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Mostrando postagens com o rótulo Suspense

O Quarto do Pânico: um thriller ágil e envolvente

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O Quarto do Pânico: direção de David Fincher NARRATIVA VISUAL COMPLEXA PARA UM ROTEIRO ENXUTO Depois de trabalhar nos roteiros de grandes sucessos de bilheteria, como A Morte lhe Cai Bem , Jurassic Park e Missão Impossível , David Koepp se tornou um dos roteiristas mais requisitados de Hollywood. No início dos anos 2000, ele tropeçou em algumas reportagens sobre os tais quartos do pânico, que ganhavam espaço nas casas dos milionários preocupados com segurança; no caso de invasão por assaltantes ou malfeitores, era lá que eles se enfurnavam, até a chegada da polícia. Na mente de um roteirista talentoso, no entanto, as coisas jamais aconteceriam assim, de maneira tão simples. Certamente haveria complicações!           O conceito de um quarto do pânico é óbvio e já bastante difundido: constrói-se um cômodo em local de fácil acesso, com portas reforçadas, isolamento acústico e blindagem nas paredes, teto e piso; instalam-se monitores, para mostrar as imagens d...

Crítica | Roubando Vidas: o thriller de suspense de D. J. Caruso patina em pontos cruciais e aposta tudo no ponto de virada

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Roubando Vidas: direção de D. J. Caruso QUASE MEMORÁVEL Thrillers de suspense são oportunidades para acompanhar conflitos psicológicos em profundidade. Costumam apresentar personagens densos e complexos, envolvidos em tramas intrincadas, que demandam astúcia, inteligência e sangue frio. Se7en: Os Sete Crimes Capitais e O Silêncio dos Inocentes são os exemplares mais lembrados pelos cinéfilos que apreciam o gênero. Infelizmente, Roubando Vidas , filme de 2004 dirigido por D. J. Caruso, não está à altura desses títulos; ainda assim, é um filme que merece ser visitado. Tem boas atuações, um ritmo bem conduzido e surpreende com reviravoltas inesperadas. Não decepciona, mas... poderia ser melhor! Baseado num romance envolvente            Roubando Vidas foi adaptado de um romance com o mesmo título escrito pelo inglês Michael Pye em 1999, mas traz diferenças em relação ao material original. O livro é sobre Martin Arkenhout, um jovem holandês de 17 anos qu...

Crítica | O Talentoso Ripley: esta adaptação magistral de Anthony Minghella conseguiu ampliar a dimensão estética do romance. Fascinante!

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O Talentoso Ripley: direção de Anthony Minghella UMA ILHA DE PSICOPATIA, CERCADA DE BELEZA Tempos atrás, escrevi uma crônica sobre a minissérie Ripley , dirigida em 2024 por Steven Zailian. Gostei tanto que resolvi revisitar o  filme O Talentoso Ripley , dirigido em 1999 por Anthony Minghella. Num primeiro momento, achei que seria redundante escrever sobre mais essa adaptação do romance de Patricia Highsmith, já que o personagem e a trama de assassinatos que ele protagoniza estão descritos no meu texto anterior. Acontece que a qualidade do cinema realizado por Minghella é tão notável que mudei de ideia; decidi revirar mais uma vez o mundo do psicopata que consegue se safar da punição por seus crimes, graças a uma combinação de sorte com uma gélida meticulosidade. Mais uma adaptação primorosa de Minghella           O romance de Patricia Highsmith atrai o leitor com uma prosa austera. Há pouca informação descritiva, raros adjetivos e poucos detalhes sobr...

Crítica | Armadilha: M. Night Shyamalan dirige um thriller psicológico bem arquitetado e cheio de suspense. É de dar nos nervos!

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Armadilha: direção de M. Night Shyamalan SÓ INTERESSA SABER COMO TERMINARÁ! Na filmografia de  M. Night Shyamalan  há títulos que me desagradam e não pretendo revisitar. Há outros que revi e pretendo rever novamente. Tal irregularidade não é um demérito e as ressalvas que faço são todas por causa da temática; não têm relação com o cinema que que ele pratica. Aliás, ele tem pleno domínio da linguagem cinematográfica e se tornou um criativo narrador audiovisual; por isso, jamais deixo de assistir aos seus longas.   Armadilha , seu filme de 2024, é um thriller de suspense sobre o tema perturbador e violento dos assassinos em série. É muito bem feito, e merece ser visto  –  e talvez revisitado, depois que você já não se lembrar mais do final surpreendente. Nada de spoilers !           O bom é que dessa vez o diretor resistiu à tentação de enveredar por caminhos sobrenaturais. Evitou empregar elementos de mistério para alimentar pontos ...

Crítica | Instinto Materno: o filme se tornou um fardo pesado demais para um diretor de fotografia

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Instinto Materno: direção de Benoît Delhomme FALTOU ENFATIZAR O UNIVERSO SONORO! Se você, cinéfilo ávido por um bom thriller inspirado no estilo de Alfred Hitchcock, tropeçar no serviço de streaming com Instinto Materno , dirigido em 2024 por Benoît Delhomme, talvez fique logo tentado a dar o play. Não é para menos: as presenças de Jessica Chastain e Anne Hathaway no elenco funcionam como chamariz. Trata-se de um filme mediano, ao qual recomendo que assista. Porém, para que tire melhor proveito da experiência, terá que considerar a longa cadeia de fatos que está por trás dessa produção hollywoodiana. E ela começa... na Bélgica! Obra da escritora Barbara Abel           Em 2012, a escritora belga Barbara Abel, autora de vários romances policiais de sucesso, publicou seu livro Derrière la Haine (Por Trás do Ódio). O romance foi adaptado para o cinema em 2018 pelo cineasta Olivier Masset-Depasse, também belga, com o título de Duelles (Duelos). O livro ganhou...

Crítica | Ripley: Steven Zaillian desce até as profundezas da mente de um psicopata e realiza uma minissérie primorosa

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Ripley: minissérie dirigida por Steven Zaillian RETRATO EM PRETO E BRANCO DE UM PSICOPATA A minissérie  Ripley , criada, escrita e dirigida em 2024 por Steven Zaillian, é uma adaptação brilhante do romance  O Talentoso Ripley , que Patricia Highsmith escreveu em 1955. Lá a escritora americana apresentou o  personagem Tom Ripley, um vigarista que se consagrou como um dos mais desprezíveis psicopatas da literatura.  Rendeu uma série de livros, que fizeram a fama da autora; além de vários contos, ela escreveu 22 romances, vários deles adaptados para o cinema – inclusive  Pacto Sinistro , dirigido por Alfred Hitchcock. Agora, disponível na Netflix, os fãs do personagem encontrarão um excelente motivo para revistar o personagem e suas tramoias.  Um convite para maratonar          Antes de apertar o play na minissérie, o s cinéfilos atentos buscarão na memória a adaptação de 1999 intitulada  O Talentoso Ripley , dirigida por Ant...

Vidas em Jogo: thriller envolvente com a grife David Fincher

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Vidas em Jogo: direção de David Fincher O JOGO MAIS ESTIMULANTE É AQUELE ENTRE O DIRETOR E O ESPECTADOR Onde estava em 1997? Deixe-me ver... Estava aqui mesmo, em Curitiba! Andava ocupado demais em fazer decolar a agência de publicidade que acabara de fundar, em parceria com outros dois sócios. A paixão pelo cinema ficou em segundo plano, já que a ousadia e o estresse de virar empresário transformaram os filmes em artigos de luxo, visitados apenas nos raros momentos de relaxamento. Numa época em que a TV a cabo era recém-nascida e o acesso à internet era discado, ficava difícil acompanhar as novidades no mundo da sétima arte; por isso não assisti a Vidas em Jogo , dirigido naquele ano por David Fincher. Por isso nem sequer tomei conhecimento da existência desse filme!           – Mas que cinéfilo de araque – diriam os enciclopédicos, diante das minhas desculpas esfarrapadas. Em vez disso, prefiro me ver como um cinéfilo redimido! Dia desses, ao zapear ...

Mente Criminosa: pacote completo com ação, ficção científica, espionagem e suspense

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Mente Criminosa: direção de Ariel Vromen ROTEIRO BEM COSTURADO E UM ELENCO CARISMÁTICO Com perdão do pleonasmo, gosto de me referir aos enredos de filmes de ação como peças cinematográficas por excelência. Quero com isso dizer que, em geral, não são adaptações de romances, histórias em quadrinhos ou videogames; são criados especialmente para as telas e formatados a partir do uso otimizado da linguagem audiovisual. Normalmente, o gênero não abre espaço para investigações aprofundadas sobre o mundo interno dos personagens; o que interessa são as decisões que eles tomam, quase sempre sob pressão de forças externas urgentes.           Filmes de ação não demandam longas cenas expositivas, nem subtramas costuradas com apuro. Bastam a boa e velha narrativa linear e a escolha dos melhores pontos de vista para expor a ação – normalmente o assumido pelo protagonista heroico ou pelo antagonista abjeto. Mente Criminosa , dirigido em 2016 pelo israelense Ariel Vromen, é...

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