Guerra Mundial Z: é "Z" de Zumbi mas tem muito "A" de ação!


Guerra Mundial Z: filme dirigido por Marc Forster

BASTAM DEZ SEGUNDOS PARA O VIRUS INFECTAR E POUCAS CENAS PARA CAPTURAR SUA ATENÇÃO

Resolvi comentar aqui na Crônica de Cinema sobre o filme Guerra Mundial Z, uma produção americana de 2013 estrelada por Brad Pitt. – Ora, mas é um filme de zumbis! – reclamariam aqueles mais interessados em ler sobre produções autorais e edificantes. Confesso que relutei em assistir a esse filme. Zumbis sempre foram repugnantes e deveriam ficar restritos aos trash movies. Mas, depois que embarquei no enredo que ele descreve, adorei a experiência!
        Em Guerra Mundial Z os zumbis são produto de um vírus desconhecido, que se alastra com rapidez assombrosa – em apenas 10 segundos a vítima se transforma em um voraz transmissor da doença, cujo único propósito é disseminar o vírus. A velocidade e o sentido de urgência assumem o comando do filme logo nas primeiras cenas e somos conduzidos assim até o final, num ritmo impecável. Note que não se trata de mera ação desenfreada. Há coerência e motivação em cada movimento, além de pausas estratégicas para respirar e dramatizar as histórias dos personagens.
        O ponto alto do filme é o seu roteiro preciso, escrito por um verdadeiro time de roteiristas. A estrutura narrativa é simples. Segue linearmente, sem ações paralelas, contando a história de como o ex-investigador da Organização Mundial de Saúde, vivido por Brad Pitt, se desdobra para encontrar a cura e proteger sua família. A ação não fica contida em uma remota cidadezinha americana qualquer. Ela acontece em escala global – a mesma que rege nossas vidas nos dias atuais.
        Estamos diante do cinema de proporções industriais, feito para entreter e fazer bilheteria. E tudo funciona à perfeição nas mãos de Marc Forster, um diretor experiente, com histórico de bons resultados em filmes e séries. Suspense, perseguições, desastres, atos de heroísmo, sacrifícios, tiros, lutas... Todos os ingredientes clássicos dos filmes de ação entram na mistura e criam um produto palatável, até mesmo para os que não apreciam o visual asqueroso dos zumbis – houve o cuidado e o bom senso de se evitar as cenas sanguinárias, tradicionais no gênero terror.
        Os efeitos visuais compõem um espetáculo à parte. Eles estão postos a serviço do roteiro. Os exageros são críveis e contribuem para dramatizar as cenas. Há uma direção de arte que dá personalidade ao filme e os personagens têm forte presença na tela, o que permite que criemos empatia com eles. A trilha sonora é de uma simplicidade brilhante – e eficiente em manter a atmosfera de tensão e suspense, que por vezes é de tirar o fôlego.
        Falo com empolgação sobre Guerra Mundial Z porque encontrei nesse filme mais do que entretenimento. Encontrei um objeto de estudo acerca da arte de contar histórias. Ele mostra como ação e dramatização em medidas exatas podem segurar a atenção do espectador, ainda que o jogo narrativo aconteça sobre um tabuleiro construído de clichês e peças marcadas.



Fabio Belik é autor do livro Ventania

Um romance com sotaque de cinema. Em 278 páginas narra a história de Daniel, um garoto de 9 anos que em 1969 se vê às voltas com o abandono, vivendo momentos de amadurecimento e superação. À venda no Clube de Autores.


Filme: Guerra Mundial Z


Ano de produção: 2013
Direção: Marc Forster
Roteiro: Matt Carnahan, Drew Goddard e Damon Lindelof
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale e Matthew Fox

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