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Mostrando postagens com o rótulo Faroeste

Crítica | Josey Wales, o Fora da Lei: Clint Eastwood dirige um western revisionista sobre a Guerra Civil americana e passa por cima das polêmicas

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Josey Wales, o Fora da Lei: direção de Clint Eastwood NARRATIVA VISUAL ENXUTA E MODERNA Estava com dezesseis anos quando entrei no cinema para assistir a Josey Wales, o Fora da Lei , filme de 1976 dirigido por Clint Eastwood. O astro de Hollywood tinha o nome colado ao cinema de ação e o gênero western já me soava desinteressante – naquela época já me considerava um cinéfilo exigente, com horas de voo suficientes para lançar olhos de predador sobre os filmes em cartaz. Então, reparei que o nome de Clint Eastwood aparecia duas vezes nos créditos: como ator e como diretor. Como não havia opção melhor para aquele sábado à tarde, encontrei aí uma boa desculpa para conferir. Um faroeste moderno           O filme ao qual assisti naquele dia era envolvente e oferecia certa densidade dramática. Era recheado de violência e se agarrava a fortes valores morais. A fotografia era sombria e o visual flertava com o realismo. E o mais curioso: tinha algo de moderno, ainda ...

Crítica | Yellowstone: o sucesso do faroeste moderno de Taylor Sheridan e Kevin Costner

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Yellowstone: série dirigida por Taylor Sheridan RENOVADO, O WESTERN GANHA UMA NOVA CHANCE Eis aqui uma série de TV envolvente, realizada como um faroeste moderno, que resgata os melhores atributos do gênero e nos apresenta a personagens inesquecíveis. Trata-se de Yellowstone , um título no qual você já deve ter tropeçado enquanto fuçava os serviços de streaming . O que me fez dar o play sem pestanejar foi a presença de um nome importante: o de... Taylor Sheridan! Talvez você esperasse que o nome citado fosse o de Kevin Costner, astro do primeiro time de Hollywood que encabeça o elenco, contudo, como cinéfilo interessado em esmiuçar a arte da escrita, fiquei empolgado ao ver o nome do diretor e roteirista imperar nos créditos. Taylor Sheridan: o arquiteto da renovação do western           Se você ainda não associou o nome à figura, lembro que Taylor Sheridan é o autor de três roteiros de grande sucesso nas bilheterias: Sicario: Terra de Ninguém , A Qualquer ...

Sangue e Ouro: uma espécie de western germânico

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Sangue e Ouro: direção de Peter Thorwarth CONTRIBUIÇÃO DOS ALEMÃES PARA O CINEMA DE AÇÃO Os filmes de bangue-bangue espaguete foram uma invenção inusitada no início dos anos 1960. Rodados na Sicília e na Espanha por diretores italianos em busca da mesma atmosfera dos westerns americanos, trouxeram um sopro de renovação para o gênero, além de toques de um humor mais... mediterrâneo. E trouxeram também a certeza de que outras nacionalidades poderiam ousar seus próprios faroestes, apropriando-se dos clichês narrativos consolidados por cineastas como Sergio Leone e seus seguidores.           Dentre todos os países, o mais improvável de tal ousadia seria a Alemanha. Não por incompetência, é claro! Seu cinema de peso e repleto de contribuições significativas para a construção da sétima arte está nítido na mente de todo cinéfilo; porque é dos alemães que nos costumam chegar algumas das produções mais compenetradas, como Metrópolis , O Enigma de Kaspar Hauser e As...

A Balada de Buster Scruggs: a mitologia do velho oeste tratada com humor inteligente

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A Balada de Buster Scruggs: dirigido pelos irmãos Coen CINEMA DE QUALIDADE MULTIPLICADO POR SEIS Como um garoto urbano, nascido em 1960, fui criado na frente do aparelho de TV, aquele móvel imenso, que ocupava todo um canto da sala, mas tinha uma tela proporcionalmente pequena. Era dotado de um tubo de raios catódicos, que quando atiçado por uma insondável traquitana eletrônica valvulada, exibia imagens em preto e branco. O tubo demorava vários segundos para esquentar, até que a imagem ficasse clara o suficiente; e com sorte, também ficaria nítida, se as condições atmosféricas não atrapalhassem. Chuviscos e fantasmas eram a regra e se incorporavam à linguagem da televisão, uma mídia ainda jovem, mas esforçada em entregar uma programação variada: desenhos, novelas, esportes, shows de auditório, seriados e... filmes!           Foi pela TV que o cinema entrou no meu cotidiano. Os filmes exibidos na telinha, todavia, eram velhos! Novidades? Só nas salas de exib...

Bravura Indômita: um remake fiel ao romance original

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Bravura Indômita: direção de Joel e Ethan Coen UMA HISTÓRIA AMERICANA POR EXCELÊNCIA Minha geração não viveu a intensidade do mito John Wayne. Meu pai era fã dele e gostava de rever seus filmes na TV – velhos faroestes em preto e branco que não me atraiam. Cresci sem jamais ter assistido a qualquer um deles; no máximo conferi uma ou outra cena, aqui e ali, só para me irritar com a dublagem antiquada, a trilha sonora fora de moda e a encenação excessivamente teatral. Minha geração já estava sintonizada com outros mitos e ninguém poderia me convencer a sentar numa poltrona para assistir a um faroeste estrelado por John Wayne. A não ser, é claro, os irmãos Coen!           Quando assisti ao remake de Bravura Indômita , realizado por eles em 2010, não tive escolha. Precisei conferir o original, para compreender o que os ousados Joel e Ethan Coen aprontaram e de que forma impuseram a sua visão pessoal daquela história. Confesso que fiquei desconcertado: a n...

Crítica | O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford: Andrew Dominik vai além do western e entrega um drama visualmente impecável

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O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford: direção de Andrew Dominik UM DOS VISUAIS MAIS CAPRICHADOS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS Certa vez me perguntei: como seria um western realizado por Stanley Kubrick? Um diretor minucioso como ele, obsessivo em alcançar a excelência visual e compenetrado em encontrar o tom certo das adaptações literárias que escolhia abraçar, certamente teria muito a acrescentar ao gênero. Quando assisti ao filme O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford , dirigido em 2007 por Andrew Dominik, compreendi a resposta: um bangue-bangue com a assinatura do mestre seria assim, denso, dramático e dedicado a investigar os personagens em profundidade; exalaria uma atmosfera provocativa e imporia um cinema audacioso, mais interessado em declamar para além dos cânones recitados pelos grandes diretores do gênero. Enfim, seria exatamente como Dominik conseguiu realizar! Não que o diretor neozelandês tenha seguido à risca os passos de Kubrick; ele tem personali...

Crítica | A Salvação: Kristian Levring faz um faroeste dinamarquês e parece fugir do Dogma95. Fez um filme sombrio!

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A Salvação: dirigido por Kristian Levring A NATUREZA HUMANA TEM SALVAÇÃO? Para falar de A Salvação , faroeste dirigido em 2014 por Kristian Levring, será preciso mencionar antes o Dogma95, movimento cinematográfico criado por cineastas da Dinamarca em 1995, do qual o diretor foi integrante. Não que  esse filme sombrio, inspirado em grandes clássicos de um gênero americano por excelência, siga a risca  os “votos de castidade” estabelecidos pelos cineastas dinamarqueses. Ao contrário, o que salta aos olhos são justamente as diferenças com os cânones  estéticos que eles defendiam. Será que abandonaram suas convicções? Um movimento de purificação do cinema           O roteiro de A Salvação foi  escrito por Anders Thomas Jensen – outro expoente do Dogma95, que dirigiu o filme Loucos por Justiça . Juntamente com Lars von Trier, Thomas Vinterberg e Kristian Levring, eles estabeleceram o novo jeito dinamarquês de fazer cinema: nada de efei...

Django Livre: era escravo, mas virou pistoleiro implacável

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Django Livre: filme dirigido por Quentin Tarantino TARANTINO VAI DIRETO NA ESSÊNCIA DO WESTERN: A LIBERDADE! Em um filme, as decisões tomadas pelo protagonista determinam o desenrolar da trama. Entretanto, para que a história transmita credibilidade e verossimilhança, tais decisões não podem ser aleatórias; precisam estar coerentes com o conjunto de crenças e valores que o personagem carrega como verdade interior. Para chegar a ela, roteiristas habilidosos e criativos se valem de um truque conhecido; enquanto martelam o teclado do computador, buscam o tempo todo responder a uma pergunta essencial: qual é a principal motivação que de fato impulsiona o protagonista ao longo da sua jornada? Eles sabem que personagens complexos se alimentam de um composto de motivações; já os rasos, precisam de apenas uma obsessão.           Nos filmes de ação, o tipo mais comum de protagonista é justamente aquele que não enverada por complexidades. Resolve suas pendengas a bal...

Relatos do Mundo: filme estrelado por Tom Hanks

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Relatos do Mundo: filme dirigido por Paul Greengrass UM CONTADOR DE HISTÓRIAS E UMA ÓRFÃ JUDIADA ENCONTRAM O CAMINHO DA ESPERANÇA Lançado pela Netflix, o filme  Relatos do Mundo , dirigido em 2020 por Paul Greengrass, traz na capa um apelo irresistível: a imagem de Tom Hanks. Ao dar de cara com a foto do ator, de barbas grisalhas, Ludy não pensou duas vezes:           – Olha só! Esse deve ser legal! Tá a fim de conferir?           – Só se for agora – concordei de pronto. Sem esconder a empolgação, liguei a matraca e comecei a desfiar um monte de explicações – Ah, esse é o novo western do mesmo diretor de Capitão Phillips  e 22 de Julho ! Ele gosta de filmar com a câmera nervosa e manda muito bem nos thrillers de ação. Lembra daquele segundo filme da trilogia Jason Bourne ? Pois é, vários diretores passaram a copiar o estilo dele...           – Tá legal... mas podemos ver o filme? Depois v...

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