serem desvendadas. Se7en: Os Sete Crimes Capitais e O Silêncio dos Inocentes são dois dos exemplares mais lembrados pelos cinéfilos que apreciam esse tipo de história policial. Infelizmente, Roubando Vidas , filme de 2004 dirigido por D. J. Caruso, não está à altura de figurar entre tais títulos; ainda assim, é um filme que merece ser visitado. Tem boas atuações, um ritmo bem conduzido e surpreende com reviravoltas inesperadas. Não decepciona, mas... poderia ser melhor!           ...

O Refém - Atentado em Madri

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O Refém - Atentado em Madri: direção de Daniel Calparsoro UM HOMEM COMUM GOLPEDO PELO DESTINO Com tantas opções nos serviços de streaming, como escolher o filme certo? Enquanto dedilho o controle remoto com gestos apressados, sigo um método criterioso, que desenvolvi ao longo de décadas no exercício da cinefilia: tomo decisões emocionais! É claro que ao me deixar guiar pelo estado de espírito, corro o risco de tropeçar nos preconceitos e ignorar títulos proveitosos; quantos ótimos filmes fui conferir com anos de atraso, só porque impliquei com algum detalhe da sinopse ou da ficha técnica? Muitos! Mas é do jogo. O Refém - Atentado em Madri , filme de 2023 dirigido por Daniel Calparsoro, é um desses casos: quando percebi que esse thriller policial foi produzido na Espanha, torci o nariz, afinal, o gênero é dominado pelos anglo-saxões, que moldaram seus elementos e seus clichês; os espanhóis, por outro lado, têm maior tendência ao melodrama e costumam derrapar nas cenas de ação.  ...

Cassino: uma incrível história real

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Cassino: direção de Martin Scorsese UM ÉPICO SOBRE O SUBMUNDO DO CRIME Eis que flagramos Martin Scorsese e Nicholas Pileggi, novamente, a ponto de ultrapassar a fronteira da apologia ao crime. O filme Cassino , dirigido em 1995 pelo primeiro, numa adaptação do romance escrito pelo segundo, é uma retomada da fórmula bem-sucedida que a dupla desenvolveu em seu filme anterior, Os Bons Companheiros . Mais uma vez somos apresentados a personagens sem caráter, ávidos por dinheiro e poder, embriagados de hedonismo e guiados pela violência; são mafiosos que não merecem menos do que a cadeia, mas aqui desfilam de protagonistas, para satisfazer a nossa mórbida curiosidade sobre o que nos esperaria se tivéssemos optado por ingressar no mundo do crime. Será mesmo que não há compensações? Há algo que valha a pena?           O tema, recorrente na filmografia de Scorsese, vem tratado com a costumeira competência. O cineasta disseca seus personagens, enquanto os expõe às c...

Sobre Meninos e Lobos: o perturbador Mystic River

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Sobre Meninos e Lobos: direção de Clint Eastwood PROFUNDIDADE DRAMÁTICA E CINEMA MINUCIOSO Sobre Meninos e Lobos , dirigido em 2003 por Clint Eastwood, não é um filme fácil. É doloroso, incômodo e provocador; obriga o espectador a encarar uma gama de emoções fortes, experimentadas por personagens introspectivos, com os quais é difícil estabelecer empatia – não desejaria estar no lugar de nenhum deles! Ainda assim, é um grande filme, que merece ser visto e revisitado; oferece cinema de qualidade e tem lugar de destaque na filmografia de um diretor ousado o suficiente para transitar pelo cinema comercial na contramão – em vez de impor um ritmo vertiginoso, pontuado com cenas rápidas, editadas em frenesi, prefere os planos longos, que capturam as minúcias do que seus atores têm para oferecer.           Antes de falar do filme, porém, gostaria de lembrar do material original, que foi adaptado para as telas: o livro Sobre Meninos e Lobos – Mystic River , escrito...

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes

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Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes: direção de Guy Ritchie AÇÃO INTELIGENTE, COM MUITO CHARME E ESTILO Esbarrei em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes , filme dirigido em 1998 por Guy Ritchie, há dois anos; o título entrou na grade da TV por assinatura, justo num horário em que decidi me estatelar no sofá e zapear sem rumo. Não tenho o hábito de pescar (muito menos a habilidade necessária), mas me senti como se tivesse apanhado um peixão. O filme já tinha mais de 20 anos e ainda exalava muito frescor; misturava ação, comédia, violência e gângsteres ingleses, numa história inusitada, com narrativa ágil, repleta de diálogos inteligentes e uma linguagem audiovisual bem elaborada. Ah, e como esbanjava estilo!           Uso os verbos no passado na tentativa de expressar meu entusiasmo enquanto aproveitava, no conforto do sofá, aqueles momentos mágicos para qualquer cinéfilo; o filme continua exalando frescor e ainda carrega motivos de sobra para entusia...

O Troco: thriller catártico e divertido

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O Troco: direção de Brian Helgeland SÓ NOS RESTA TORCER PELO ANTI-HERÓI Jamais assisti a O Troco numa sala de cinema. Dirigido em 1999 por Brian Helgeland, o filme não despertou meu interesse na época; imaginei que contasse uma daquelas histórias rasas de vingança. Tempos depois, tropecei com o título na grade de programação da TV por assinatura e constatei que é isso mesmo. Mas o longa irradia tanto charme que se torna divertido e envolvente. Adorei! Claro que o vingativo protagonista não tem a profundidade de um Hamlet, que vê seu mundo corroído por causa de um desejo de vingança cultivado com afinco. Porém, tem o carisma de um Mel Gibson implacável, determinado a recuperar o que lhe roubaram.           Se citei Hamlet , foi apenas para lembrar que histórias de vingança não são necessariamente rasas; para além da explosão emocional, os autores sempre encontram densidade para alicerçar o desejo de desforra: a necessidade de obter reparação pelos danos; de...

Assalto ao Carro Blindado: eles passaram para o lado dos bandidos

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Assalto ao Carro Blindado: direção de Nimród Antal NÃO ME VENHAM COM DESCULPAS ESFARRADAS! Todo cinéfilo tem, na manga da camisa, um filme despretensioso, descomplicado e envolvente, que dará como cartada quando quiser encerrar de vez a busca no serviço de streaming, para finalmente poder relaxar diante da TV. Na verdade, tenho vários filmes assim, e um deles é Assalto ao Carro Blindado , dirigido em 2009 por Nimród Antal. O que há de especial nesse filme? Não muito, mas posso citar pelo menos três bons motivos para se render a ele: tem um elenco excelente, traz uma boa história bem contada e cutuca valores pessoais e familiares me precisam ser cultivados nesses nossos dias confusos.           O título do filme já diz tudo: trata-se do thriller policial que tem Matt Dillon, Jean Reno, Laurence Fishburne e Columbus Short à frente do elenco, onde os seguranças encarregados de transportar cifras astronômicas resolvem passar para o time dos gatunos e meter a mã...

Ripley: minissérie com suspense em profundidade

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Ripley: minissérie dirigida por Steven Zaillian RETRATO EM PRETO E BRANCO DE UM PSICOPATA Afinal de contas, o que é um psicopata? Os especialistas em psicologia levantarão o dedo e bradarão definições amparadas nos diagnósticos das várias doenças mentais, que afetam o caráter e causam desvios de comportamento; falarão em atitudes antissociais, rompantes impulsivos e reações violentas... Porém, ressaltarão que, a depender do contexto, o diagnosticado pode não ser agressivo, nem representar perigo real para outras pessoas.           Já nós, os cinéfilos, reconhecemos de imediato um psicopata: ele costuma transitar pelas histórias mais escabrosas do cinema. É frio, desprovido de empatia e... maligno! Jamais sente remorso ou culpa. É calculista, cruel e quase sempre desempenha o papel do vilão. Um bom psicopata – bom num sentido fático, é claro – é um ingrediente especial em qualquer thriller policial ou de mistério; vai elevar os níveis de suspense e nos causa...

Camaleões: policial com atmosfera de suspense

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Camaleões: direção de Grant Singer PERSONAGENS QUE SE REVELAM NO RITMO CERTO Desde a primeira aparição do detetive Auguste Dupin, personagem criado por Edgar Allan Poe no conto Os Assassinatos na Rua Morgue , publicado em 1841, o gênero policial encontrou caminho livre para se desenvolver. Do gótico ao noir, do whodunnit aos thrillers, todos os estilos deixaram as páginas da literatura e ganharam vida nas telas do cinema. O policial detetive virou personagem íntimo dos cinéfilos, como se fizesse parte do nosso dia a dia. A própria profissão de investigador já nos parece tão familiar, que praticamente a dominamos; conhecemos o jargão, as malandragens, os ossos do ofício... Existem policiais de todos os tipos: os meticulosos, os obsessivos, os violentos, os atormentados, os justiceiros... Agora, em Camaleões , filme de 2023 dirigido por Grant Singer, somos apresentados a um novo tipo de detetive: aquele mais interessado em concluir a reforma da própria casa!       ...

O Plano Perfeito: enaltecendo a esperteza de um reles ladrão

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O Plano Perfeito: direção de Spike Lee O DIRETOR FICOU REFÉM DE UM ROTEIRO IMPERFEITO Um assalto à filial de um grande banco em Nova Iorque, que envolve reféns e se torna um espetáculo midiático, mexe com a imaginação dos nova-iorquinos. Não, não se trata de Um Dia de Cão , dirigido em 1975 por Sidney Lumet; o objeto desta crônica é O Plano Perfeito , dirigido em 2006 por Spike Lee. Apesar das referências – e da franca homenagem ao trabalho de Lumet – esse filme traz diferenças substanciais: em vez de partir de um evento destrambelhado para nos revelar personagens complexos, destrincha uma sequência de acontecimentos bem planejados, sem se preocupar em investigar os personagens para além das camadas epidérmicas. É um thriller policial ágil e envolvente, estrelado por nomes famosos, mas sem fôlego para sair conosco da sala de cinema. Vale o preço do ingresso, porém, oferece conteúdo esquecível.           É verdade que este cronista tem uma certa implicância ...

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