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Mostrando postagens com o rótulo Musical

Crítica | Pecadores: Ryan Coogler mistura blues, gângsteres e vampiros em uma obra envolvente

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Pecadores: todo o cinema de qualidade que se espera de Ryan Coogler BLUES, GÂNGSTERES E VAMPIROS NO MESMO FILME? FAZ TODO O SENTIDO! Aos 17 anos, cursava eletrônica na Escola Técnica, mas ardia em arrependimento; descobri que me faltava talento para as ciências exatas e pus na cabeça que abraçaria outra profissão: me tornaria um publicitário. Havia, porém, um último semestre a ser vencido antes de tentar o vestibular. O problema é que não podia reprovar em português. Para ser aprovado, todo aluno era obrigado a apresentar uma palestra de no mínimo vinte minutos sobre um tema de sua livre escolha. Adivinhe sobre o que resolvi palestrar? Blues!           Meu professor marcou a data e lá fui eu, ler e pesquisar – na época, fazíamos isso na biblioteca. Emprestei LPs dos parentes e amigos e fucei as lojas de discos... andava por toda parte com meu gravador, tentando montar a trilha sonora da minha palestra. Gostei tanto do assunto que virei um amante da música –...

Crítica | Back to Black: Sam Taylor-Johnson evita repetir a mesma Amy Winehouse que já conhecemos e filma uma ótima cinebiografia dramatizada

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Back to Black: direção de Sam Taylor-Johnson FINALMENTE, A CELEBRIDADE SEM A VIGILÂNCIA DAS CÂMERAS Quando apertei o play em Back do Black , filme de 2024 dirigido por Samantha Taylor-Johnson, estava certo de que assistiria a um filme triste. Mas fui em frente: desejava conhecer a verdadeira Amy Winehouse, uma artista incrível, cujas canções adoro ouvir. Não me arrependi! Esta cinebiografia faz jus à cantora e alcança o ser humano para além dos painéis construídos pela mídia e pela indústria do entretenimento.   A crítica especializada, porém, não gostou; ficou só nos elogios ao desempenho da atriz principal e às reconstituições visualmente fidedignas, mas desceu a lenha no roteiro. As acusações são de superficialidade ao abordar as relações entre Amy e seu pai e de dourar a pílula nas bad trips vividas pela artista. Ou seja: sentiram falta de uma infinidade de outros detalhes. Amy diferente daquela dos documentários            Descobri que todo ...

Elvis: o cantor refém do seu empresário vilão

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Elvis: filme dirigido por Baz Luhrmann UM FILME ESFUZIANTE, QUE SÓ FAZ PRESERVAR O MITO Quando entrei na sala de exibição para assistir ao filme Elvis , esperava conhecer mais sobre a pessoa que ele foi. Queria ser apresentado às diferentes camadas da sua personalidade, saber das escolhas e renúncias que precisou fazer para se tornar um astro global,  emocionar-me com as alegrias e angústias que pontuaram sua vida acelerada... É claro que não esperava uma cinebiografia densa, afinal, filme sobre o Rei do Rock tem que enfatizar o mito que ele foi; tem que ser sobre música e espetáculo; tem que reproduzir a magia que só acontece nos palcos. Confesso, no entanto, que não estava preparado para as idiossincrasias do diretor Baz Luhrmann, cujo nome é o que aparece com mais insistência durante a rolagem dos créditos – a sua personalidade intermedia o espetáculo o tempo todo. Devia ter imaginado que isso aconteceria, dada a pompa dos seus filmes anteriores, Moulin Rouge e O Gran...

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

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Sweeney Todd: filme dirigido por Tim Burton UM MUSICAL COM JEITO DE ÓPERA E VISUAL DE FILME DE TERROR Meu pai costumava nos levar, meu irmão mais novo e eu, para cortar o cabelo na barbearia de um amigo. Éramos novinhos de tudo e encarávamos a missão com impaciência; os minutos sentados na cadeira do barbeiro, enquanto a máquina com ímpeto militar raspava bem rente, eram intermináveis e enfadonhos. Mas então, vinha a recompensa: enquanto saboreávamos as balas e pirulitos, podíamos assistir ao barbeiro fazendo a barba do meu pai. Ficávamos estáticos, quase sem respirar, enquanto o sujeito raspava a navalha por todo o seu rosto. Meu pai era um homem de coragem! E se o barbeiro cometesse uma... barbeiragem? E se ele fosse um mal-intencionado? Meu pai devia confiar muito naquele seu amigo!           Desde que me surgiram as barbas na cara, foram pouquíssimas as vezes em que precisei dos serviços de um barbeiro – imagino que todo homem, lá no fundo, bendiga a in...

Gainsbourg - O Homem Que Amava as Mulheres

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Gainsbourg: Filme dirigido por Joann Sfar O ÍCONE DA CULTURA POP FRANCESA RETRATADO POR UM DOS MAIORES NOMES DOS QUADRINHOS Dentro de todo autor de histórias em quadrinhos vibra uma alma de cineasta; além disso, todo cineasta é aficionado por histórias em quadrinhos. É claro que afirmações tão categóricas soam arrogantes e generalistas, mas fiquei com essas certezas depois de assistir ao filme Gainsbourg - O Homem Que Amava as Mulheres . Realizado por Joann Sfar em 2010, o filme é uma cinebiografia de Serge Gainsbourg, o ícone da cultura pop francesa, que fez sucesso como compositor, poeta, músico e pintor, além de ter transitado pelo cinema; polêmico, para dizer o mínimo, foi profícuo em provocar e escandalizar os franceses ao longo de décadas.           Já o diretor Joann Sfar, também francês, tornou-se um dos mais consagrados artistas do mundo dos quadrinhos e é autor de inúmeros títulos que se tornaram best-sellers . É um contador de histórias inveterad...

La La Land - Cantando Estações: renovação nos musicais

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La La Land - Cantando Estações: filme dirigido por Damien Chazelle UMA HOMENAGEM AOS GRANDES MUSICAIS  Dramatize uma história por meio de encenações coreografadas, ao som de composições que misturam canto, música instrumental e diálogos. O resultado é... ópera! Sim, caro cinéfilo, os musicais que nos acostumamos a ver nas salas de cinema não são invenção recente; nasceram em berço nobre! O gênero surgiu na Itália do século XVII e logo conquistou a Europa; tirou proveito do gosto popular pelo grande espetáculo. Já naquela época, os dramas musicais viraram produções dispendiosas, entupidas de figurantes e costuradas com incontáveis subtramas, tudo para agradar um público sempre barulhento e desatento. Com o tempo, surgiram as maquinarias complicadas e as traquitanas que assombravam pelos efeitos cênicos; as cantoras mais virtuosas viravam estrelas internacionais e até os meninos castrados – para ter as propriedades angelicais da voz preservadas – faziam parte do show. Ópera era pop! ...

Mussum, Keanu Reeves e os Beatles: uma combinação inusitada

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Submarino Amarelo: filme dirigido por George Dunning SARGENT PEPPER E SUA BANDA ACABAM COM QUALQUER PANDEMIA DE TRISTEZA Alguém aí anotou a placa do ano que furou o sinal, atropelou nossos planos e passou por cima das nossas rotinas? Como diria o Mussum, Keanu Reeves! Começamos 2020, ano em que eclodiu a pandemia do Coronavirus, com a ambição de prosperar, mas tivemos que nos contentar em apenas sobreviver. 2021, 2022, 2023 e 2024 não foram diferentes. O que esperar de 2025?           A politicagem berrou o ano inteiro, desafinada e estridente, com uma insistência de enlouquecer. Falsas dicotomias surgiram a cada dia nos noticiários, para insinuar que o bem comum e os direitos individuais são irreconciliáveis. Escolhemos um dos lados e nos entrincheiramos nas redes sociais. Disparamos sem piedade contra quem vai erradamente contra as nossas certezas. Angustiados, estamos na iminência de explodir.           Enquanto escrevo, ol...

Crítica | Fama: o legado estético deixado por Alan Parker continua valioso

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Fama; filme dirigido por Alan Parker FALOU COM A JUVENTUDE DOS ANOS 80 E AINDA TEM MUITO A DIZER Depois de filmar O Expresso da Meia-Noite , Alan Parker achou por bem retomar sua paixão pelos musicais. Foi parar em uma escola de artes performáticas de Nova Iorque, para contar as aventuras e desventuras dos jovens que batalham para ingressar no competitivo mundo do showbizz.  Seu filme Fama , de 1980, aborda o tema com sensibilidade, enquanto expõe os sonhos, as ansiedades e as inquietações dos que correm atrás dos holofotes em busca de reconhecimento e realização.  Conseguiu um imenso sucesso e marcou toda uma geração; ditou moda, inspirou a abertura de escolas de artes em todo o mundo e emplacou canções inesquecíveis nas paradas de sucesso. Uma ideia inspirada           Fama nasceu primeiro na cabeça do produtor David De Silva, depois que ele assistiu ao musical A Chorus Line , sobre dançarinos que disputam vaga em um espetáculo, durante as audi...

Crítica | Hair: Milos Forman promoveu uma renovação importante na arte dos musicais e marcou toda uma geração

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Hair: filme dirigido por Milos Forman A POTÊNCIA ARTÍSTICA E MUSICAL DA ERA DE AQUÁRIO Em 1968, foram uns poucos privilegiados que assistiram ao musical Hair , enquanto ficou em cartaz na Broadway. A peça flagrava um bando de hippies em pleno exercício da paz e do amor – festejavam o hedonismo, bradavam contra a guerra, repudiavam o conservadorismo e pregavam a contracultura da época. Hoje, porém, qualquer um de nós tem acesso ao filme que eternizou essas ideias:  Hair , dirigido em 1979 por Miloš Forman. Essa adaptação não se limitou a registrar algumas canções marcantes, ou mostrar o visual peculiar da tribo hippie; extraiu do material original uma enorme potência artística e musical. Ao trazer o foco para os personagens, nos trouxe uma trama envolvente, que retrata as inquietações e os conflitos de toda uma geração – que para alguns continuam pertinentes. A fauna hippie que habitava o Central Park           Nos anos 1960, enquanto a guerra...