Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Catástrofe

Crítica | Presságio: Nicolas Cage, profecias e o dilema entre o mistério e a catástrofe

Imagem
Presságio: direção de Alex Proyas OS DOIS PRIMEIROS ATOS FUNCIONAM. O ÚLTIMO É UMA BOBAGEM! Na juventude, fui um cinéfilo mais criterioso. Só entrava numa sala de exibição se o filme valesse o preço do ingresso. Além disso, tinha que escolher entre uma lista reduzida de títulos – Curitiba contava com dezena de cinemas, onde os lançamentos ficavam em cartaz por poucas semanas. Para decidir com sabedoria onde gastar meu suado dinheirinho, a solução era vasculhar os cadernos de cultura dos jornais e as revistas especializadas; lia muito sobre cinema e quando me sentava na plateia, já sabia o que esperar. A era do streaming e o impulso de apertar o play           Hoje, a oferta de filmes beira o infinito. Nas plataformas de streaming, o valor da assinatura é o mesmo, caso você assista a um único filme por mês ou a cinco por dia! Tornei-me um cinéfilo mais impulsivo. Aperto o play com facilidade, pois sei que posso mudar de ideia ao primeiro sinal de arrependime...

Independence Day: trazendo a fantasia para o mundo real

Imagem
Independence Day: direção de Roland Emmerich LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA, DURANTE O FERIADO AMERICANO Para quem vive na Região Sul, como é meu caso, o mês de julho tem as feições do inverno. As temperaturas baixas nos obrigam a tirar do guarda-roupa os casacos mais pesados e as bebidas quentes se tornam as mais apreciadas. Enquanto isso, lá no hemisfério norte, dá-se o oposto: o verão representa a cara das férias e da diversão; é quando a indústria do cinema aproveita para lançar seus filmes arrasa-quarteirão, na certeza de alcançar as maiores bilheterias. Naquele 2 de julho de 1996, a aposta vencedora foi Independence Day , dirigido por Roland Emmerich. Nunca a expressão arrasa-quarteirão – ou blockbuster , como preferem os anglófonos – foi tão bem empregada! Os trailers, exibidos à exaustão, mostravam a Casa Branca pulverizada por raios alienígenas e a cidade de Nova Iorque reduzida a escombros, num realismo desconcertante. Durante semanas, não se falou de outra coisa.     ...

A Onda: baseado em fatos que um dia podem acontecer!

Imagem
A Onda: filme dirigido por Roar Uthaug CINEMA NORUEGUÊS MANIPULA CLICHÊS E ACABA NUMA GRANDE CATÁSTROFE Cineastas costumam ser fisgados pela sétima arte logo na infância. A possibilidade de criar realidades alternativas, iludir com efeitos especiais e dar asas à imaginação, confere um tom lúdico à criação cinematográfica; sugere que tudo não passa de pura diversão. Aqueles com habilidades narrativas logo encontram o caminho da profissão, o que não os impede de se divertir bastante ao longo do processo. Esse parece ser o caso do diretor norueguês Roar Uthaug. Seu filme A Onda , realizado em 2015, é um autêntico exemplar do cinema catástrofe; mistura ação, tensão e destruição, numa fórmula que esperamos encontrar nos melhores parques de diversões. Tem efeitos visuais dignos de Hollywood, mas também uma forte personalidade nórdica.           Fã declarado dos filmes de terror e de catástrofe, Roar Uthaug embarca aqui num gênero consagrado, que lida com conceito...

O Impossível: a história real da família de María Belón

Imagem
O Impossível: filme de Juan Antonio Bayona REALISMO NÃO BASTA, É PRECISO EXTRAIR EMOÇÃO Quando a costa da Tailândia foi arrasada por um tsunami, no Natal de 2004, as imagens da destruição entulharam nossas televisões e inundaram de tristeza as comemorações de final de ano em todo o mundo; foram mais de 230 mil vítimas fatais e uma quantidade inimaginável de feridos – física e emocionalmente. As narrativas do desastre ocuparam espaço em toda a mídia, sempre numa abordagem jornalística. Acontece que reportagens, mesmo as que elevam o tom para entrar na disputa pela audiência, costumam priorizar o conteúdo informativo e mostram respeito para com os que sofreram perdas. Já o cinema, com sua vocação para a dramatização, está mais interessado na emoção, na dor e no sofrimento. Quando decidi assistir ao filme O Impossível , dirigido em 2012 pelo espanhol Juan Antonio Bayona, tive receio de tropeçar em mais uma produção apelativa do gênero catástrofe, recheada de efeitos especiais realistas, p...

Crítica | O Dia Depois de Amanhã: em 2004, o filme previa o caos. Ficou só na promessa?

Imagem
O Dia Depois de Amanhã: filme de Roland Emmerich PERSONAGENS VEROSSÍMEIS, PREMISSAS POUCO CIENTÍFICAS Dia desses, procurando algo decente ao qual assistir nas plataformas de streaming, tropecei em O Dia Depois de Amanhã , dirigido em 2004 por Roland Emmerich. O filme é garantia de ótimo entretenimento e certamente está na lista de muitos cinéfilos que o visitam quando querem apenas relaxar no sofá. Realizado há mais de 20 anos, tornou-se um marco no cinema catástrofe, ao exibir efeitos visuais de um realismo arrebatador. Também contribuiu para alimentar a cansativa lengalenga sobre o aquecimento global provocado pela sanha capitalista da raça humana. Este é um planeta vivo!           Cá entre nós, esse alarmismo ambiental não passa de pura arrogância. A ciência só começou a monitorar a temperatura global a partir de meados do século XIX, há menos de dois séculos – um piscar de olhos na turbulenta história climática do planeta, que já passou por incontáveis ...

Crítica | No Escuro da Floresta: Patrícia Rozema vai muito além do apocalipse: ao ao âmago do ser feminino

Imagem
No Escuro da Floresta: filme dirigido por Patricia Rozema O APOCALIPSE SE TORNA INTIMISTA AO GANHAR UM TOQUE FEMININO Por pouco minha mulher e eu deixamos de assistir ao filme  No Escuro da Floresta , escrito e dirigido em 2016 pela canadense Patricia Rozema. Classificado no serviço de streaming como um drama e descrito rapidamente como um filme pós-apocalíptico, não causou empolgação quando nos deparamos com ele na aba de sugestões. O que me motivou a apertar o play foi a capa, ilustrada com a foto de Ellen Page e Evan Rachel Wood, duas atrizes conhecidas de outras produções de qualidade. Música, atmosfera e ambientação         Ainda bem que apertei o play! O filme conquista logo de cara com a música de Max Richter, o compositor alemão que assina a trilha sonora. As cenas sempre muito iluminadas, a ambientação calorosa e aconchegante e os belos cenários internos e externos ajudam a caracterizar os personagens já no começo. Somos apresentados a uma família est...

Siga a Crônica de Cinema