Crítica | Uma Vida de Esperança: Hilary Swank brilha nessa história real e emocionante

Uma Vida de Esperança: direção de Jon Gunn
ACONTECIMENTOS VERDADEIROS E INSPIRADORES
Antes de tudo, é preciso lembrar que este filme tem dois títulos. Quando assisti na plataforma de streaming, era Uma Vida de Esperança, dirigido em 2024 por Jon Gunn; mais tarde, pesquisando na internet, encontrei o filme como Anjos da Terra. Não sei qual é o motivo disso, mas uma forma de eliminar confusões é mencionando o título original: Ordinary Angels. Trata-se de um drama baseado em fatos, que ocorreram em 1994 na cidade de Louisville, estado americanos do Kentucky. Conta a história emocionante e inspiradora de uma família que, durante uma forte nevasca, ganha ajuda de toda a comunidade para salvar a vida da filha doente.Uma história bem contada
Milagre! Esta é a palavra que evocamos ao longo do filme, na medida em vamos conhecendo os detalhes da história. Aliás, podemos prever exatamente quais rumos ela vai tomar e quais serão os arcos dos personagens. Curiosamente, porém, seguimos hipnotizados, porque é uma história muito bem contada; o roteiro é consistente, as atuações são emocionantes e há um tempero de fé cristã que dá o tom edificante. Uma Vida de Esperança beira o inacreditável, mas é um filme honesto e repleto de drama humano. Antes de seguir adiante, vejamos a sinopse:
Uma Vida de Esperança: Hillary Swank e Alan Ritchson em ótimas atuações
Complicações em série
O filme conta a história de Sharon Stevens (Hilary Swank), uma cabelereira espalhafatosa que enfrenta sérios problemas com o alcoolismo. Ela descobre pela mídia que Michelle Schmitt (Emily Mitchell), uma garotinha de cinco anos que acabou de perder a mãe, precisa com urgência de um transplante de fígado. Pronto! Encontrou uma causa pela qual lutar e decide mover o mundo para ajudar. Acontece que Ed (Alan Ritchson), o pai da garotinha, é um homem falido, encurralado pelo luto e pela impossibilidade de juntar a exorbitância de dinheiro necessária para a cirurgia da filha. Entre Sharon e Ed há uma forte tensão inicial, que só aumenta na medida em que as complicações em série vão surgindo. E os problemas assumem proporções tão gigantescas que só podem ser resolvidos com a ajuda da comunidade, e com a interferência do divino, é claro!Uma protagonista esfuziante
Sharon Stevens, a personagem interpretada por Hillary Swank, tem personalidade forte e uma teimosia proverbial. Os cinéfilos atentos ficarão tentados a compará-la com a protagonista de Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento, mas terão que reconhecer: ela irradia autenticidade. Hilary Swank, aliás, é a potência dramática do filme! Ela atua com naturalidade e verossimilhança, interpretando uma mulher extravagante, com certo pendor kitsch.
Uma Vida de Esperança: tristeza que resulta em eventos inspiradores
Uma surpresa no elenco
Alan Ritchson é outra grande surpresa em Uma Vida de Esperança. Quem o conhece protagonizando cenas de ação, encarando a violência com naturalidade e desenvoltura na série Jack Reatcher, mal acreditará que se trata do mesmo ator. Ele dá conta do recado interpretando um Ed Schmitt contido e reservado, vulnerável diante de todas as dificuldades e sofrimentos que a vida lhe reservou.Um roteiro certeiro
Os fatos dramatizados em Uma Vida de Esperança estão fartamente documentados. Os jornais locais e as emissoras de TV tiveram um envolvimento direto, deixando para os realizadores um farto material para embasar a produção. Quem começou o projeto foi o produtor executivo, Rick Baker, que é de Louisville. Ele conseguiu os direitos da história e envolveu a atriz e roteirista Meg Tilly na escrita do roteiro. Anos depois, o produtor Jon Berg assumiu o projeto e contratou do diretor Jon Gunn, que por sua vez convocou Kelly Fremon Craig para escrever o tratamento final – a diretora e roteirista tem no currículo o ótimo Crescendo Juntas. Nas mãos de profissionais experientes, o filme ganhou em força dramática e verossimilhança.
Uma Vida de Esperança: Hilary Swank é a potência dramática do filme
Emoção e sentido de urgência
O diretor e roteirista Jonathan Gunn, conhecido no cinema independente por filmes que abordam a fé cristã, deu a Uma Vida de Esperança um estilo conciso e objetivo. Seu cinema é convencional, focado nos personagens e atento aos beats emocionais de todas as cenas. Ele consegue imprimir um sentido de urgência no último ato, quando a histórica nevasca que desceu sobre a cidade de Louisville parece quere enterrar qualquer esperança de um final feliz. Mas pode ter certeza, ele virá!Toques pertinentes de humor
É curioso como o diretor conseguiu intercalar cenas bem-humoradas ao longo de Uma Vida de Esperança. A história que ele conta é de uma tristeza profunda – a garotinha de cinco anos, que perdeu a mãe e herdou dela uma patologia cruel e potencialmente fatal, é de cortar o coração; ainda bem que Jon Gunn intercala cenas que trazem algum alívio e dão ao espectador a oportunidade de respirar. Isso dá ao filme um jeitão de “sessão da tarde”, que para muitos cinéfilos é sinal de demérito. Não me incomodei com isso. Quando chegaram os créditos finais e as cenas reais são exibidas, a única palavra que me veio à mente foi: milagre!Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Jon Gunn, as atuações excelentes de Hilary Swank e Alan Ritchson, o roteiro bem escrito e a trilha sonora envolvente.
O que decepciona: a insistência em atenuar os profundos traços de tristeza da história ressaltaram o tom kitsch e trouxeram um clima de sessão da tarde.
Vale a pena. Conta uma história edificante e inspiradora.
Ficha técnica do filme Uma Vida de Esperança
Título original: Ordinary Angels
Ano de produção: 2024
Direção: Jon Gunn
Roteiro: Meg Tilly, Kelly Fremon Craig e Jeffrey Knight
Elenco:
Direção: Jon Gunn
Roteiro: Meg Tilly, Kelly Fremon Craig e Jeffrey Knight
Elenco:
- Hilary Swank
- Alan Ritchson
- Emily Mitchell
- Skywalker Hughes
- Nancy Travis
- Tamala Jones
- Don Mike
- Ryan Allen
- Drew Powell
- Andrea del Campo
- Dempsey Bryk
- Stephanie Sy
- Curtis Moore
- Erik Athavale
- Neil Shah
- David Lawrence Brown
- Cliff Sumter
- Darcy Fehr
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