Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Ficção Científica

Crítica | Frankenstein: Guillermo del Toro realizou um espetáculo audiovisual irretocável

Imagem
Frankenstein: criador e criatura em busca de respostas EXCELENTE. SÓ NÃO PRECISAVA DAQUELA NARRAÇÃO EM OFF! Com seu livro Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno , a escritora inglesa Mary Shelley criou um mito na acepção filosófica. Pôs em palavras a angústia que a humanidade experimentava naquele comecinho de século XIX, diante de um cientificismo cada vez mais dominante; aproveitando que nos esforçávamos para exercer as funções de Deus, ela criou um monstro feito com partes de nós e o animou por meio de uma eletricidade que ainda  cheirava a magia. Passados 200 anos, sua criatura continua imortal, vagando pela cultura pop com incrível vitalidade – ganhou materialidade quando assumiu as feições de um Boris Karlof, porém, jamais enganou o público: não é humano! Está mais para um arremedo de gente, que nos inspira medo, repulsa e um bom tanto de pena. Nós somos os criadores           Sim, o que Mary Shelley criou foi uma boa oportunidade para discutir sob...

Tron: Ares: um filme de ação desenfreada

Imagem
Tron: Ares: direção de Joachim Rønning NO CINEMA, O IMPERATIVO VISUAL JÁ NÃO É O MEMSMO! Quando Tron , filme dirigido por Steven Lisberger foi lançado em 1982, corri para o cinema. Já trabalhava com criação publicitária e tinha grande interesse pelo futuro da computação gráfica, cujas promessas só conseguia vislumbrar nas matérias das revistas; aliás, o mundo da computação acessível a todos os mortais ainda era assunto para a ficção científica, outra das minhas paixões. Para meu deleite, o filme misturava ambos os temas; este cinéfilo afoito voltou àquela sala de cinema na mesma semana, depois de ler o que conseguiu sobre os detalhes da produção.           É claro que a ideia de que o protagonista podia ser desmaterializado por um feixe de raios, para então ser sugado para um micromundo existente dentro de um chip de computador, soou para mim um tanto absurda; mas a considerei plausível diante do contexto narrativo. Confesso, porém, que me decepcionei quand...

Gattaca: A Experiência Genética

Imagem
Gattaca: A Experiência Genética TECNOCRATAS EUGENISTAS ROBOTIZANDO CIDADÃOS Ah, lá vamos nós, conversar novamente sobre distopias! Já escrevi uma crônica sobre o tema, onde listei alguns filmes provocativos – para ler, basta clicar aqui ! Dessa vez, porém, vou me deter em Gattaca: A Experiência Genética , filme escrito e dirigido em 1997 pelo cineasta neozelandês Andrew Niccol. Trata-se de uma obra de ficção científica instigante e inteligente, que nos embriaga os sentidos com qualidades cinematográficas inquestionáveis, mas traz uma mensagem subliminar perturbadora. Para articular uma conversa proveitosa, entretanto, terei primeiro que esmiuçar a sua sinopse:           O filme se passa num futuro próximo, quando a sociedade decide estratificar-se a partir de uma política eugenista, sustentada por uma avançada tecnologia de manipulação do DNA humano. São criadas duas categorias de cidadãos: os válidos, geneticamente modificados e por isso dotados de qualida...

Crítica | Brazil – O Filme: Terry Gillian filma uma distopia inspirada em George Orwell com pretensões fellinianas

Imagem
Brazil - O Filme: direção de Terry Gillian QUANDO MONTY PYTHON ENCONTRA GEORGE ORWELL No Brasil do começo dos anos 1980, o humor anárquico do grupo inglês Monty Python não era popular; poucos tiveram a oportunidade de assistir no cinema ao filme Monty Python em Busca do Cálice Sagrado . Com o advento dos videocassetes, as fitas com os programas de TV da trupe britânica apareceram nas locadoras e atraíram mais fãs; serviram de chamariz para os filmes A Vida de Brian e Monty Python – O Sentido da Vida , que vieram na sequência. Na época, poucos enxergaram a conexão entre esses títulos e Brasil – O Filme , dirigido em 1985 por Terry Gillian – aliás, uma conexão sutil. E o que isso tem a ver com o Brasil?           Acontece que o diretor Terry Gillian foi um dos integrantes dos Monty Python – o único americano do grupo. Como cartunista, contribuiu com as animações que permeiam os filmes da trupe, além de ter colaborado nos roteiros e na direção. Sabendo disso,...

Crítica | Dredd: Pete Travis filma um roteiro de Alex Garland e adapta o juiz, policial, promotor, júri e carrasco dos quadrinhos

Imagem
Dredd: filme dirigido por Pete Travis UM SISTEMA INFECTADO PELO CINISMO Para escrever sobre o ótimo Dredd , filme de ação e ficção científica com estética cyberpunk, dirigido em 2012 por Pete Travis, quero falar de... pragmatismo! Baseado na história em quadrinhos criada em 1977 por John Wagner e Carlos Ezquerra e publicada na revista inglesa 2000 AD, o filme mostra um protagonista que combate o crime em Mega City One, uma megalópole distópica incrivelmente violenta. Lá, o tal Juiz Dredd exerce as funções de policial, promotor, juiz, júri e carrasco, tudo ao mesmo tempo. Sim, ele e seus colegas juízes, que estão na rua para impor a lei e a ordem, agilizam o processo. Ganham tempo e poupam os recursos dos pagadores de impostos. São legitimados por um sistema pragmático, desenhado pelos detentores do poder para garantir resultados palpáveis, medidos estatisticamente. Sob medida para os quadrinhos            Na história em quadrinhos de Wagner e Ezquerra...

Crítica | O Homem do Castelo Alto: série imaginativa e bem produzida, mas é para os espectadores atentos

Imagem
O Homem do Castelo Alto: série criada por Frank Spotnitz PERSONAGENS BEM CONSTRUÍDOS, METIDOS NUMA JORNADA DESAFIADORA Você já pensou como o mundo seria tenebroso caso os nazistas e fascistas tivessem saído vencedores da Segunda Guerra Mundial? Philip K. Dick já perdeu noites de sono a imaginar os infelizes desdobramentos dessa péssima ideia. Escritor talentoso, tornou-se um dos principais nomes da ficção cientifica, tendo escrito Blade Runner , Minority Report , O Vingador do Futuro , O Vidente e Os Agentes do Destino , entre tantos outros livros que resultaram em adaptações para o cinema. Quando publicou O Homem do Castelo Alto , em 1962, provocou a imaginação do público; descreveu como as potências do Eixo poderiam ter derrotado os Aliados, conquistado definitivamente a Europa e ocupado os Estados Unidos. O romance explica como o pior poderia ter acontecido           No romance de Philip K. Dick, o infortúnio da humanidade começa quando Franklin D. Roos...

Star Trek: um rebbot criativo e empolgante

Imagem
Star Trek: direção de J. J. Abrams NÃO PRECISA SER FÃ INVETERADO PARA SE DELICIAR Por que Star Trek , a série de TV criada em 1966 por Gene Roddenberry, funcionou tão bem no imaginário popular, a ponto de se tornar um latifúndio na cultura pop? Os star trekkers já devem ter se apoderado de um significativo percentual de todos os megabytes disponíveis na internet, tamanha a vastidão de informações compartilhadas sobre as séries, filmes, games, quadrinhos, livros, brinquedos e outras bugigangas derivadas da série original. Geração após geração, o número de fãs incondicionais só aumenta; os anos passam e o sucesso de Star Trek segue em velocidade de dobra, rumo ao infinito e além – para usar aqui um tom de propositada heresia!           Aposto que nem mesmo os marqueteiros detentores dos direitos da franquia conhecem a resposta para a pergunta lá do começo; talvez colecionem um punhado de respostas, que ensejam dezenas de novas perguntas. Vejo esse estrondos...

1984: a data continua como um mau presságio

Imagem
1984: direção de Michael Radford AINDA NÃO FOI EM 1984, MAS... Estava com 23 anos em 1984. Já não era mais um estudante e labutava numa multinacional para fazer minha carreira na publicidade. Então aconteceu uma revolução! Um comercial inovador, dirigido por ninguém menos que Ridley Scott, invadiu nossas televisões e mudou o jeito de pensar a comunicação. O produto anunciado era um novo computador da Apple, batizado de Macintosh – nome de uma variedade de maçã cultivada na Califórnia. O roteiro, criado pelos publicitários Steve Hayden, Brent Thomas e Lee Clow, da agência Chiat\Day, usava como mote o romance 1984 , escrito por George Orwell.           Observe que este famoso comercial de TV, com apenas um minuto de duração, não foi feito para vender um computador, mas para vender uma ideia! Recria a perturbadora cena dos pálidos trabalhadores robotizados, que servem de audiência para uma imensa tela com a imagem ameaçadora do Big Brother. Mas então, acontece...

Siga a Crônica de Cinema