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Mostrando postagens com o rótulo Drama

Crítica | Sonhos de Trem: Clint Bentley entregou um drama contemplativo e visualmente deslumbrante

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Sonhos de Trem: direção de Clint Bentley UMA JORNADA PELA VIDA O curto romance Sonhos de Trem , escrito em 2011 pelo americano Denis Hale Johnson, oferece uma narrativa breve e sensível sobre a vida de um personagem lacônico; um homem comum, que nasceu, cresceu, trabalhou, construiu família, amou, sofreu e morreu enquanto o mundo ao seu redor insistia em girar com inércia transformadora. O filme Sonhos de Trem , dirigido em 2025 por Clint Bentley, é uma adaptação primorosa dessa história. Com ares de cinema independente, desfia uma narrativa fluente e orgânica, que combina imagens deslumbrantes, música envolvente e um texto aguçado, num resultado poético e emocionante. No cinema, esta obra aberta de grande valor literário nos chega como um pacote fechado, mas embrulhado em belo papel de presente! Ótimas referências cinematográficas           Sei que os cinéfilos compenetrados torcerão o nariz para as comparações que ousarei fazer com os filmes Árvore da Vid...

Crítica | Pecadores: Ryan Coogler mistura blues, gângsteres e vampiros em uma obra envolvente

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Pecadores: todo o cinema de qualidade que se espera de Ryan Coogler BLUES, GÂNGSTERES E VAMPIROS NO MESMO FILME? FAZ TODO O SENTIDO! Aos 17 anos, cursava eletrônica na Escola Técnica, mas ardia em arrependimento; descobri que me faltava talento para as ciências exatas e pus na cabeça que abraçaria outra profissão: me tornaria um publicitário. Havia, porém, um último semestre a ser vencido antes de tentar o vestibular. O problema é que não podia reprovar em português. Para ser aprovado, todo aluno era obrigado a apresentar uma palestra de no mínimo vinte minutos sobre um tema de sua livre escolha. Adivinhe sobre o que resolvi palestrar? Blues!           Meu professor marcou a data e lá fui eu, ler e pesquisar – na época, fazíamos isso na biblioteca. Emprestei LPs dos parentes e amigos e fucei as lojas de discos... andava por toda parte com meu gravador, tentando montar a trilha sonora da minha palestra. Gostei tanto do assunto que virei um amante da música –...

Crítica | Frankenstein: Guillermo del Toro realizou um espetáculo audiovisual irretocável

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Frankenstein: criador e criatura em busca de respostas EXCELENTE. SÓ NÃO PRECISAVA DAQUELA NARRAÇÃO EM OFF! Com seu livro Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno , a escritora inglesa Mary Shelley criou um mito na acepção filosófica. Pôs em palavras a angústia que a humanidade experimentava naquele comecinho de século XIX, diante de um cientificismo cada vez mais dominante; aproveitando que nos esforçávamos para exercer as funções de Deus, ela criou um monstro feito com partes de nós e o animou por meio de uma eletricidade que ainda  cheirava a magia. Passados 200 anos, sua criatura continua imortal, vagando pela cultura pop com incrível vitalidade – ganhou materialidade quando assumiu as feições de um Boris Karlof, porém, jamais enganou o público: não é humano! Está mais para um arremedo de gente, que nos inspira medo, repulsa e um bom tanto de pena. Nós somos os criadores           Sim, o que Mary Shelley criou foi uma boa oportunidade para discutir sob...

Crítica | Calígula: O Corte Final: sem as cenas de sexo explícito, as excelentes atuações ficaram em destaque

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Tinto Brass e Gore Vidal renegaram Calígula: lixo cinematográfico UM FILME REVISIONISTA, SEM A MESMA VOCAÇÃO PARA O ESPETÁCULO Nos anos 1970, Bob Guccione era um pornógrafo de sucesso. Dono da revista Penthouse, investiu algum dinheiro em produções de cinema e gostou da experiência; desenvolveu uma ambição peculiar: criar seu próprio gênero cinematográfico. Imaginou um drama épico de relevância histórica e sólidos valores artísticos, misturado com cenas de sexo explícito. Concluiu que Calígula – o tirânico imperador romano que os livros de história registraram como um louco com delírios de grandeza –, seria o protagonista ideal para transmitir credibilidade com um bom tanto de lascívia. Pronto! Deu início ao mais caro filme independente até então já produzido. Nada como um verniz para o acabamento           Guccione contratou o consagrado escritor Gore Vidal para escrever o roteiro e o diretor italiano Tinto Brass para garantir uma abordagem erótica com est...

Crítica | Apocalypto: Mel Gibson foi além do filme de perseguição e mostrou como se vence o medo

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Apocalypto: direção de Mel Gibson A VIOLÊNCIA COMO RESPOSTA AUTOMÁTICA Quando as ideias econômicas dos marxistas naufragaram irrecuperavelmente, o que fizeram os pensadores da esquerda? Agarraram-se à filosofia de Jean-Jacques Rousseau, o escritor suíço do século XVI, expoente do iluminismo; suas ideias forneceram munição tanto para os liberais como para os comunistas, mas foram estes últimos que se esbaldaram na sua visão de mundo coletivista. Para Rousseau, os problemas da humanidade começaram quando decidimos conviver em sociedade e instituímos a propriedade privada. Deduziu que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe; emplacou o conceito do “bom selvagem”, que vivia em perfeita harmonia com a natureza, sem vícios ou maldades, até que veio o processo civilizatório e infundiu-lhe todo o mal. A narrativa colou! Barbárie x civilização           Basta percorrer algumas poucas páginas da nossa história para entender que é justamente o contrário: o mal s...

Crítica | Somos Marshall: McG realiza um filme previsível. Por isso funciona bem!

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Somos Marshall: direção de McG DESPRETENSIOSO, MAS PROVEITOSO Sempre evitei os filmes sobre futebol americano. Não tenho qualquer familiaridade com esse esporte – desconheço as regras, os ídolos, os times importantes e os campeonatos conduzidos pelas várias ligas esportivas. Tudo o que sei é que os jogadores usam pesados equipamentos de proteção, porque disputam cada ponto com impressionante truculência. Ah, e sei também que o esporte tem uma relação de simbiose com a vida universitária americana; para serem aceitos como jogadores, os estudantes precisam obter boas notas no boletim; para galgar até as ligas profissionais, precisam passar pelo futebol universitário. Uma tragédia real           Para ganhar a minha torcida, filmes sobre futebol americano precisam ir além do futebol; precisam exibir cinema de qualidade. Somos Marshall , dirigido em 2006 por McG, não é nenhuma obra-prima do gênero, mas tem elementos de sobra para prender a atenção do espectador ...

Crítica | Faces da Verdade: Rod Lurie entrega um thriller político ágil e envolvente, onde a verdade tem valor absoluto

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Faces da Verdade: direção de Rod Lurie VERDADE: VALOR QUE NÃO PODE SER RELATIVIZADO Sempre reservo um dia da semana para exercer o que chamo de... extrativismo cinematográfico: vasculho as plataformas de streaming com método e paciência, atento a qualquer pepita mais reluzente. Não é sempre, mas elas aparecem, presas na minha peneira criteriosa. Dessa vez, meu achado foi Faces da Verdade , escrito e dirigido em 2008 por Rod Lurie. Depois de reconhecer o nome do diretor, responsável por ótimos filmes como A Última Fortaleza e Posto de Combate , este cinéfilo garimpeiro apertou o play e não se arrependeu. No Brasil, o filme ganhou um título maroto           Faces da Verdade é um thriller político ágil e envolvente, com um roteiro bem costurado, diálogos bem escritos e ótimas interpretações. É entretenimento, mas tem qualidades estéticas e traz provocações que fazem pensar – nos lembra que a verdade é tudo o que de fato importa. Antes de começar a destrinch...

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