Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Suspense

O Quarto do Pânico: um thriller ágil e envolvente

Imagem
O Quarto do Pânico: direção de David Fincher NARRATIVA VISUAL COMPLEXA PARA UM ROTEIRO ENXUTO Depois de trabalhar nos roteiros de grandes sucessos de bilheteria, como A Morte lhe Cai Bem , Jurassic Park e Missão Impossível , David Koepp se tornou um dos roteiristas mais requisitados de Hollywood. No início dos anos 2000, ele tropeçou em algumas reportagens sobre os tais quartos do pânico, que ganhavam espaço nas casas dos milionários preocupados com segurança; no caso de invasão por assaltantes ou malfeitores, era lá que eles se enfurnavam, até a chegada da polícia. Na mente de um roteirista talentoso, no entanto, as coisas jamais aconteceriam assim, de maneira tão simples. Certamente haveria complicações!           O conceito de um quarto do pânico é óbvio e já bastante difundido: constrói-se um cômodo em local de fácil acesso, com portas reforçadas, isolamento acústico e blindagem nas paredes, teto e piso; instalam-se monitores, para mostrar as imagens d...

Roubando Vidas: um thriller de suspense... interessante

Imagem
Roubando Vidas: direção de D. J. Caruso QUASE MEMORÁVEL Thrillers de suspense sobre policiais empenhados em capturar um assassino em série têm potencial para atrair multidões de espectadores, todos ávidos por experimentar momentos de tensão, acompanhar conflitos psicológicos em profundidade e respirar uma atmosfera de mistério. O gênero costuma nos apresentar a personagens densos e complexos, envolvidos em tramas intrincadas, que demandam astúcia, inteligência e sangue frio para serem desvendadas. Se7en: Os Sete Crimes Capitais e O Silêncio dos Inocentes são dois dos exemplares mais lembrados pelos cinéfilos que apreciam esse tipo de história policial. Infelizmente, Roubando Vidas , filme de 2004 dirigido por D. J. Caruso, não está à altura de figurar entre tais títulos; ainda assim, é um filme que merece ser visitado. Tem boas atuações, um ritmo bem conduzido e surpreende com reviravoltas inesperadas. Não decepciona, mas... poderia ser melhor!           ...

Crítica | O Talentoso Ripley: esta adaptação magistral de Anthony Minghella conseguiu ampliar a dimensão estética do romance. Fascinante!

Imagem
O Talentoso Ripley: direção de Anthony Minghella UMA ILHA DE PSICOPATIA, CERCADA DE BELEZA Tempos atrás, escrevi uma crônica sobre a minissérie Ripley , dirigida em 2024 por Steven Zailian. Lembro que Ludy e eu maratonamos os oito episódios com avidez, hipnotizados por aquela produção envolvente; minha mulher, inclusive, ficou interessada em rever o filme O Talentoso Ripley , dirigido em 1999 por Anthony Minghella – o que fizemos dias depois. Num primeiro momento, considerei desnecessário escrever sobre essa adaptação do romance de Patricia Highsmith; seria cair em redundância, já que o personagem e a trama de assassinatos que ele protagoniza estão descritos no meu texto anterior. Acontece que a qualidade do cinema realizado por Minghella é tão notável que mudei de ideia; decidi revisitar o mundo do psicopata que consegue se safar da punição por seus crimes, graças a uma combinação de sorte com uma gélida meticulosidade. Mais uma adaptação primorosa de Minghella      ...

Crítica | Armadilha: M. Night Shyamalan dirige um thriller psicológico bem arquitetado e cheio de suspense. É de dar nos nervos!

Imagem
Armadilha: direção de M. Night Shyamalan SÓ INTERESSA SABER COMO TERMINARÁ! Na filmografia de  M. Night Shyamalan  há títulos que me desagradam e não pretendo revisitar. Há outros que revi e pretendo rever novamente. Tal irregularidade não é um demérito e as ressalvas que faço são todas por causa da temática; não têm relação com o cinema que que ele pratica. Aliás, ele tem pleno domínio da linguagem cinematográfica e se tornou um criativo narrador audiovisual; por isso, jamais deixo de assistir aos seus longas.   Armadilha , seu filme de 2024, é um thriller de suspense sobre o tema perturbador e violento dos assassinos em série. É muito bem feito, e merece ser visto  –  e talvez revisitado, depois que você já não se lembrar mais do final surpreendente. Nada de spoilers !           O bom é que dessa vez o diretor resistiu à tentação de enveredar por caminhos sobrenaturais. Evitou empregar elementos de mistério para alimentar pontos ...

Crítica | Instinto Materno: o filme se tornou um fardo pesado demais para um diretor de fotografia

Imagem
Instinto Materno: direção de Benoît Delhomme FALTOU ENFATIZAR O UNIVERSO SONORO! Se você, cinéfilo ávido por um bom thriller inspirado no estilo de Alfred Hitchcock, tropeçar no serviço de streaming com Instinto Materno , dirigido em 2024 por Benoît Delhomme, talvez fique logo tentado a dar o play. Não é para menos: as presenças de Jessica Chastain e Anne Hathaway no elenco funcionam como chamariz. Trata-se de um filme mediano, ao qual recomendo que assista. Porém, para que tire melhor proveito da experiência, terá que considerar a longa cadeia de fatos que está por trás dessa produção hollywoodiana. E ela começa... na Bélgica!           Em 2012, a escritora belga Barbara Abel, autora de vários romances policiais de sucesso, publicou seu livro Derrière la Haine (Por Trás do Ódio). O romance foi adaptado para o cinema em 2018 pelo cineasta Olivier Masset-Depasse, também belga, com o título de Duelles (Duelos). O livro ganhou mais tarde uma versão em inglê...

Crítica | Ripley: Steven Zaillian desce até as profundezas da mente de um psicopata e realiza uma minissérie primorosa

Imagem
Ripley: minissérie dirigida por Steven Zaillian RETRATO EM PRETO E BRANCO DE UM PSICOPATA Afinal de contas, o que é um psicopata? Os especialistas em psicologia levantarão o dedo e bradarão definições amparadas nos diagnósticos das várias doenças mentais, que afetam o caráter e causam desvios de comportamento; falarão em atitudes antissociais, rompantes impulsivos e reações violentas... Porém, ressaltarão que, a depender do contexto, o diagnosticado pode não ser agressivo, nem representar perigo real para outras pessoas. Psicopatas: prato cheio para o cinema           Já nós, os cinéfilos, reconhecemos de imediato um psicopata: ele costuma transitar pelas histórias mais escabrosas do cinema. É frio, desprovido de empatia e... maligno! Jamais sente remorso ou culpa; é calculista, cruel e quase sempre desempenha o papel do vilão. Um bom psicopata – bom num sentido fático, é claro – é um ingrediente especial em qualquer thriller policial ou de mistério; vai el...

Vidas em Jogo: thriller envolvente com a grife David Fincher

Imagem
Vidas em Jogo: direção de David Fincher O JOGO MAIS ESTIMULANTE É AQUELE ENTRE O DIRETOR E O ESPECTADOR Onde estava em 1997? Deixe-me ver... Estava aqui mesmo, em Curitiba! Andava ocupado demais em fazer decolar a agência de publicidade que acabara de fundar, em parceria com outros dois sócios. A paixão pelo cinema ficou em segundo plano, já que a ousadia e o estresse de virar empresário transformaram os filmes em artigos de luxo, visitados apenas nos raros momentos de relaxamento. Numa época em que a TV a cabo era recém-nascida e o acesso à internet era discado, ficava difícil acompanhar as novidades no mundo da sétima arte; por isso não assisti a Vidas em Jogo , dirigido naquele ano por David Fincher. Por isso nem sequer tomei conhecimento da existência desse filme!           – Mas que cinéfilo de araque – diriam os enciclopédicos, diante das minhas desculpas esfarrapadas. Em vez disso, prefiro me ver como um cinéfilo redimido! Dia desses, ao zapear ...

Mente Criminosa: pacote completo com ação, ficção científica, espionagem e suspense

Imagem
Mente Criminosa: direção de Ariel Vromen ROTEIRO BEM COSTURADO E UM ELENCO CARISMÁTICO Com perdão do pleonasmo, gosto de me referir aos enredos de filmes de ação como peças cinematográficas por excelência. Quero com isso dizer que, em geral, não são adaptações de romances, histórias em quadrinhos ou videogames; são criados especialmente para as telas e formatados a partir do uso otimizado da linguagem audiovisual. Normalmente, o gênero não abre espaço para investigações aprofundadas sobre o mundo interno dos personagens; o que interessa são as decisões que eles tomam, quase sempre sob pressão de forças externas urgentes.           Filmes de ação não demandam longas cenas expositivas, nem subtramas costuradas com apuro. Bastam a boa e velha narrativa linear e a escolha dos melhores pontos de vista para expor a ação – normalmente o assumido pelo protagonista heroico ou pelo antagonista abjeto. Mente Criminosa , dirigido em 2016 pelo israelense Ariel Vromen, é...

O Inquilino: um filme sobre a perda da própria identidade

Imagem
O Inquilino: direção de Roman Polanski SUSPENSE, TERROR PSICOLÓGICO E SUSTOS MAIS... DURADOUROS Era um garoto de 16 anos quando entrei numa sala de cinema para assistir ao filme O Inquilino , dirigido e estrelado por Roman Polanski em 1976. Saí de lá um garoto de 16 anos... assustado! Estava numa idade marcada pela busca da própria identidade e ainda não sabia ao certo o que fazer com as revoluções transformadoras causadas pela puberdade. Por isso, um filme de suspense e terror psicológico onde o protagonista deixa de se reconhecer no espelho, teve seus efeitos potencializados sobre este cinéfilo em formação. Voltei no dia seguinte para uma nova sessão, ainda incomodado com a possibilidade devastadora de uma tal paranoia, mas dessa vez tive a sensatez de prestar atenção na obra cinematográfica em si. E que obra! O mestre Polanski contou com a ajuda de Sven Nykvist, o diretor de fotografia de diversos filmes de Ingmar Bergman, para obter um refinamento artístico notável. Posso dizer, co...

Siga a Crônica de Cinema