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Mostrando postagens com o rótulo Ficção Científica

Viajantes – Instinto e Desejo: humanos em busca de humanidade

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Viajantes - Instinto e Desejo: direção de Neil Burger O MELHOR E O PIOR DO SER HUMANO, DENTRO DE CADA INDIVÍDUO O nome do diretor Neil Burger estampado nos créditos, foi o que me fisgou. Ele já assinou filmes marcantes, como O Ilusionista e Sem Limites , mas também se dedicou a produções voltadas para um público mais... adolescente, como Divergente . Nesta ficção científica realizada em 2021, intitulada Viajantes – Instinto e Desejo , ele volta a lidar com um elenco jovem, para abordar temas complexos e repletos de desdobramentos. Enquanto assistia ao filme, um sem número de pensamentos convergentes me ocorreu. Se o objetivo do diretor era o de estimular a plateia a fazer reflexões filosóficas, conseguiu. Mas antes de continuar com a minha digressão, será preciso estabelecer a sinopse do filme:           A história de Viajantes – Instinto e Desejo se passa em 2063, quando os cientistas descobrem um planeta próximo à Terra, que oferece todas as condições para acolher a vida humana. Ma

Metrópolis: ficção científica do expressionismo alemão

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Metrópolos: dirigido por Fritz Lang FICÇÃO CIENTÍFICA COM VALOR ARQUEOLÓGICO Metrópolis, o filme de Fritz Lang, foi lançado em 1927. É, portanto, um senhor idoso, com quase 100 anos. Produto comercial de quando o cinema ainda estava em seu nascedouro – ainda era mudo! Mas engana-se quem pensa que o fazer cinematográfico ainda não era industrial naquela época. O austríaco Fritz Lang, o maior nome do expressionismo, era um cineasta consagrado, com grandes obras... Crônica exclusiva para apoiadores. Para continuar lendo, torne-se um apoiador.   APOIE QUEM GERA CONTEÚDO DE QUALIDAE Com apenas R$8,00 você participa da minha campanha na  Apoia.se  e me ajuda a continuar escrevendo novas crônicas. Clique aqui!

Déjà Vu: thriller policial que mistura romance e ficção científica

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Déjà Vu: filme dirigido por Tony Scott UM GRANDE ROTEIRO NAS MÃOS DE REALIZADORES COMPETENTES Todo mundo já experimentou a sensação: um lampejo de memória assume o comando da consciência e nos põe em dúvida acerca da realidade. Ficamos com um duplo registro, onde “já vivi essa situação anteriormente” passa a ocupar o mesmo espaço mental que “nunca vivi essa situação antes”. A impressão é a de que, a qualquer momento, estaremos diante da famigerada tela azul do Windows!           Que experiência instigante é um déjà vu! Enseja especulações em diferentes campos, da psicologia à espiritualidade, passando pela física, química, biologia, até chegar na... ficção científica, quando essa expressão em francês ganha contornos mais divertidos. O filme  Déjà Vu , realizado em 2006 por Tony Scott tem tudo para ser o perfeito exemplo daquilo que já vimos à exaustão no cinema: explosões, tiros, perseguições, vilões desalmados, policiais implacáveis, viagem no tempo... Mas espere! Há vários elementos

O Exterminador do Futuro: seu único objetivo é eliminar o líder da resistência

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O Exterminador do Futuro: direção de James Cameron O EMBATE FINAL ENTRE O HOMEM E A MÁQUINA No início dos anos 1990, estive a trabalho na Coreia do Sul. Recém-aberto para o mundo, o país fervia em otimismo e pujança econômica, mas os coreanos ainda se espantavam ao cruzar na rua com rostos ocidentais. Todos os olhares se desviavam na minha direção, literalmente. Era constrangedor. Certa manhã, numa rua movimentada de Seul, coloquei um par de óculos escuros, para ver se chamava menos atenção. Que nada! Ao dobrar uma esquina, dois garotinhos que brincavam se assustaram ao me ver. Saíram em disparada, aos berros:           – Terminator! Terminator!           Cai na risada. Olhei em volta, para ver se era algum tipo de pegadinha, porque meu porte físico era o oposto exato daquele ostentado por um Schwarzenegger. Além disso, estava usando barbas. E o Exterminado do Futuro não tem barbas! Concluí que bastou um simples par de óculos escuros para me caracterizar como o personagem daquele film

Solaris: filme de 1972 dirigido por Andrei Tarkovski

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Solaris: filme de Andrei Tarkoviski FICÇÃO CIENTÍFICA COM A MÁXIMA DENSIDADE EMOCIONAL O cineasta russo Andrei Tarkovski se dizia um escultor. A matéria-prima com a qual esculpia seus filmes era o tempo. E ele fazia isso com gosto. Seus planos longos se estendem muito mais do que as plateias ocidentais estão acostumadas. Seu cinema é para fazer pensar, ou melhor, para estimular o espectador a meditar. Exige que a audiência traga para a sala de cinema uma bagagem considerável: arte, filosofia, psicologia, história... Demanda conexões que não são todos os cinéfilos que estão dispostos a fazer. Seu filme mais ocidentalizado – e talvez por isso, aquele que dizia menos gostar – é Solaris , uma obra de ficção científica que ele realizou em 1972. O filme é conhecido por rivalizar com o Clássico de Stanley Kubrick 2001 - Uma Odisseia no Espaço , de 1968. Mas essa história de rivalidade é uma bobagem. As duas obras se tocam em apenas dois pontos: o apuro visual envolvido na sua concepção e o fa

Duna: história repleta de significados, com tempero artístico

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Duna: filme de Denis Villeneuve EXCELÊNCIA VISUAL, NUMA ABORDAGEM REALISTA Lembro que assisti ao filme Duna , dirigido em 1984 por David Lynch, em uma sala de cinema. Entrei empolgado, pois além de apreciar o gênero ficção científica, estava prestes a degustar uma produção escrita e dirigida pelo diretor cujo filme anterior havia sido O Homem Elefante . Saí frustrado. Excessivamente alegórico e preso a minúcias teatrais, o filme me pareceu... chato! Mas seu... Crônica exclusiva para apoiadores. Para continuar lendo, torne-se um apoiador.   APOIE QUEM GERA CONTEÚDO DE QUALIDAE Com apenas R$8,00 você participa da minha campanha na  Apoia.se  e me ajuda a continuar escrevendo novas crônicas. Clique aqui! Leia também as crônicas sobre outros filmes dirigidos por Denis Villeneuve: Sicario: Terra de Ninguém A Chegada Blade Runner 2049

Avatar: ficção científica com significados espirituais

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Avatar: filme dirigido por James Cameron VAMOS ACABAR FLUENTES NO IDIOMA NA’VI Quando foi lançado em 2009, o filme Avatar , dirigido por James Cameron, extasiou os amantes da ficção científica. A promessa de imagens espetaculares, geradas por meio de tecnologias de ponta na computação gráfica, foi atrativo mais do que suficiente para me arrastar até um cinema IMAX, onde assisti ao filme em 3D. Precisei comprar os ingressos com antecedência – dois, porque fiz questão de levar Ludy comigo. Minha mulher não é exatamente uma entusiasta do gênero, mas entrou no cinema certa de que aproveitaria bons momentos de entretenimento. Saiu satisfeita, mas sem demonstrar um décimo da empolgação que se apoderou de mim. Na volta para casa, já fazia planos para revisitar o filme tantas vezes quanto fossem necessárias, até investigar todos os seus detalhes.           Para os cinéfilos mais concentrados na arte cinematográfica, Avatar é cinema comercial por excelência, rotulado imediatamente como peça de

A Guerra do Amanhã: ação, ficção científica e drama familiar

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A Guerra do Amanhã: dirigido por Chris McKay QUE FUTURO HAVERÁ PARA NOSSOS FILHOS E NETOS? Temos uma guerra entre russos e ucranianos sendo transmitida ao vivo por todas as plataformas. E uma das incômodas, que produzem cenas tristes, lamentáveis e absurdas de tanta destruição. Quando o conflito eclodiu, o que primeiro chamou a atenção da opinião pública foi a idade dos soldados no campo de batalha. Jovens de 18 ou 19 anos, metidos em uniformes e armados de fuzis, que não conseguem disfarçar a expressão assustada. Entretanto, não há novidade na convocação da juventude para encarar os horrores da guerra. A humanidade faz isso desde sempre. Deixa os donos do poder – eles mesmos os causadores das guerras – na retaguarda, para dar ordens e costurar as narrativas que julgarem apropriadas, enquanto a molecada morre no front. Essa lógica cruel que rege as guerras de verdade aparece invertida no filme A Guerra do Amanhã , dirigido em 2021 por Chris McKay. Nessa ficção científica, quem vai enca

Moonfall - Ameaça Lunar: um filme de catástrofe que é... catastrófico!

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Moonfall - Ameaça Lunar: direção de Roland Emmrich O DESASTRE COMEÇA PELO ROTEIRO! Para contar uma história da melhor maneira possível, é legítimo que um cineasta subverta as leis da física, ignore as forças da natureza e chute para o espaço os princípios da lógica. Só não pode abrir mão da verossimilhança. É preciso manter coerência entre as situações extraordinárias que inventa e o universo interno dos seus personagens. Enquanto o espectador seguir reconhecendo a verdade no fluxo emocional que chega irradiado da tela, pouco importa se a história parece irreal e improvável. Pelo menos ela é verossímil! No filme Moonfall – Ameaça Lunar , dirigido em 2022 por Roland Emmerich, todos os baldes foram chutados, respingando absurdos por todos os lados. Foi tudo em nome do entretenimento, é verdade, mas quem gosta de cinema não se contenta com passatempos. Para ficar no trocadilho, o filme é um desastre.           Quem entra na sala de cinema para assistir a um filme sobre a destruição catast

Distrito 9: ação e suspense numa ficção científica provocativa

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Distrito 9: filme dirigido por Neill Blomkamp UMA DISTOPIA INTELIGENTE FILMADA COM REALISMO PERTURBADOR Em 2005, o cineasta Neill Blomkamp pôs em prática o que aprendeu na Vancouver Film School e realizou um curta-metragem de seis minutos, intitulado Alive in Joburg . Era ficção científica na veia, filmado em Joanesburgo, na África do Sul, cidade natal de Blomkamp. Explorava temas ao redor do regime de apartheid, combinando uma linguagem documental com efeitos visuais realistas. Mostrava como refugiados alienígenas, vindos do espaço, estavam disputando território e recursos com a população empobrecida da cidade, despertando medo, ódio e fúria xenófoba. Uma metáfora provocativa que ganhou a internet e alavancou a carreira do cineasta.           Por uma conjunção de fatores comerciais, Neill Blomkamp se viu novamente diante do tema em 2009, dessa vez para rodar o filme Distrito 9 , uma adaptação daquele seu curta. Juntou-se à sua colega Terri Tatchell e escreveram o roteiro, expandindo a

Logan: filme de 2017 mostra o ocaso de Wolverine

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Logan: filme dirigido por James Mangold PARA OS FÃS QUE GOSTARIAM DE VER O PERSONAGEM COM MAIS PROFUNDIDADE DRAMÁTICA Acordei, olhei minha imagem no espelho enquanto cuspia a espuma azulada de uma droga de pasta de dente que comprei por engano e sacudi a cabeça, num gesto irritado de negação: estou ficando velho e rabugento! Quisera que fosse mais rabugento do que velho, mas temo que o tempo esteja vencendo essa corrida. Na noite anterior havia assistido ao filme Logan , dirigido em 2017 por James Mangold e ainda estava atordoado com aquele rápido mergulho no mar raso dos filmes de super-heróis. Por insistência da minha filha – ela jurou que esse era menos infantilizado - resolvi encarar o desafio.           Antes que o leitor me acuse de preconceituoso, deixe-me esclarecer: adoro histórias em quadrinhos e as considero uma arte narrativa riquíssima. Já consumi muitos quadrinhos e muita literatura sobre o assunto. Já assisti a vários filmes de super-heróis e outros originados dos quadri

Não Olhe Para Cima: sátira política para os bons entendedores

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Não Olhe Para Cima: dirigido por Adam McKay SOBRAM FARPAS E CRÍTICAS PARA TODOS OS LADOS Pronto, o impacto midiático de Não Olhe Para Cima , filme de 2021 dirigido por Adam McKay, já passou. A onda de sucesso ressoou por vários dias – será que durou duas semanas? Seu estrondo se fez ouvir por todos os sites de entretenimento e feeds das redes sociais. Virou o assunto da hora. Todos tentaram tirar proveito do filme, garantindo audiência para seus comentários, críticas, análises, comparações... Quem tinha algo de inteligente a dizer, já o fez. Quem teve ideia para um meme, já postou. Quem precisava marcar território no campo ideológico, fincou sua bandeira. Agora, sobraram o vento e o silêncio. O sabor de novidade se diluiu no caldo morno da cultura popular e voltamos ao habitual estado de espera pela próxima sensação do momento.           Não Olhe Para Cima foi feito da mesma substância fugitiva que tentamos agarrar todos os dias nas telas dos nossos celulares, mas que insiste em escor

Laranja Mecânica: um clássico que já foi proibido

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Laranja Mecânica: filme dirigido por Stanley Kubrick UMA HISTÓRIA SOBRE A VIOLÊNCIA, O CONTROLE DO ESTADO E A LINGUAGEM COMO INSTRUMENO DE TRANSFORMAÇÃO Era um garoto de dez anos quando Laranja Mecânica foi realizado por Stanley Kubrick em 1971. Por volta dos quinze, fiquei sabendo da existência do polêmico filme, porque a mídia o abordava em frequentes reportagens – o próprio diretor, vejam só, havia pedido para banir a película das salas de exibição na Inglaterra, por ser hiperviolenta e sexualmente apelativa. Além disso, as estrelas do rock britânico estavam sempre fazendo referências ao filme, mantendo acesa a curiosidade do resto do mundo. Enquanto isso, no Brasil, Laranja Mecânica estava proibido de pôr os pés.           Por óbvio, minha curiosidade se voltou primeiro para o título do filme. Que serventia teria um tal mecanismo em forma de laranja? Mais tarde descobri se tratar de uma expressão criada pelo autor do livro, Anthony Burgess, para se referir ao sujeito que, por for