Crítica | Eu Sou a Lenda: essa versão com Will Smith é um vibrante filme de ação

Eu Sou a Lenda: filme dirigido por Francis Lawrence
UMA IMAGEM PODEROSA NAQUELES DIAS DE PANDEMIA
Eu Sou a Lenda, dirigido em 2007 por Francis Lawrence, é a terceira adaptação do livro homônimo de Richard Matheson, publicado em 1954. A primeira foi Mortos Que Matam, de 1964, dirigido pela dupla Sidney Salkow e Ubaldo B. Ragona e estrelado por Vincent Price. Depois veio A Última Esperança da Terra, de 1971, dirigido por Boris Sagal e estrelado por Charlton Heston. Talvez por ser o mais recente, foi o remake estrelado por Will Smith que ficou gravado em minha mente e veio à tona quando precisei encarar os desafios da pandemia do Covid19.
Trancados em casa, olhando as ruas desertas
Lembro que naqueles dias de confinamento draconiano, Ludy e eu nos trancafiamos no apartamento por duas semanas. Não vimos necessidade de sair à rua, já que conseguia atender meus clientes pela internet e minha mulher estava aposentada. Preferimos espiar o desenrolar dos acontecimentos pela televisão. E como qualquer cinéfilo que se preza, relaxei; resolvi assistir aos filmes e séries na TV que transbordavam pelos serviços de streaming. É claro que não resisti à tentação de revisitar o filme Eu Sou a Lenda; achei oportuno viver as experiências do protagonista.
Gosta de analisar os filmes em profundidade?
Se você prefere as resenhas detalhadas, com indicações de bons filmes, adoraria lhe enviar a minha newsletter gratuita. Toda semana tem um texto novo e exclusivo, que você pode receber direto no seu e-mail. Junte-se à comunidade da Crônica de Cinema!
Inscreva-se grátis clicando aquiEu Sou A Lenda: a luta de Robert Neville para encontrar a cura

Eu Sou a Lenda: tentando preservar o que nos resta de humanidade
A Sinopse: solidão de dia, zumbis à noite
Em Eu Sou a Lenda, o virologista Robert Neville (Will Smith) se torna o único sobrevivente em Nova Iorque, depois que um vírus letal – desenvolvido para ser a grande cura do câncer – sai de controle e dizima a população. A pandemia também transforma alguns poucos em zumbis vampirescos, condenados a viver nos escombros da cidade, escondidos da luz solar. Por sorte, Neville é um virologista e continua suas experiências na tentativa de encontrar a cura para essa nova doença. Por sorte, ele não está sozinho, outros gatos pingados aparecem para ajudá-lo, como a brasileira Anna (Alice Braga). Por azar, os violentos zumbis continuam se proliferando e saem à noite para tentar acabar com os últimos vestígios de humanidade.
Uma produção competente
O roteiro de Eu Sou a Lenda foi assinado por um time, comandado por Akiva Goldsman. À frente de um incontável número de produções hollywoodianas – a desse filme, inclusive – ele é o tipo de profissional que está o tempo todo nos sets de filmagem e se envolve em cada cena. É no calor das filmagens que ele toma as decisões que vão definir a narrativa e impactar no resultado final da obra. Quanto ao diretor Francis Lawrence, cujo currículo está recheado de produções hollywoodianas de sucesso comercial, demonstrou competência e desenvoltura ao lidar com os elementos de um filme de ação.
Eu Sou a Lenda: tentando preservar o que nos resta de humanidade
As várias versões dessa história
Entre os cinéfilos, Eu Sou a Lenda abriu um debate acalorado: qual é, afinal, a melhor versão dessa história? Em vez de pôr mais lenha nessa fogueira, quero lembrar apenas que qualquer adaptação literal do conciso romance original seria um produto cinematográfico limitado. Desenvolvimentos e acréscimos são inevitáveis e sempre desagradam os puristas. Não importa! Pelo menos temos três versões para apreciar, analisar, criticar e saborear, acomodados no sofá com o controle remoto na mão!
Nova York deserta e a realidade do meu bairro
Will Smith vagando sozinho por uma cidade fantasma, habitada apenas por caças ligeiras e feras selvagens foi uma imagem poderosa naquelas primeiras semanas de pandemia! Traduziu à perfeição o que senti no dia em que precisei por os pés fora de casa, com a missão de abastecer a geladeira. Encontrei meu bairro deserto! Nada de carros em circulação, só o silêncio aterrorizante. Estou exagerando? É claro que sim! Mas consegui mostrar o tamanho da angústia que senti. E quem assistiu ao filme, fez nessas poucas linhas a mesma caminhada; pegou carona na minha analogia cinematográfica e viajou pelas ruas vazias do próprio bairro. Chegou a ouvir a trilha sonora, sincronizada com seu batimento cardíaco.
O cinema traz experiências inusitadas
Esse é o poder do cinema! Ele nos dá a oportunidade de encarar experiências emocionais intensas, de vivenciar situações inusitadas, de confrontar realidades com as quais não nos deparamos no dia-a-dia. Aprendemos com o cinema e trazemos seus ensinamentos na nossa bagagem de vida. E o mais importante: usamos o cinema como referência para nos comunicar. Para compartilhar emoções. Para nos fazer entender. Mesmo os filmes que servem apenas para distrair, como é o caso de Eu Sou a Lenda, nos puxam para a realidade ao redor. Esse tipo de relação intensa, mantemos não só com o cinema, mas também com a literatura, com as histórias em quadrinhos... Com todas as artes narrativas.
Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!
Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: os efeitos visuais, a bela concepção gráfica e a direção segura de Francis Lawrence.
O que decepciona: os realizadores se rendem ao imperativo da ação externa e nem se dão ao trabalho levantas questões filosóficas e psicológicas inerentes ao tema.
Vale a pena. É entretenimento de qualidade.
Ficha técnica do filme Eu Sou a Lenda
Título original: I Am LegendAno de produção: 2007
Direção: Francis Lawrence
Direção: Francis Lawrence
Roteiro:
- Mark Protosevich
- Akiva Goldsman
- John William Corrington
- Joyce Hooper Corrington
Elenco principal:
- Will Smith
- Alice Braga
- Dash Mihok
- Charlie Tahan
- Salli Richardson-Whitfield
- Willow Smith
- Darrell Foster
- Emma Thompson
- April Grace
- Joanna Numata


Excelente crônica. Também penso assim, aliás Arte é esse instrumento de reconhecimento do mundo e no mundo.
ResponderExcluirObrigado, Angela. Concordo com você, e para ser ainda mais filosófico, falaria em mundos: o mundo interno e o externo.
ResponderExcluirÓtima crônica. Gosto mais da versão de 75.
ResponderExcluirAh, Douglas, também gosto mais do filme com o Charlton Heston. Lembro que assisti quando garoto e fiquei impressionado!
ExcluirÓtima crônica. Gosto mais da versão de 75.
ResponderExcluirTodos os filmes são ruins mas eu sou a lenda é o pior o que até o superestimado Will Smith admite. A ideia do livro é que o protagonista é uma aberração e no filme ele acha que é o único normal. Ridículo
ResponderExcluirOs realizadores criaram o filme pensando na bilheteria. Todo o resto gira em torno disso. As ideias e reflexões do autor do livro foram desprezadas.
Excluir