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Mostrando postagens com o rótulo Thriller

Viajantes – Instinto e Desejo: humanos em busca de humanidade

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Viajantes - Instinto e Desejo: direção de Neil Burger O MELHOR E O PIOR DO SER HUMANO, DENTRO DE CADA INDIVÍDUO O nome do diretor Neil Burger estampado nos créditos, foi o que me fisgou. Ele já assinou filmes marcantes, como O Ilusionista e Sem Limites , mas também se dedicou a produções voltadas para um público mais... adolescente, como Divergente . Nesta ficção científica realizada em 2021, intitulada Viajantes – Instinto e Desejo , ele volta a lidar com um elenco jovem, para abordar temas complexos e repletos de desdobramentos. Enquanto assistia ao filme, um sem número de pensamentos convergentes me ocorreu. Se o objetivo do diretor era o de estimular a plateia a fazer reflexões filosóficas, conseguiu. Mas antes de continuar com a minha digressão, será preciso estabelecer a sinopse do filme:           A história de Viajantes – Instinto e Desejo se passa em 2063, quando os cientistas descobrem um planeta próximo à Terra, que oferece todas as condições para acolher a vida humana. Ma

Segredos Oficiais: a história real de espionagem vivida por Katharine Gun

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Segredos Oficiais: filme de Gavin Hood O APARATO ESTATAL PRESTANDO DESSERVIÇOS AO PÚBLICO A jornalista Marcia Mitchell e seu marido Thomas – um ex-agente do FBI recentemente falecido – formaram uma dupla de escritores sintonizados. Juntos escreveram vários livros de não-ficção explorando temas ligados à espionagem, entre eles, The Spy Who Tried to Stop a War: Katharine Gun and the Secret Plot to Sanction the Iraq Invasion , que despertou o interesse de... Crônica exclusiva para apoiadores. Para continuar lendo, torne-se um apoiador.   APOIE QUEM GERA CONTEÚDO DE QUALIDAE Com apenas R$8,00 você participa da minha campanha na  Apoia.se  e me ajuda a continuar escrevendo novas crônicas. Clique aqui!

Sicario: Terra de Ninguém: de que lado está o assassino?

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Sicario: Terra de Ninguém: filme de Denis Villeneuve LUTANDO NA FRONTEIRA DA ÉTICA E DA MORAL Os policiais, no seu esforço para combater o tráfico de drogas, estão do lado dos mocinhos. Os traficantes, aferrados à violência, estão na horda dos bandidos. O embate entre ambos os lados resulta em incontáveis cenas de ação, coreografadas com precisão e capturadas graficamente nos seus detalhes mais sórdidos. É o que temos no cardápio da maioria dos filmes policiais, interessados em oferecer entretenimento ligeiro e despreocupados em matar nossa fome de bom cinema. Em Sicario: Terra de Ninguém , filme de 2015 dirigido por Denis Villeneuve, o prato principal é outro: os realizadores fazem questão de nos servir um punhado de temas filosóficos e questões morais, envoltos por uma atmosfera de tensão e desorientação, temperados com um forte sabor amargo de realidade. No final, saímos empanturrados de tanto cinema de qualidade!           A violência é ingrediente salpicado com generosidade em vár

O Escritor Fantasma: um thriller de suspense com toque noir

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O Escritor Fantasma: dirigido por Roman Polanski AH, CLARO... SÓ PODIA SER DO POLANSKI! Tive um dia atarefado, escrevendo conteúdo para o site de um cliente e tentando – mais uma vez – estruturar o canal da Crônica de Cinema no YouTube. Para relaxar, peguei o controle remoto e me acomodei no sofá. Já bastante sonolento, comecei a zapear num ato reflexo. De repente, fui fisgado por uma cena lindamente fotografada, onde o ator Ewan McGregor circulava por uma incrível mansão de arquitetura moderna e arrojada. O enquadramento cuidadoso e os movimentos precisos da câmera me fizeram pensar – Uau! Esse diretor sabe o que faz. Merece atenção!           É nesses momentos que ergo as mãos para o céu e agradeço pela tecnologia que hoje está à disposição dos cinéfilos. Cliquei no botão para retomar a programação ao vivo e me preparei para assistir ao filme desde o início. Porém, estava tão sonolento que só me dei conta de onde estava me metendo quando o título ficou nítido diante dos meus olhos. D

Rede de Mentiras: estrelado por Leonardo DiCaprio e Russel Crowe

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Rede de Mentiras: filme de Ridley Scott UMA ABORDAGEM REALISTA SOBRE AS AÇÕES DA CIA NO ORIENTE MÉDIO Depois da queda do muro de Berlin e do colapso da União Soviética, os autores de thrillers de espionagem precisaram queimar neurônios para encontrar matéria-prima que atendesse a demanda por histórias convincentes. Então veio o 11 de Setembro e revelou ao mundo a existência de um vilão digno de revigorar o gênero: a Al Qaeda. O cinema tratou de explorar o tema e produziu uma fartura de títulos envolvendo a guerra contra o terrorismo. Rede de Mentiras , realizado em 2008 por Ridley Scott, parece ser apenas mais um, mas é bem acima da média. Trata-se de um excelente filme, com todos os ingredientes indispensáveis para agradar os fãs e cinéfilos.           O cineasta Ridley Scott, cujo portfólio diversificado dispensa apresentações, faz aqui sua incursão sobre o universo dos thrillers de espionagem, mas não invade o território dos James Bonds e Jason Bournes. Seu filme abraça o realismo –

O Fugitivo: era série e virou filme estrelado por Harrison Ford

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Direção: Andrew Davis UM THRILLER À MODA ANTIGA Meu pai adorava assistir aos episódios da série  O Fugitivo . Exibida às noites, no horário nobre, era sucesso nos anos 60. Ainda não tinha idade  para acompanhá-la  –  nem paciência – , mas sabia o essencial: o Doutor Kimble era um médico acusado de matar a esposa e fugira pelos Estados Unidos tentando provar a inocência. Perseguido por um tenente implacável, saltava de cidade em cidade à procura do tal homem com apenas um dos braços, esse sim o verdadeiro assassino.           Havia três certezas irrefutáveis na série O Fugitivo . A primeira: o Doutor Kimble era inocente. A segunda: a cada episódio ele tentaria ajudar alguém, como bom médico que era, mas tinha a identidade revelada e precisava partir no final. A terceira: a cada episódio veríamos o desfile de atores e atrizes conhecidos, participando como convidados especiais. Essa fórmula rendeu 120 episódios em quatro temporadas, exibidas entre 1963 e 1967.           Quando o filme  O

O Preço de um Resgate: no final, vale o preço do ingresso!

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O Preço de um Resgate: filme dirigido por Ron Howard UM THRILLER POLICIAL COM BOAS DOSES DE AÇÃO E AFLIÇÃO Sequestro é crime hediondo. Sequestro de uma criança, então, eleva a sordidez à enésima potência! Um tal sequestrador renuncia à condição de humano e permite que o vejam como um monstro, digno dos castigos mais atrozes que pudermos imaginar. O cinema já tratou do tema em inúmeras produções, sempre explorando o turbilhão de dor e emoções envolvidos nesse tipo de história. O Preço de Um Resgate , filme de 1996 dirigido por Ron Howard, é mais um dos tantos, mas realizado com notável competência.           Trata-se de um remake do filme Decisão Amarga , de 1956, dirigido por Alex Segal. Nessa nova versão, Mel Gibson interpreta Tom Mullen, um milionário do setor de aviação, que vive o ápice do sucesso. Sua mulher Kate – vivida por Rene Russo – e seu filho Sean desfrutam despreocupados as benesses de uma vida tranquila e confortável. Isso muda rapidamente quando o garoto é sequestrado.

Eu, Robô: filme mostra que a revolução da I.A. pode ser perigosa

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Eu, Robô: filme dirigido por Alex Proyas O VISUAL É ARREBATADOR, MAS O RESULTADO LEMBRA APENAS VAGAMENTE AS HISTÓRIAS DE ASIMOV Quando comecei a me tornar um leitor independente – aquele que não se detém às exigências das salas de aula – meu gênero preferido era o romance policial. Tinha uns 12 anos. Depois de ler alguns Sherlock Holmes e 007s, parti para os livros de ficção científica. Foi aí que Arthur C. Clark e Isaac Asimov se tornaram meus ídolos. O primeiro cutucando minha imaginação de viajante espacial, o segundo me amedrontando com a ideia de que um dia os humanos deixarão de ser os habitantes mais inteligentes da Terra.           No cinema, Arthur C. Clark ganhava disparado de Isaac Asimov. O primeiro tinha sido eternizado por Stanley Kubrick com o brilhante 2001: Uma Odisseia no Espaço . Já o segundo tinha que se contentar com o raso Viagem Fantástica , de Richard Fleischer. Queria que Asimov virasse o jogo. Tentava imaginar como ficariam suas histórias de robôs transpostas

Crime Sem Saída: filme policial com Chadwick Boseman

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Crime Sem Saída: filme dirigido por Brian Kirk UM POLICIAL INFALÍVEL AGINDO DO LADO CERTO: RECEITA DE BOM ENTRETENIMENTO Tem certos dias em que tudo o que preciso é relaxar. Esfriar a cabeça. É quando o cinema de entretenimento se torna a melhor pedida. Nada de tramas intrincadas, abordagens psicológicas, referências literárias, criações artísticas que exigem bagagem cultural... Um filminho leve, despretensioso e escapista é um santo remédio!           Quando compartilho a televisão com a Ludy, a escolha relaxante recairá sobre uma comédia romântica, uma aventura ou mesmo um drama leve. Minha mulher não suporta filmes violentos. Se estou sozinho, será um filme de ação, com tiros, perseguições, lutas... O problema é encontrar um filme de ação leve, despretensioso e escapista que seja bom. No último final de semana tive sorte!           Crime Sem Saída , filme de 2017 dirigido por Brian Kirk é uma dessas gratas surpresas, que nos põem relaxados no sofá. Traz uma trama policial si

Operação França: linguagem inovadora e Gene Hackman na linha de frente

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Operação França: filme dirigido por Willian Friedkin O FILME QUE DITOU UM PADRÃO ESTÉTICO PARA O GÊNERO Sim... Operação França já foi um filme moderno, intenso, ousado e arrebatador. Isso foi há exatos 50 anos. Em 1971, quando William Friedkin o realizou, causou comoção nos cinemas. Era um filme para adultos, que escancarava o submundo do tráfico de drogas em Nova Iorque – uma cidade que, vejam só, se mostrava suja, com bolsões de pobreza, barulhenta... Os protagonistas eram policiais, mas ficavam a dever em refinamento. Desgrenhados, vulgares e moralmente questionáveis, não se furtavam ao uso da brutalidade e da violência. Os bandidos, bem... esses eram refinados, elegantes, sutis, discretos...           Câmera instável, cores não saturadas, cortes secos, locações realistas... Aos olhos do espectador atual, nenhuma novidade. Há meio século, uma linguagem inovadora, que fez escola e influenciou os thrillers policiais. Podemos encontrar em Operação França a gênese das perseguições de

Noite Sem Fim: filme de ação com Liam Neeson

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Noite Sem fim: filme dirigido por Jaume Collet-Serra UM THRILLER, BEM DIRIGIDO, BEM FOTOGRAFADO E MUITO BEM INTERPRETADO Desconhecido , Sem Escalas , O Passageiro ... São títulos de filmes de ação que trazem pelo menos dois pontos em comum com Noite Sem Fim : a presença de Liam Neeson interpretando o protagonista e a direção de Jaume Collet-Serra criando uma envolvente atmosfera de tensão e suspense. A fórmula se mostrou comercialmente poderosa e aqui chega ao seu estado da arte.           O thriller Noite Sem Fim traz doses mais opulentas de violência e trata do universo das máfias que se estabeleceram em Nova Iorque. Dessa vez as famílias retratadas são irlandesas, de fé católica. Há muita fúria, alguns estereótipos e exageros típicos do gênero, mas encontramos personagens mais densos e elaborados – guardando-se todas as proporções com os dramas sobre a máfia, é claro.           O roteiro que o diretor Jaume Collet-Serra filmou com desenvoltura e apuro técnico foi escrito por Brad I

No Limite do Amanhã: roteiro preciso, com explicação para tudo

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No Limite do Amanhã: filme dirigido por Doug Liman UMA LIGHT NOVEL QUE REALIZOU O SONHO DE VIRAR BLOCKBUSTER Quando a indústria do cinema azeita sua máquina e a coloca para trabalhar, consegue resultados impressionantes. No Limite do Amanhã , filme de 2014 dirigido por Doug Liman é um bom exemplo. Aqui temos Tom Cruise em um de seus melhores momentos, ao lado da sempre encantadora Emily Blunt. Trata-se de um filme de ação e ficção científica que pode ter passado despercebido para quem não é fã do gênero, mas contém cinema de qualidade e merece ser conferido.            O filme conta como o Major Caje (Tom Cruise), um covarde enquanto soldado, mas bem-sucedido enquanto oficial de relações públicas do exército, acaba no front durante uma batalha feroz contra alienígenas tentaculares que invadiram a terra. Ele morre, mas por obra de uma dessas intricadas tramas da ficção científica, fica preso num looping temporal, morrendo e reiniciando o dia da sua morte, ad aeternum.         Quem já

Fratura: um thriller de suspense que fala da loucura

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Fratura: filme dirigido por Brad Anderson UM ROTEIRO MAIS PREOCUPADO EM MANIPULAR O ESPECTADOR PARA FAZER SUSPENSE O grande problema não é a loucura. É descobrir-se tomado por ela durante um lampejo de consciência! Reconhecer-se louco ao observar a sanidade acenando da estação, enquanto o trem da sua existência parte acelerando. É esse o momento crucial que esperamos ver no final de Fratura , filme de 2019 dirigido por Brad Anderson. Mas seu protagonista não vive tal experiência. Perde-se no meio do caminho.           A premissa do filme é ótima: durante uma viagem de carro com a esposa e a filha, Ray faz uma parada. A garotinha sofre uma queda e quebra o braço. No hospital mais próximo, mãe e filha seguem para a sala de exames enquanto Ray espera na recepção. Adormece e quando acorda, não há sinal delas. Médicos e atendentes tentam convencê-lo de que jamais puseram os pés por lá. Ray tentará provar que não está louco!           Pena que o roteiro precário, assinado por Alan B. McElroy

O Homem nas Trevas: suspense e terror num filme autoral

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O Homem nas Trevas: Fede Alvarez TENSÃO E SUSPENSE QUE NASCEM DO PLENO DOMÍNIO DAS TÉCNICAS NARRATIVAS Numa Detroit falida e vazia, três jovens assaltantes descobrem uma barbada: invadir a casa de um velho cego, que tem muito dinheiro guardado. O que eles não sabem é que ele também guarda segredos e é dono de uma fúria insana. Em O Homem nas Trevas , filme de 2016 escrito e dirigido por Fede Alvarez − o jovem prodígio uruguaio descoberto por Hollywood − a tensão crescente é de grudar na poltrona. Nessa história onde todos são bandidos, quase não dá tempo para respirar.           O Homem nas Trevas  conta como Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) descobriram um jeito de assaltar casas numa Detroit esvaziada pela crise econômica: vasculham o cadastro da empresa de segurança do pai de Alex e escolhem as melhores oportunidades para agir. Quando os três delinquentes ficam sabendo que o velho Norman Nordstrom (Stephen Lang), um ex-combatente cego que vive sozinho

Caçadores de Emoção: filme de 1991 com keanu Reeves

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Caçadores de Emoção: filme dirigido por Kathryn Bigelow AÇÃO RADICAL A SERVIÇO DE UM CINEMA FEITO COM GARRA E ENTUSIASMO O que é, afinal, um filme de ação? Aquele repleto de lutas, tiros e perseguições em ritmo frenético, envolvendo dublês, efeitos especiais e soluções tecnológicas? Anualmente são lançadas dezenas de produções recheadas com tais ingredientes – sejamos sinceros, a maioria é lixo! Entre os que se salvam, encontramos filmes que priorizam histórias e personagens de gêneros específicos: dramas de guerra, ficção científica, policial, aventura, mistério... A ação pela ação costuma resultar em filmes infantilizados, mas quando é posta a serviço da narrativa, como resultado das escolhas de personagens verossímeis, é um atrativo poderoso. É o que vemos no filme  Caçadores de Emoção , de 1991, dirigido por Kathryn Bigelow.           O filme se tornou um clássico do gênero e ainda hoje fisga admiradores e cinéfilos à caça de bons thrillers. Tem Keanu Reeves e Patrick Swayze dispen