Crítica | Nasce Uma Estrela: a versão com Barbra Streisand e Kris Kristofferson tem a melhor produção musical

Nasce Um Estrela: direção de Frank Pierson
RECEITA DE SUCESSO, QUE JÁ RENDEU CINCO VERSÕES
As histórias de fracasso são tão memoráveis quanto as de sucesso. E quando ambas são servidas no mesmo prato, o público vai ao êxtase. Esta foi a receita usada para realizar Nasce Uma Estrela, filme que Frank Pierson dirigiu em 1976. Chegou aos cinemas como uma obra requentada – outras versões já estavam consolidadas no imaginário do púbico. Esta, no entanto, agradou ao paladar dos cinéfilos que reconhecem o valor de uma boa história bem contada. Tinha à frente do elenco os nomes de Barbra Streisand e Kris Kristofferson, acompanhados de uma produção musical caprichada.
Muitas versões da mesma história
Hollywood apresentou esse enredo pela primeira vem em 1932, com o filme intitulado What Price Hollywood?, dirigido por George Cukor e estrelado pela dupla Constance Bennett e Lowell Sherman. Usando os mesmos ingredientes, misturados com habilidade, Hollywood preparou todas as demais versões, agora com título Nasce Uma Estrela. A de 1937 foi dirigida por David O. Selznick e estralada por Janet Gaynor e Fredric March. Em 1954 George Cukor voltou a contar a história, dessa vez dirigindo Judy Garland e James Mason.

Nasce Uma Estrela: Barbra Streisand e Kris Kristtoferson em atuações marcantes
Uma potência musical
Esta versão de 1976 explorou o carisma de Barbra Streisand e Kris Kristofferson. O filme foi mal avaliado pela crítica, mas conquistou o público e também o Óscar de melhor canção original – Evergreen, assinada por Barbra Streisand e Paul Williams. A inegável potência artística da cantora trouxe um fôlego renovado para a história, embora a construção dos personagens tenha sido tradada com descaso pelos roteiristas. É inevitável: os fãs fazem as mais diversas comparações com a interpretação histórica de Judy Garland na versão de 1954.A sinopse: enquanto um sobe, o outro desce
Em Nasce Uma Estrela do diretor Frank Pierson, John (Kris Kristofferson) é um astro consagrado do rock, capaz de reunir milhares de espectadores em grandes estádios. Quando se envolve com a iniciante Esther (Barbra Streisand), cantora talentosa, porém confinada aos bares e habituada a fazer pequenos bicos em estúdios de gravação, ele se apaixona. Para ele, é óbvio e natural tentar dar um impulso na carreira da garota, mas a partir daí o andar da carruagem é amplamente conhecido: enquanto John se afunda em bebidas e drogas, Esther ascende ao estrelato e sobrepuja seu patrocinador. O envolvimento romântico dos protagonistas é pontuado por dramas, tristes conflitos e muita música pop.
Nasce Uma Estrela: produção musical caprichada
Cinco versões e contando
A última versão de Nasce Uma Estrela, dirigida e estrelada por Bradley Cooper, com a presença de Lady Gaga, segue a cartilha das demais versões, porém sem a mesma competência artística que consagrou a história. É claro que não se pode rotular nenhuma das cinco versões como definitiva, afinal, novos talentos e personalidades carismáticas podem acrescentar mais profundidade aos personagens no futuro. Além disso, os produtores de cinema certamente encontrarão bons motivos comerciais para realizar mais um remake.Fama e sucesso como objetivos de vida
Com o tempo, a palavra sucesso ganhou significados subjetivos e se tornou aquilo que cada um bem entender. Tal como a palavra qualidade, que já é empregada sem qualquer complemento para significar apenas atributos positivos, o sucesso agora sibila provocações e atiça as almas em busca de reconhecimento. Insinua que só há êxito verdadeiro quando os aplausos são ensurdecedores, quando os “likes” se contam aos milhões, quando nossos feitos alcançam multidões. Sucesso passou a andar abraçado com a fama e contabilizado em cifras. Sem fama, não há sucesso; sucesso é a escada que leva à fama! Para os distraídos, parecem sinônimos. Para os afoitos, tornaram-se objetivos de vida.

Nasce Uma Estrela: melodrama em excesso
Aposto que virão outras versões
Há dois caminhos para alcançar fama e sucesso. O mais difícil é seguir pelo trabalho duro, obstinado e disciplinado. O mais fácil – e também o menos acessível – é encontrar um atalho, geralmente proporcionado por um patrocinador. O público sabe reconhecer qual das duas trajetórias o famoso percorreu, mas releva; agora que ele alcançou o sucesso, palmas para ele! O público também presta atenção no tráfego que segue na contramão. Quando o famoso escorrega ladeira abaixo, despenca para o fracasso e depois para o ostracismo, a audiência fica alvoraçada. Alguns se põe comovidos, outros reagem com gana sádica. Nasce Uma Estrela segue nas duas direções e por isso tem ingredientes de sobra para outras versões futuras. Só espero que não venham nos servir pratos requentados. Essa história merece receber o realce dos bons temperos artísticos.
Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: as atuações de Barbra Streisand e Kris Kristtoferson e a produção musical caprichada.
O que decepciona: os realizadores se rendem ao melodrama e renegam profundidade suficiente aos personagens para sustentar uma boa dramatização.
Vale a pena. É entretenimento de qualidade.
Ficha técnica do filme Nasce Uma Estrela
Ano de produção: 1976Direção: Frank Pierson
Roteiro: John Gregory Dunne, Joan Didion e Frank Pierson
Elenco:
- Barbra Streisand
- Kris Kristofferson
- Gary Busey
- Paul Mazursky
- Joanne Linville
- Oliver Clark
- Venetta Fields
- Clydie King
- Sally Kirkland
- Marta Heflin
- Rita Coolidge
- Tony Orlando
- Uncle Rudy
- Susan Richardson
- Robert Englund
- Maidie Norman
- Martin Erlichman
- M.G. Kelly
Houve a intenção de colocar Elvis Presley no papel do parceiro da personagem de Streisend. Mas após os primeiros preparativos vieram desentendimentos entre o empresário Tom Parker que não concordou com uma produção com Presley em segundo plano. Por isso desistiram e o papel foi assumido por Kristofferson.
ResponderExcluirPuxa, não sabia dessa história. Entendo as razões do de Tom Parker e acho que muitos fãs não gostariam de ver Elvis posando de astro decadente.
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