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Mostrando postagens com o rótulo Tribunal

Crítica | Jurado Nº 2: as 93 anos, Clint Eastwood dirige um ágil filme de tribunal e expõe os dilemas de se fazer justiça

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Jurado No 2: direção de Clint Eastwood UM PROFUNDO RESPEITO AO DEBATE Aos 93 anos, Clint Eastwood resolve rodar um novo filme. Os cinéfilos que acompanham sua carreira esfregam as mãos, ansiosos; conferir a proeza que o diretor realiza com invejável lucidez, é uma reverência obrigatória. Entretanto, Jurado Nº 2 , lançado em 2024, é mais do que uma curiosidade ou um produto do oportunismo comercial; é cinema pulsante, envolvente e repleto de conteúdo para ser degustado com prazer e, sim, reverência. O espectador sabe de tudo desde o começo           Vamos direto ao ponto: Jurado Nº 2 é um drama de tribunal, confinado no espaço mental em torno de um julgamento, onde o aparato do sistema judiciário é posto à prova em sua capacidade de fazer justiça. O cinéfilo atento já deve ter remontado ao clássico 12 Homens e Uma Sentença , dirigido em 1957 por Sidney Lumet. Lá, os jurados tentam decidir o destino de um jovem acusado de assassinar o próprio pai; onze deles...

Crítica | A Corte Marcial do Navio da Revolta: o filme de despedida de Willian Friedkin é uma mostra do seu virtuosismo

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A Corte Marcial do Navio da Revolta: direção de Willian Friedkin UM AUTÊNTICO DRAMA DE TRIBUNAL Eis aqui um filme que se desenrola para muito além dos seus 109 minutos de duração. Evoca tantas conexões e desdobramentos que complica a vida deste cronista com poucos parágrafos à disposição. Exige poder de síntese! Então, vamos ser objetivos: A Corte Marcial do Navio da Revolta , dirigido em 2023 por William Friedkin é um remake , mas não se baseia no filme A Nave da Revolta , dirigido em 1954 por Edward Dmytryk e estrelado por Humphrey Bogart. Na verdade, esse novo filme é uma adaptação da peça teatral escrita em 1953 por Herman Wouk, baseada no romance que ele mesmo escreveu em 1951, intitulado The Caine Mutiny Court-Martial . Diretor de sucessos da década de 70           Como cinéfilo atento, você deve ter arregalado os olhos ao ler o nome de William Friedkin. Sim, é ele mesmo! Trata-se do diretor que marcou os anos 1970 com sucessos como O Exorcista e Ope...

Marshall: Igualdade e Justiça: retrato de um herói autêntico

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Marshall: Igualdade e Justiça: direção de Reginald Hudlin TODOS NÓS SABEMOS O QUE É JUSTIÇA Dramas de tribunal acabaram agrupados em um gênero específico, tanto na literatura como no cinema. Autores como John Grisham, Aaron Sorkin e William Diehl exploraram as diferentes dinâmicas que se estabelecem nas cortes de justiça e usaram elementos de mistério e suspense para segurar o leitor – e o espectador – até que o martelo seja finalmente batido. Souberam recitar os cânones e contornar os clichês, sem desapontar o público ávido por justiça.          Justiça!  Sim, no final das contas, esse deve ser o foco de qualquer drama de tribunal. Sejam leigos, sejam bacharelados, todos desejam ver a justiça exercida em sua plenitude; reconhecê-la no final, com suas imperfeições e promessas, porém cega, equilibrada e exposta sem disfarces. No final da trama, mesmo que a justiça tropece em parcialidades, ainda saberemos que é ela, apenas representada por sua exata negação....

55 Passos: a história real de Eleanor Riese

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55 Passos: direção de Bille August A AMIZADE ENTRE DUAS MULHERES MUITO DIFERENTES O dinamarquês Bille August está entre os mais conceituados diretores do cinema europeu. Venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes duas vezes: em 1982, pelo filme Pelle, o Conquistador e em 1992, por As Melhores Intenções . Além disso, também traz no currículo os excelentes Trem Noturno para Lisboa e Um Homem de Sorte . Portanto, ao me deparar com seu nome na capa do filme 55 Passos , dei por encerrada minha busca pelos serviços de streaming naquele domingo à noite. Convidei Ludy, que rapidamente veio se acomodar no sofá, para mais uma excelente sessão de cinema.           55 Passos é um drama baseado na história real de Eleanor Riese, vivida aqui pela atriz Helena Bonham Carter. Sua trajetória de vida é marcada por dificuldades e sofrimentos; diagnosticada com esquizofrenia paranóide crônica, tinha a profundidade mental de uma criança de 12 anos, o que jamais a impediu...

Questão de Honra: um empolgante filme de tribunal

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Questão de Honra: direção de Rob Reiner OS PERIGOS DE DAR PODER AOS IRREFREÁVEIS Instituições militares só funcionam por causa da disciplina. Reguladas por normas rígidas, as relações de subordinação entre os níveis hierárquicos asseguram obediência cega às ordens vindas de cima. Porém, há um risco inerente: o juízo pessoal dos líderes, vulneráveis a personalismos e à fome de poder, eventualmente gera distorções ao longo da cadeia de comando, em favor de interesses escusos. No seu filme Questão de Honra , realizado em 1992, o diretor Rob Reiner mostra um desses episódios, ainda que fictício, onde a injustiça vem de atos burocráticos que envolvem oficiais da Marinha americana. Trata-se de um típico filme de tribunal – um dos melhores, diga-se de passagem – onde promotores e defensores lutam para fazer justiça, enquanto se dão conta de que não conhecem todos os fatos e tentam lidar com as manobras jurídicas. Mas antes de entrar nos detalhes, é mais prudente conhecer a sinopse.  ...

Crítica ! Sleepers: A Vingança Adormecida: Barry Levinson filma uma história que Lorenzo Carcaterra jura que é real, mas não muito

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Sleepers: A Vinganã Adormecida: Direção de Barry Levinson A VERACIDADE FICA EM SEGUNDO PLANO Realidade e ficção são dois conceitos antagônicos, que ocupam lugar central na criação literária. Histórias que aconteceram de fato, ganham profundidade emocional e arrebatam a atenção do leitor se contadas com ênfase na dramatização. Histórias inventadas, tornam-se verossímeis quando são engenhosamente costuradas com elementos de realidade. Todavia, quando a fronteira entre realidade e ficção se confunde, quem surge para atrapalhar é o descrédito, que compromete o alcance da obra. Uma história verdadeira, mas não muito          N a pena de um Jorge Luis Borges, por exemplo, as tintas da fantasia, do sonho e da realidade conseguem criar um universo ampliado, para deleite dos aficionados por boas histórias.   Entrar nesse terreno do realismo fantástico, porém, não foi a intenção do escritor americano Lorenzo Carcaterra, ao publicar seu romance Sleepers , em 1995. Dis...

Crítica | As Duas Faces de um Crime: Gregory Hobllit quase fez um telefilme, mas revelou Edward Norton para o grande públilco

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As Duas Faces de um Crime: direção de Gregory Hoblit A PRESENÇA MEMORÁVEL DE UM COAJUVANTE TALENTOSO Nos anos 1990, t elefilmes eram produtos de segundo escalão, mas nem por isso menos populares. Um diretor que se adaptou muito bem ao formato e se tornou um dos principais nomes da TV nos Estados Unidos, foi Gregory Hoblit; quando migrou para a tela grande, em 1996, estreou com um estrondoso sucesso de bilheteria, intitulado  As Duas Faces de um Crime .  Apaixonado por dramas de tribunal  –  também filmou  A Guerra de Hart   e  Um Crime de Mestre  –, o diretor viu a oportunidade de realizar um típico exemplar do gênero, onde um advogado habilidoso e astuto se esforça para defender um réu sobre cuja inocência o espectador não coloca a mão no fogo de imediato. Forte sotaque de telefilme           O cinéfilo experiente certamente se lembrará de As Duas Faces de um Crime como um dos grandes thrillers de tribunal daquela d...

Crítica | Um Crime de Mestre: o duelo jurídico entre Anthony Hopkins e Ryan Gosling

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Um Crime de Mestre: dirigido por Gregory Hoblit MANIPULANDO O SISTEMA JURÍDICO Crime perfeito existe, mas não é aquele cometido sem deixar pistas. É aquele cuja autoria não pode ser provada nos tribunais. Sabemos quem o cometeu e de que maneira, mas não conseguimos colocar o cretino na cadeia, porque ele descobriu como manipular o sistema jurídico; aproveitou-se do emaranhado burocrático criado pelos legalistas!  É nessa linha que segue o filme  Um Crime de Mestre , dirigido em 2007 por Gregory Hoblit. É um envolvente drama de tribunal, que nos faz torcer para que o assassino termine por receber o castigo que merece. E o  diretor tem experiência no gênero: dirigiu os filmes As Duas Faces de um Crime e A Guerra de Hart , ambos sobre os rituais de um julgamento e a manipulação dos trâmites legais. Vamos direto para a sinopse: Um Crime de Mestre: o espectador não tem dúvidas de que Ted Crawford é o assassino O plano calculista de Ted Crawford       ...

Os Sete de Chicago: fatos reais que chocaram o mundo

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Os Sete de Chicago: filme dirigido por Aaron Sorkin UM FILME DE TRIBUNAL ONDE RESPIRAMOS O GÁS LACRIMOGÊNEO DOS ANOS 60 Ao lidar com temas políticos, um diretor sabe que será julgado pela plateia sob dois parâmetros: pela sua ideologia e pelo seu cinema. No filme os Sete de Chicago , de 2020, Aaron Sorkin soube manter sua ideologia a uma distância discreta, mas não poupou espaço para o seu ótimo cinema; realizou essencialmente um filme de tribunal, com todos os cacoetes do gênero e repleto de momentos eletrizantes.           Como roteirista, Aaron Sorkin já revelou seu talento em filmes como Questão de honra , Jogos de Poder e A Rede Social . Como diretor, já havia realizado A Grande Jogada  e agora, escreveu e dirigiu o filme  Os Sete de Chicago , depois que o diretor destacado originalmente – ninguém menos que Steven Spielberg – teve que abandonar o projeto. Saiu-se bem! O filme narra um episódio histórico na vida jurídica e polític...

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