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Nada de textos jornalísticos, fofocas sobre astros ou curiosidades de bastidores. Vemos o cinema pelo ponto de vista de quem está sentado na poltrona!

        Oficialmente, Ludy e eu estamos casados há 34 anos, mas já comemoramos nosso 35º aniversário – adicionamos seis meses de namoro e seis meses de noivado. O que acontece entre nós é que há um gostar de estar na companhia um do outro que faz o tempo passar depressa demais. Logo de cara descobrimos que nos amávamos. Na medida em que o cotidiano veio se impondo, esse amor foi tomando forma, aumentando, amadurecendo, ganhando concretude e se tornando vital.
        Casal perfeito? Longe disso! Brigamos, nos magoamos mutuamente, fazemos as pazes, nos orgulhamos um do outro, nos irritamos um com o outro e cobramos um ao outro. Somos exigentes, condescendentes, perdoamos, impomos condições, rimos das nossas piadas, cuidamos um do outro e cada um do seu próprio nariz. Mas é da nossa natureza compartilhar tudo nessa vida, o que nos faz companheiros em tempo integral.
Passados 35 anos, não tenho dúvidas: nos amamos e ponto!
        A preocupação em cuidar da saúde – que devo confessar é maior nela do que em mim – fez com que adotássemos um hábito que cultivamos desde sempre: as caminhadas diárias, com uma hora de duração. Vá lá, as caminhadas são “quase” diárias, já que os compromissos profissionais, o mau tempo, os imprevistos, a preguiça e as mais variadas desculpas vêm para atrapalhar nossos planos. Porém, sempre determinada e disciplinada, é Ludy quem acaba me lavando para caminhar.
        Dependendo do horário, da agenda e da disposição em pegar o volante para encarar o trânsito, caminhamos nos parques ou pelo bairro mesmo. Durante a nossa hora de caminhada, não fazemos outra coisa senão conversar. E como conversamos! Falamos sobre tudo. O que não nos falta é assunto.
        Os temas surgem de acordo com os humores e vão sendo esmiuçados até que se esgotam, para serem substituídos por novos temas desencadeados pelo livre pensar. Nossos pais, nossas famílias, nossa filha, os colegas, os amigos, as relações profissionais, cinema, lembranças de viagem, política, finanças, espiritualidade, saúde, ideias, planos, frustrações, desejos...
        Falamos e ouvimos o tempo todo. Concordamos, divergimos, entramos em consenso ou simplesmente paramos de discutir para evitar dissabores. Mas o resultado a que chegamos é sempre o mesmo: aumentamos o nosso repertório de vida. Amadurecemos um pouco mais a cada caminhada!
        Caminhar com a Ludy é um exercício do qual já não posso prescindir. Com o perdão da metáfora, tenho que dizer: encontrei nela a melhor parceira de caminhada que existe. Nossos pares de tênis contam alta quilometragem e contabilizam as horas de conversas que acumulamos. Sem exageros, afirmo que todos os saberes e experiências que já adquiri nessa vida foram discutidos, avaliados, depurados e estabelecidos de fato ao longo dessas caminhadas. O que sei e o que sou hoje, devo a esse caminhar cotidiano.
        Há tempos vinha tentando dar vazão a esse mar de ideias e reflexões no qual estou mergulhado ao longo de toda a vida. Sempre tive uma forte necessidade de expressar meu ponto de vista sobre os muitos assuntos que prendem meu interesse, em especial o cinema. E a ideia de criar um blog para canalizar tal correnteza nasceu em uma dessas caminhadas com a Ludy. Percebendo que havia disponibilidade, motivação e conteúdo para alimentar algumas páginas de textos semanais, decidi empreender.
        Crônica de Cinema tem uma razão de ser: tornar-se uma extensão do meu caminhar com a Ludy. O cinema é o tema recorrente, que serve de pretexto para falar sobre todos os assuntos do cotidiano. Como acontece com toda caminhada, esta seguirá o percurso e os prazos que já tenho em mente, mas... quem garante que tudo sairá dentro dos conformes? Não me arrisco a prever nada. Vamos descobrir os resultados ao longo do tempo. Algumas caminhadas de uma hora duram uma eternidade, outras terminam rápido. Tudo depende dos humores, dos assuntos e da disposição em caminhar.
        As minhas caminhadas com a Ludy nunca são iguais. Quando voltamos para casa, sempre chego com a próxima caminhada já agendada para o dia seguinte. Não tenho a menor intenção de parar. Ainda quero percorrer muitos quilômetros, mas sei que o tempo vai passar depressa. Vejam só! Bastou uma olhadela no relógio para constatar: já estamos caminhando há 35 anos!
        O que acontece entre mim e a Ludy é que há um gostar de estar na companhia um do outro que faz o tempo passar depressa demais! É assim que o tempo se comporta quando estamos caminhando, conversando e nos divertindo. Ele voa!

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