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Mostrando postagens com o rótulo Ação

Crítica | Apocalypto: Mel Gibson foi além do filme de perseguição e mostrou como se vence o medo

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Apocalypto: direção de Mel Gibson A VIOLÊNCIA COMO RESPOSTA AUTOMÁTICA Quando as ideias econômicas dos marxistas naufragaram irrecuperavelmente, o que fizeram os pensadores da esquerda? Agarraram-se à filosofia de Jean-Jacques Rousseau, o escritor suíço do século XVI, expoente do iluminismo; suas ideias forneceram munição tanto para os liberais como para os comunistas, mas foram estes últimos que se esbaldaram na sua visão de mundo coletivista. Para Rousseau, os problemas da humanidade começaram quando decidimos conviver em sociedade e instituímos a propriedade privada. Deduziu que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe; emplacou o conceito do “bom selvagem”, que vivia em perfeita harmonia com a natureza, sem vícios ou maldades, até que veio o processo civilizatório e infundiu-lhe todo o mal. A narrativa colou! Barbárie x civilização           Basta percorrer algumas poucas páginas da nossa história para entender que é justamente o contrário: o mal s...

Crítica | Presságio: Nicolas Cage, profecias e o dilema entre o mistério e a catástrofe

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Presságio: direção de Alex Proyas OS DOIS PRIMEIROS ATOS FUNCIONAM. O ÚLTIMO É UMA BOBAGEM! Na juventude, fui um cinéfilo mais criterioso. Só entrava numa sala de exibição se o filme valesse o preço do ingresso. Além disso, tinha que escolher entre uma lista reduzida de títulos – Curitiba contava com dezena de cinemas, onde os lançamentos ficavam em cartaz por poucas semanas. Para decidir com sabedoria onde gastar meu suado dinheirinho, a solução era vasculhar os cadernos de cultura dos jornais e as revistas especializadas; lia muito sobre cinema e quando me sentava na plateia, já sabia o que esperar. A era do streaming e o impulso de apertar o play           Hoje, a oferta de filmes beira o infinito. Nas plataformas de streaming, o valor da assinatura é o mesmo, caso você assista a um único filme por mês ou a cinco por dia! Tornei-me um cinéfilo mais impulsivo. Aperto o play com facilidade, pois sei que posso mudar de ideia ao primeiro sinal de arrependime...

Missão Impossível: ação, emoção e diversão

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Missão Impossível: direção de Brian De Palma UMA FÓRMULA IRRETOCÁVEL Quando era garoto, Missão Impossível morava na televisão – aquela caixa volumosa que dominava, feito um altar, a nossa sala de estar. Meu pai exigia silencio assim que ouvia os primeiros acordes do vibrante tema musical e imediatamente acendia o seu cachimbo. Parecia aproveitar o mesmo palito de fósforo que incendiava o estopim na vinheta de abertura, para deixar um rastro de ação, emoção e suspense, enquanto a sala era tomada pela fumaça e pelo perfume seco do tabaco Half and Half – sua marca preferida. Os próximos minutos transcorriam ligeiros e divertidos, enquanto xeretávamos o mundo da espionagem que animava os bastidores da Guerra Fria.           Como o próprio título da série já insinuava, a impossibilidade era o elemento que desfazia todos os vínculos com a realidade; as façanhas improváveis dos personagens ensinavam ao espectador a diferença entre verdade e verossimilhança; as di...

Tron: Ares: um filme de ação desenfreada

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Tron: Ares: direção de Joachim Rønning NO CINEMA, O IMPERATIVO VISUAL JÁ NÃO É O MEMSMO! Quando Tron , filme dirigido por Steven Lisberger foi lançado em 1982, corri para o cinema. Já trabalhava com criação publicitária e tinha grande interesse pelo futuro da computação gráfica, cujas promessas só conseguia vislumbrar nas matérias das revistas; aliás, o mundo da computação acessível a todos os mortais ainda era assunto para a ficção científica, outra das minhas paixões. Para meu deleite, o filme misturava ambos os temas; este cinéfilo afoito voltou àquela sala de cinema na mesma semana, depois de ler o que conseguiu sobre os detalhes da produção.           É claro que a ideia de que o protagonista podia ser desmaterializado por um feixe de raios, para então ser sugado para um micromundo existente dentro de um chip de computador, soou para mim um tanto absurda; mas a considerei plausível diante do contexto narrativo. Confesso, porém, que me decepcionei quand...

O Contador: entretenimento ligeiro e divertido

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O Contador: direção de Gavin O'Connor UM PROTAGONISTA MORALMENTE AMBÍGUO, PORÉM CARISMÁTICO Meu pai era contador. Melhor dizendo, era formado em ciências contábeis, mas jamais exerceu a profissão. Arriscou-se em empreendimentos comerciais que não vingaram e depois refugiou-se na área de vendas em algumas empresas de grande porte. Nunca enxerguei meu pai como um contador: não exibia talentos com a matemática, não perdia tempo com registros e não se apegava a documentos nem carimbos. Sabia, porém, que ele era um contador, porque usava sempre na mão direita um vistoso anel com pedra vermelha – anel de formatura, como ele costumava explicar aos que reparavam nos seus gestos largos. Contadores são metódicos, compenetrados e rigorosos; meu pai era extrovertido, afoito e imprevisível.           Conheci alguns contadores de verdade – fui cliente de uns e prestei serviços de publicidade para outros. Nenhum deles se parecia com meu pai. Por outro lado, nenhum deles...

Crítica | Falcão Negro em Perigo: Ridley Scoot entrega um filme de guerra inovador. Pena que foi lançado no momento errado

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Falcão Negro em Perigo: direção de Ridley Scott UM FILME DE GUERRA INOVADOR Falcão Negro em Perigo , filme de 2001 dirigido por Ridley Scott, tornou-se uma realização desafiadora e complexa. Nasceu na cabeça do experiente e renomado produtor Jerry Bruckheimer, que decidiu adaptar o best seller escrito em 1999 pelo jornalista americano Mark Bowden, intitulado Falcão Negro em Perigo: Uma História de Guerra Moderna . Depois que o diretor Simon West abandonou o projeto, Bruckheimer jogou a batata quente nas mãos do seu velho amigo, Ridley Scott, o que foi uma sábia decisão. Antes de examinar o cinema resultante, porém, será preciso falar da história; esse é o tipo de filme que está fortemente agarrado à realidade e que exige um esforço narrativo compenetrado e quase documental. Presença humanitária na Somália           Falcão Negro em Perigo é sobre uma ação militar empreendida pelos norte-americanos, que fracassou de forma estrondosa. O objetivo do filme não ...

Crítica | O Refém - Atentado em Madri: uma história fictícia, mas plausível, contada com competência e toques saudáveis de melodrama

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O Refém - Atentado em Madri: direção de Daniel Calparsoro UM HOMEM COMUM GOLPEDO PELO DESTINO Com tantas opções nos serviços de streaming , como escolher o filme certo? Enquanto dedilho o controle remoto com gestos apressados, sigo um método que desenvolvi ao longo de décadas no exercício da cinefilia: tomo decisões emocionais! É claro que ao me deixar guiar pelo estado de espírito, corro o risco de maçarocar nos preconceitos e ignorar títulos proveitosos; quantos ótimos filmes fui conferir com anos de atraso, só porque impliquei com algum detalhe da sinopse ou da ficha técnica? Muitos! Mas é do jogo. O Refém - Atentado em Madri , filme de 2023 dirigido por Daniel Calparsoro, é um desses casos: quando percebi que esse thriller policial foi produzido na Espanha, torci o nariz, afinal, o gênero é dominado pelos anglo-saxões, que moldaram seus elementos e seus clichês; os espanhóis, por outro lado, têm maior tendência ao melodrama e costumam derrapar nas cenas de ação. O melodrama, quem d...

O Conde de Monte Cristo: mais uma versão

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O Conde de Monte Cristo: direção de Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière UM UNIVERSO DRAMÁTICO... REPAGINADO! O clássico da literatura O Conde de Monte Cristo é um dos romances mais populares do escritor francês Alexandre Dumas; foi publicado pela primeira vez como folhetim em 1844. Já inspirou diversas adaptações para o teatro e para o cinema – desde que o cinema foi inventado, a cada década uma nova versão é lançada, para deleite dos cinéfilos mais exigentes. Não é para menos: a trama minuciosa e envolvente traz elementos de ação, suspense, drama, romance e aventura; além disso, a história poderosa tem um protagonista multifacetado e nos apresenta a uma variedade de personagens odiosos, além de outros que conquistam a nossa simpatia.           Todos nós já conhecemos a sinopse de O Conde de Monte Cristo , já que o livro está na grade curricular do ensino médio – ao menos estava quando frequentei os bancos escolares, mas como isso já tem pratic...

Kill Bill: o poder narrativo de um diretor inovador

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Kill Bill: direção de Quentin Tarantino UM SÓLIDO CASTELO DE REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS Tinha doze para treze anos quando entrei pela primeira vez no Cine Arlequim, um pulgueiro no centro de Curitiba, que mantinha uma promoção imperdível: pelo preço de um único ingresso, era possível assistir a três filmes, exibidos em sequência. Esse não era, entretanto, o maior atrativo; o que me animava era o fato de que um dos três filmes era sempre uma pornochanchada, proibida para menores de 18 anos. Se chegasse no começo da sessão e comprasse uma entrada inteira, o bilheteiro fazia vista grossa. Uma vez na plateia, teria que esperar uma eternidade para finalmente ver o que de fato interessava; teria que passar por dois filmes de kung fu, daqueles produzidos na China, com legendas em português.           Nos primeiros anos da década de 1970, as pornochanchadas que alvoroçavam meus hormônios eram produções ingênuas e leves, se comparadas às de hoje – no máximo exibia...

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