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Mostrando postagens com o rótulo Suspense

Tempo: um mistério enrolado em questões éticas

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Tempo: filme de M. Night Shyamalan ENVELHECENDO SEM O BÔNUS DA EXPERIÊNCIA DE VIDA O que é o tempo? A tirada espirituosa de Santo Agostinho, no seu livro autobiográfico As confissões, já virou resposta clássica: “Se ninguém me pergunta, eu o sei, mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada.” A frase se popularizou, porque a maioria de nós não quer se perder com divagações. Sempre de olho no relógio, estamos mais preocupados com os compromissos a... Crônica exclusiva para apoiadores. Para continuar lendo, torne-se um apoiador.   APOIE QUEM GERA CONTEÚDO DE QUALIDAE Com apenas R$8,00 você participa da minha campanha na  Apoia.se  e me ajuda a continuar escrevendo novas crônicas. Clique aqui!

Clube da Luta: lutando entender qual o sentido da vida!

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Clube da Luta: dirigido por David Fincher LUTANDO PARA PREENCHER O VAZIO EXISTENCIAL Quando penso no filme Clube da Luta , dirigido em 1999 por David Fincher, a primeira palavra que me vem à mente é "publicidade". A matéria me interessa profundamente, tanto que a escolhi como profissão – isso no comecinho dos aos 1980, quando tinha 18 anos e ainda não sabia exatamente onde estava me metendo. Mas tinha plena noção de que trabalharia numa atividade motora do capitalismo, crucial para alimentar a sociedade de consumo. Eram outros  tempos: os consumidores sabiam exatamente quando estavam sendo abordados por mensagens publicitárias. Elas chegavam pelos comerciais de rádio e TV, dos jornais e revistas, placas na rua... Hoje, nos meios digitais, informação e persuasão estão de mãos dadas e nem sempre a publicidade se mostra explícita os consumidores.            Conhecer por dentro o mecanismo astuto da publicidade não me imunizou dos seus efeitos. Por várias vezes sucumbi às pressõe

A Mulher na Janela: suspense em torno de um crime

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A Mulher na Janela: filme dirigido por Joe Wright UM SUSPENSE PSICOLÓGICO COM FINAL NADA SUTIL Muitos desceram a lenha em A Mulher na Janela , filme lançado em 2021 com a grife da Netflix. É compreensível. Ao se deparar com nomes como Amy Adams, Gary Oldman e Julianne Moore, dirigidos por um cineasta experiente como é Joe Wright, os cinéfilos vão ao pote como muita sede, mas percebem que a quantidade de cinema oferecido não condiz com o que foi vendido na embalagem. Terminam frustrados. Mas não é bem assim! O filme oferece cinema do bom, ainda que o final da história entre na sala com a sutileza de um elefante tocando trombone de vara!           Não li o romance de A. J. Finn, The Woman in the Window, que originou o filme. Não posso, portanto, entrar no mérito da qualidade literária dessa obra que alcançou sucesso no mercado editorial e trouxe notoriedade para seu autor – ainda que a custa de polêmicas. Mas posso examinar a adaptação para o cinema feita por Joe Wright, film

O Exorcista: um clássico que continua assustador

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O Exorcista: filme dirigido por Willian Friedkin EFEITOS ESPECIAIS AJUDAM, MAS O IMPORTANTE É SABER CONTAR A HISTÓRIA Quando foi lançado em 1973, O Exorcista virou fenômeno por toda a mídia. Nas rodas de conversas, era assunto obrigatório. Nunca um filme de terror havia conquistado tanto espaço no imaginário do público, nem na crítica especializada. Para um garoto de 14 anos, interessado em cinema, assistir ao filme seria uma conquista – prova de coragem e oportunidade de se aproximar do mundo adulto. O problema é que ele não era permitido para menores de 18 anos. Naquela época, a censura era dura e implacável!           Mas encontrei a solução: um amigo três anos mais velho me emprestou um exemplar do livro O Exorcista , escrito por William Peter Blatty, também autor do roteiro que foi às telas de cinema. A capa, que não seguia o padrão gráfico dos cartazes do filme – lembro que trazia uma ilustração medieval – era mais artística do que assustadora. Mergulhei na leitura.           Pe

Cabo do Medo: filme estrelado por Robert De Niro

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Cabo do Medo: filme dirigido por Martin Scorsese UM THRILLER COM PERSONALIDADE, QUE PERMANECE ASSUSTADOR Há muito não visitava Cabo do Medo , realizado em 1991 por Martin Scorsese. Fiz isso outro dia – reconheci a capa navegando por um serviço de streaming e cliquei de imediato. No cinema, quando assisti ao filme pela primeira vez, o impacto foi brutal. Saí impressionado com tanta violência psicológica. Desde então já assisti a muitos filmes violentos e me imaginava calejado o suficiente, a ponto de subestimar uma história contada há décadas. Nada disso! Ela continua perturbadora.           Cabo do Medo é uma refilmagem de Círculo do Medo, dirigido em 1962 por J. Lee Thompson e baseado no romance The Executioners, escrito por John D. MacDonald. A película em branco e preto era estrelada pelos astros Gregory Peck e Robert Mitchum e apresentava a estética clássica dos thrillers Hollywoodianos que reverenciavam as fórmulas de Alfred Hitchcock. Martin Scorsese resgatou essa atmosfera, m

O Iluminado: um dos melhores filmes de terror já realizados

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O Iluminado: filme dirigido por Stanley Kubrick UMA HISTÓRIA ESCRITA POR STEPHEN KING, BURILADA POR STANLEY KUBRICK E REESCRITA NO IMAGINÁRIO DOS CINÉFILOS – Quando você vai escrever sobre O Iluminado ?           Desde que inventei a Crônica de Cinema, já ouvi essa pergunta inúmeras vezes. Mas a quantidade assustadora de informações disponíveis na internet sobre esse filme sempre me inibiu. Que comentários poderia fazer que os cinéfilos já não soubessem de cor e salteado? O Iluminado , realizado em 1980 por Stanley Kubrick é um dos melhores e mais elaborados filmes de terror de todos os tempos. Sobre ele há documentários, entrevistas, cenas de bastidores, fotografias, curiosidades, fofocas... Há inclusive uma complexa teia de especulações sobre a obsessão do diretor com a simetria do seu filme, expressa nos números ocultos em diversas cenas, como se fossem os easter eggs de um videogame.           Para começar a falar sobre o filme  O Iluminado , preciso deixar claro que Stanley Kubric

O Sexto Sentido: atmosfera de suspense sobrenatural

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O Sexto Sentido: filme dirigido por M. Night Shyamalan NO COMEÇO, VEMOS SÓ O QUE SHYAMALAN QUER MOSTRAR Sucesso! Talvez seja essa a melhor palavra para se referir ao filme O Sexto Sentido , realizado em 1999 pelo diretor M. Night Shyamalan. A comoção causada à época do seu lançamento foi enorme. Lembro que as pessoas saiam do cinema ávidas por comentar sobre o ponto de virada no final da história, mas precisavam se conter. Não podiam estragar a surpresa dos que ainda não a conheciam – naqueles tempos a palavra spoiler não fazia parte do nosso vocabulário. Nos bares e restaurantes as mesas eram divididas entre os que já haviam visto o filme e os que estavam ansiosos para ver.           De fato, a revelação no final do filme nos chegava como o acento agudo que é por fim acrescentado a uma palavra, alterando completamente seu significado. A leitura que fazíamos estava errada o tempo todo e o único que sabia disso era... o roteirista! Estranhamente, as pessoas não se sentiam enganadas. Fas

Operação Overlord: imaginação passando por cima dos fatos

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Operação Overlord: direção de Julius Avery ENTRETENIMENTO DESPREOCUPADO COM A PRECISÃO HISTÓRICA Muito bem, estamos falando de um filme sobre zumbis nazistas, repleto de sangue e violência, com cenas escabrosas de horror. Mas essa é apenas uma forma de definir Operação Overlord , filme de 2018 dirigido por Julius Avery. Aqueles que não apreciam o gênero, ou são sensíveis ao tema, vão riscá-lo de imediato da sua lista de filmes para conferir. Mas deixe-me colocar as coisas de outra forma, para animar quem está à procura de bons momentos de entretenimento: o filme nos traz uma ótima história, muito bem contada!           Basta lembrar que Operação Overlord é produzido por J.J. Abrams, um dos grandes nomes do cinema comercial. Depois de surgir com a ideia inicial, ele colocou a escrita do roteiro nas mãos do experiente Billy Ray – que já escreveu O Caso de Richard Jewell , Capitão Phillip e A Guerra de Hart . Para completar, o roteiro ainda foi burilado por Mark L. Smith –

Fratura: um thriller de suspense que fala da loucura

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Fratura: filme dirigido por Brad Anderson UM ROTEIRO MAIS PREOCUPADO EM MANIPULAR O ESPECTADOR PARA FAZER SUSPENSE O grande problema não é a loucura. É descobrir-se tomado por ela durante um lampejo de consciência! Reconhecer-se louco ao observar a sanidade acenando da estação, enquanto o trem da sua existência parte acelerando. É esse o momento crucial que esperamos ver no final de Fratura , filme de 2019 dirigido por Brad Anderson. Mas seu protagonista não vive tal experiência. Perde-se no meio do caminho.           A premissa do filme é ótima: durante uma viagem de carro com a esposa e a filha, Ray faz uma parada. A garotinha sofre uma queda e quebra o braço. No hospital mais próximo, mãe e filha seguem para a sala de exames enquanto Ray espera na recepção. Adormece e quando acorda, não há sinal delas. Médicos e atendentes tentam convencê-lo de que jamais puseram os pés por lá. Ray tentará provar que não está louco!           Pena que o roteiro precário, assinado por Alan B. McElroy

O Homem nas Trevas: suspense e terror num filme autoral

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O Homem nas Trevas: Fede Alvarez TENSÃO E SUSPENSE QUE NASCEM DO PLENO DOMÍNIO DAS TÉCNICAS NARRATIVAS Numa Detroit falida e vazia, três jovens assaltantes descobrem uma barbada: invadir a casa de um velho cego, que tem muito dinheiro guardado. O que eles não sabem é que ele também guarda segredos e é dono de uma fúria insana. Em O Homem nas Trevas , filme de 2016 escrito e dirigido por Fede Alvarez − o jovem prodígio uruguaio descoberto por Hollywood − a tensão crescente é de grudar na poltrona. Nessa história onde todos são bandidos, quase não dá tempo para respirar.           O Homem nas Trevas  conta como Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) descobriram um jeito de assaltar casas numa Detroit esvaziada pela crise econômica: vasculham o cadastro da empresa de segurança do pai de Alex e escolhem as melhores oportunidades para agir. Quando os três delinquentes ficam sabendo que o velho Norman Nordstrom (Stephen Lang), um ex-combatente cego que vive sozinho

O Silêncio dos Inocentes: um psiquiatra culto, refinado, sedutor e... canibal

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O Silêncio dos Inocentes: filme dirigido por Jonathan Demme UM DOS FILMES MAIS EMBLEMÁTICOS DOS ANOS 1990 Nos grandes filmes, as forças narrativas devem estar equilibradas: metade áudio, metade visual. O cineasta precisa ter refinamento artístico e domínio da expressão gráfica, para capturar os planos certos, posicionar a câmera na distância necessária e lidar com a luz  – ou a ausência dela. Porém, se esquecer do universo sonoro, jamais conseguirá criar a atmosfera adequada para conduzir as emoções do espectador. Em Hollywood, um dos cineastas que reunia qualificações nas duas áreas era Jonathan Demme – além de comédias dramáticas ele filmou vários espetáculos musicais. Seu filme de 1991, O Silêncio dos Inocentes , acabou se tornando um dos mais emblemáticos daquela década.           Quando se fala em O Silêncio dos Inocentes , o primeiro nome que vem à mente é Hannibal Lecter, mas o de Clarice Starling tem que ser pronunciado imediatamente na sequência. Thomas Harris criou ambos os p

Se7en - Os Sete Crimes Capitais: um filme forte com final surpreendente

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Seven- Os Sete Crimes Capitais: filme de David Fincher UM THRILLER ONDE AS VÍTIMAS SÃO PECADORES E OS POLICIAIS, ATORMENTADOS Quando um velho à beira da aposentadoria reclama da decadência moral que se abateu sobre a sociedade, os mais jovens tendem a pensar que se trata apenas disso mesmo: da velhice que se abraça com a rabugice, para implicar com os novos comportamentos que a modernidade vai moldando. O erro de quem acusa é a generalização – a decadência moral é real, mas desde sempre acontece em nichos. O erro dos que se defendem é o desdém – abrem mão de certas regras de conduta para tolerar um novo comportamento, só porque ele é... novo.           Agora, quando um jovem reclama da decadência moral, aí já é outra história! O jovem a quem me refiro é Andrew Kevin Walker, o roteirista que escreveu Se7en: Os Sete Crimes Capitais , filme de 1995 dirigido por David Fincher. Trata-se de um dos melhores thrillers policiais dos anos 90, que chegou aos cinemas trazendo um clima de mistério

Uma Mente Brilhante: Russel Crowe vive um matemático às voltas com a esquizofrenia

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Uma Mente Brilhante: filme de Ron Howard UM ELENCO COMPETENTE CONTANDO UMA HISTÓRIA VERDADEIRA, MAS CARREGADA NAS TINTAS O John Nash do cinema não é apenas um matemático brilhante e prestigiado no mundo acadêmico. É bom marido, bom pai e bom em... espionagem! Para ficar assim o personagem recebeu a ajuda do diretor Ron Howard, do experiente roteirista Akiva Goldsman e de Russel Crowe, um ator do primeiro time que está à frente do competente elenco. Uma Mente Brilhante , de 2001, não é uma cinebiografia precisa, mas prova que a linguagem do cinema é capaz de traduzir e expressar as mais complexas facetas da mente humana.           Uma Mente Brilhante conta a história de John Nash (Russel Crowe), desde seus primórdios na Universidade de Princeton, quando buscava uma ideia que o ajudasse a se firmar na vida acadêmica. Mergulhando na teoria dos jogos, fez importantes descobertas que lhe renderam prestígio e a oportunidade de trabalhar para o Pentágono, prestando serviços de criptografia.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça: nessa história, o assassino é de origem sobrenatural

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A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça: dirigido por Tim Burton UM FILME ONDE OS EFEITOS VISUAIS SÃO USADOS EM FAVOR DA ARTE Histórias de fantasia e suspense, quando contadas por um diretor que domina a linguagem visual e é dono de uma estética original, preenchem a tela com cenas inusitadas e surpreendentes. A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça , de 1999, é um dos filmes mais bonitos de Tim Burton. É sim um filme de terror e suspense, mas o que salta aos olhos é mesmo a sensibilidade artística com que foi realizado.            O filme nos conta uma história sobrenatural, que se passa em em 1799. O protagonista é Ichabod Crane (Johnny Deep), um detetive de Nova Iorque destacado para investigar uma série de assassinatos misteriosos no pequeno condado conhecido como Sleepy Hollow. Lá ele encontra vítimas decapitadas e uma atmosfera tão densa de mistério que irá abalar suas convicções na ciência e na racionalidade. Aos poucos, guiado pelos habitantes locais, o detetive vai percebendo que os eventos

Fragmentado: as múltiplas personalidades de um grande ator

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Fragmentado: filme dirigido por M. Night Shyamalan SHYAMALAN ESCALOU UM ATOR QUE VALE POR UMA MULTIDÃO Em termos comerciais os filmes de M. Night Shyamalan funcionam muito bem. Muitos espectadores não se importam de ser ludibriados, apenas para que no final levem um susto ou sejam surpreendidos pelo inusitado. Mas em Fragmentado , seu filme de 2016, o diretor não se vale de truques sujos para alimentar um suspense intenso e perturbador. Seu trunfo é James McAvoy, que sabe conversar com a câmera e se fazer convincente.           Esse triller psicológico é um impressionante trabalho de ator. E que trabalho! Narra a história de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy), um sujeito habitado por 23 personalidades, tratado pela Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley) como um curioso caso clínico. Ocorre que uma dessas personalidades sequestra três garotas adolescentes e as coloca em um cativeiro subterrâneo e impenetrável. Elas lutam para escapar, mas nunca sabem com quem estão lidando. A narrativa gan