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Mostrando postagens com o rótulo Comédia

A Morte Lhe Cai Bem: humor negro e computação gráfica

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A Morte lhe Cai Bem: direção de Robert Zemeckis UM FILME À FRENTE DO SEU TEMPO! Em 1992, minha calvície ainda não dava sinais de que sairia vencedora. Precisava ir de vez em quando ao barbeiro – geralmente nas manhãs de sábado – para dar aos cabelos algum corte que me salvasse a aparência. Era sentar-me na cadeira e pronto: alguém jogava nas minhas mãos um exemplar da Revista Caras, para que me distraísse com a vanglória dos ricos e famosos. Num mundo sem celulares e sem redes sociais, publicações desse tipo eram as únicas janelas disponíveis para quem desejasse bisbilhotar a vida alheia. Com o advento da internet, o jogo virou: todo mortal agora pode manter a pose e se camuflar de celebridade.           Em tempos analógicos, havia duas possibilidades: ou você estava nas páginas de Caras, ou não estava. Se estivesse, era um vencedor; se não estivesse, que continuasse tentando. Hoje, as possibilidades são infinitas, já que todas as páginas na internet podem ...

O Dorminhoco: descongelaram o judeu novaiorquino neurótico politicamente incorreto!

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O Dorminhoco: direção de Woody Allen UM OLHAR NOSTÁLGICO PARA O FUTURO Como foi que deixamos o mundo ficar tão aborrecido? Reduzimos o espaço reservado ao humor e permitimos que a rabugice politicamente correta se esparramasse pelos vasos comunicantes da cultura popular; sobrou apenas a sisudez dos conteúdos que se levam a sério demais e não admitem críticas nem julgamentos. A mídia mainstream se esqueceu como se faz sátira, blague, paródia, humor negro, pastelão, stand-up... Quando queremos dar boas risadas, tudo o que nos resta são as comédias infantilizadas, com tiradas picantes, bordões manjados e escatologias apelativas...           Hoje em dia, fazer humor é perigoso: no Brasil, dá até cadeia! Quem se atreve a ser humorista precisa, antes de tudo, acertar-se com um bom advogado – ou mais eficientemente, com algum juiz poderoso! E se antes de pisar no palco, o pretencioso espiar a plateia pela fresta da cortina, ouvirá ameaças taxativas:    ...

Crítica | Os Vigaristas: Ridley Scott nos brinda com uma comédia dramática envolvente, com reviravoltas no final

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Os Vigaristas: filme de Ridley Scott UM FILME REPLETO DE VIGARICES Uma sutiliza sobre o filme Os Vigarista s, dirigido em 2003 por Ridley Scott, está no seu título original:  Matchstick Men . Podemos traduzir a expressão como “homens palito de fósforo”, uma gíria em inglês para vigaristas. A sonoridade, porém, é bastante próxima à expressão Majestic Men, que significa “homens majestosos”. Qualquer anglófono, portanto, entenderá que a estampa majestosa de um vigarista é parte integrante do seu ser, e que ela virará fumaça depois que a vítima tomar consciência de que foi tapeada; ficará apenas um inútil palito de fósforo carbonizado e deformado. Ou seja: só esse título original já fez rodar um filme inteiro na minha cabeça de cinéfilo ansioso. A sinopse: uma vida de tranbiques          Antes de examinar   Os Vigaristas ., precisaremos conhecer a sua sinopse. O filme é sobre  Roy Walker (Nicolas Cage) e Frank (Sam Rockwell) que se d edicam a tapear v...

Pequenas Cartas Obscenas: uma comédia de mistério

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Pequenas Cartas Obscenas: direção de Thea Sharrock UMA HISTÓRIA REAL, CONTADA DE MANEIRA INVENTIVA Uma história pode ser contada de muitas maneiras; tão diversas que, depois de comparar as versões produzidas, talvez duvidemos que possa se tratar da mesma história. Exagero? Não! Os cinéfilos experientes sabem ao que me refiro – já devem ter lembrado de alguns filmes que guardam poucas relações com seus remakes, para além da sinopse básica. As feições de um filme primeiro são determinadas pelas decisões narrativas que os roteiristas tomam, quando começam a costurar a história; depois, temos as decisões do diretor durante as filmagens, que afetam a natureza audiovisual da obra; finalmente, temos aquelas tomadas durante o processo de edição, que provavelmente são as mais decisivas e determinam seu tom, seu ritmo e sua atmosfera. Como um cinéfilo curioso, minha maior diversão é perceber como essas variáveis pipocam na tela.           Assim que comecei a assistir...

Crítica | Melhor É Impossível: como numa sitcom, James L. Brooks nos apresenta a personagens com trajetórias previsíveis

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Melhor É Impossível: direção de James L. Brooks CINEMA COM SOTAQUE DE SITCOM Tenho preguiça de assistir a certos filmes. Talvez seja puro preconceito, ou rabugice, sei lá! N o caso de Melhor É Impossível , filme de 1997 dirigido por James L. Brooks, o que me fez evitá-lo por anos foi  a foto no pôster promocional, mostrando a estampa cínica de Jack Nicholson com um cãozinho nos braços. Além disso, havia aquela curta explicação de que ele interpreta um escritor nova-iorquino antissocial e repugnante. Some-se a reputação de James L. Brooks como diretor e roteirista de séries para a TV – é o nome por trás de Os Simpsons – e a presença de uma Helen Hunt com brilho contido. Pronto! Intuí todo o enredo! Deduzi o arco do protagonista          Continuei meu raciocíio: é  claro que James L. Brooks tem experiência de sobra e se decidiu se aventurar no cinema, é porque tem um belo texto escondido na manga! A presença de Jack Nicholson também diz muito; que outro...

Crítica | Os Três Patetas: os irmãos Farrellly uma realizaram divertida homenagem aos reis da comédia pastelão

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Os Três Patetas: direção de Peter e Bobby Farrelly INCRÍVEL COMO O TRIO SE ENQUADROU BEM NA TV Os Três Patetas eram uma constante na programação da TV. No final dos anos 1950, seus curtas produzidos para as salas de cinema foram empacotados para as telinhas, onde moraram por décadas. Com um estilo cômico desleixado e raso, miravam as gargalhadas ligeiras, sem entregar sutilezas nem tiradas espirituais. Havia o humor refinado e inteligente de Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, e havia a bagunça de Moe, Larry e Curly. O trio fazia uma comédia pastelão, repleta de gírias e tiradas absurdas que conversavam fluentes com o público mais popular. Um cinéfilo exigente empurraria o humor do trio lá para o final da lista, mas jamais cometeria o sacrilégio de ignorá-los. Os três conquistaram um espaço na sétima arte. Ressuscitados com assombrosa acuidade visual           Os irmãos Farrelly, Peter e Bobby, certamente reconheceram a relevância do trio. Mais ...

Crítica | Uma Saída de Mestre: o remake perfeito para quem busca ação e escapismo

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Uma Saída de Mestre: Direção de F. Gary Gray VEROSSIMILHANÇA? QUEM ESTÁ PREOCUPADO COM ISSO? Ah, a vida moderna! Ela às vezes se parece com um massacre de dificuldades. Nos atinge com insistentes golpes de aborrecimentos e consegue nos molestar com os assuntos mais desagradáveis: os preços pela hora da morte, a falta de segurança nas ruas, a avalanche de impostos, a selvageria do trânsito, a cara de pau dos políticos desonestos... Ainda bem que a vida moderna também nos deixa experimentar a contraparte da realidade: o escapismo! É ótimo chegar em casa, largar-se no sofá, vasculhar os serviços de streaming e mergulhar no oceano de entretenimento ligeiro. Há dias em que tudo o que precisamos é tropeçar em um filme leve, despretensioso, raso e descomplicado. Há dias em que tudo o que precisamos é encontrar Uma Saída de Mestre , filme de 2003 dirigido por F. Gary Gray! A herança de Um Golpe à Italiana           Não prego o escapismo como norma! Lembro apenas q...

A História do Mundo - Parte 1: Mel Brooks dá sua versão dos fatos

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A História do Mundo - Parte 1: direção de Mel Brooks HUMOR POLITICAMENTE INCORRETO, COMO DEVE SER! Não, Mel Brooks nunca teve a intenção de realizar uma segunda parte para a comédia  A História do Mundo - Parte 1 , que escreveu, dirigiu e produziu em 1981. O título nasceu como uma piada, que ele fez questão de contar em uma entrevista: dirigia a caminho do trabalho quando foi abordado por um conhecido inoportuno. O abusado emparelhou com seu carro é gritou:           – E então, está trabalhando em mais um filme grandioso?           – Sim, vai se chamar A História do Mundo – retrucou Brooks. Inventou na hora o título mais grandiloquente que conseguiu imaginar.           – Nossa! Como vai conseguir contar tudo em um único filme? – especulou o sujeito. Mel Brooks não perdeu a oportunidade e se saiu com a tirada:           – Tem razão! Acho que vou chamá-lo de A Histó...

A Balada de Buster Scruggs: a mitologia do velho oeste tratada com humor inteligente

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A Balada de Buster Scruggs: dirigido pelos irmãos Coen CINEMA DE QUALIDADE MULTIPLICADO POR SEIS Como um garoto urbano, nascido em 1960, fui criado na frente do aparelho de TV, aquele móvel imenso, que ocupava todo um canto da sala, mas tinha uma tela proporcionalmente pequena. Era dotado de um tubo de raios catódicos, que quando atiçado por uma insondável traquitana eletrônica valvulada, exibia imagens em preto e branco. O tubo demorava vários segundos para esquentar, até que a imagem ficasse clara o suficiente; e com sorte, também ficaria nítida, se as condições atmosféricas não atrapalhassem. Chuviscos e fantasmas eram a regra e se incorporavam à linguagem da televisão, uma mídia ainda jovem, mas esforçada em entregar uma programação variada: desenhos, novelas, esportes, shows de auditório, seriados e... filmes!           Foi pela TV que o cinema entrou no meu cotidiano. Os filmes exibidos na telinha, todavia, eram velhos! Novidades? Só nas salas de exib...

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