AH, ENTÃO É ISSO QUE SIGNIFICA! “Feliz Natal”. Já repeti essa frase incontáveis vezes, desde que aprendi a falar. De início, a pronunciava de modo mecânico; as duas palavras ainda não formavam significado nos murais da minha mente. Apenas as repetia, numa apropriação do que diziam minha mãe e meu pai. “Feliz” foi a primeira que compreendi: sorrisos, carinho, atenção, conforto, segurança... “Natal” também não foi tão complicada: doces, presentes, festa, brincadeiras... Os anos passaram e “Natal” virou aniversário do “papai do céu” – na verdade, um garotinho pobre que cresceria para ser morto de forma horrível, pregado numa cruz. Aos nove anos, já conhecia essa história em detalhes, depois de passar pelo catecismo e fazer a primeira comunhão. Daí em diante, minha religiosidade desceu ladeira abaixo; voltei a pronunciar a frase “Feliz Natal” de forma mecânica, já que os murais da minha mente ficaram abarrotados de outros significados, que estavam aga...