Crítica | De Volta Para o Futuro: Um filme que vai funcionar por muito tempo ainda

Cena do filme De Volta Para o Futuro
De Volta Para o Futuro: filme dirigido por Robert Zermeckis

O TRUNFO ESTÁ NOS PERSONAGENS

Com o perdão do trocadilho, De Volta Para o Futuro (1985), dirigido por Robert Zemeckis, é um dos filmes mais amados de todos os... tempos. Se tivesse que escolher uma única palavra para defini-lo, seria “diversão”. Seu principal trunfo está nos personagens, criados pelo roteirista Bob Gale e por Zemeckis; é ao redor deles que orbitam todas as grandes sacadas criativas que transformaram o filme numa das obras-primas da cultura pop. O protagonista é um adolescente de 17 anos que tem a desventura de voltar no tempo, apenas para conviver com os próprios pais, que fervilham na plenitude da adolescência. O conflito de gerações entre imaturos da mesma idade é explosivo! Mas não fica só nisso: Temos também o contraponto do cientista destrambelhado, com total desapego aos métodos científicos, cuja capacidade de armar confusões é proverbial. Antes de seguir em frente, vejamos a sinopse do filme:

Paradoxos desconcertantes

        De Volta Para o Futuro conta a história de Marty McFly (Michael J. Fox), um garoto de 17 anos que leva uma vida normal em uma cidadezinha da Califórnia. Tem problemas na escola, problemas com a família, quer um carro para sair com a namorada, sonha em ter uma banda... A única anormalidade na sua vida é a amizade que mantém com o Doutor Emmet Brown (Christopher Lloyd), um cientista alucinado que converteu seu DMC DeLorean em uma máquina do tempo.

Cena do filme De Volta Para o Futuro
De Volta Para o Futuro: comédia de ficção científica para todas as idades

        Por um desses azares da ficção científica, durante o primeiro teste do carro, Marty aciona os circuitos do tempo e viaja para 1955. Lá ele acidentalmente atrapalha o namoro dos próprios pais e cria um paradoxo que vai impedi-lo de ter nascido. O único que pode resolver o problema é Doc Brown, ou melhor, sua versão ainda mais amalucada de 1955.

Profusão de subtramas

        O roteiro é uma viagem de ida e volta no tempo, sem deixar de ser linear. Costura uma grande quantidade de subtramas: o pai de Marty é um banana medroso e incorrigível, sua mãe em nada se parece com a recatada que finge ser, Doc Brown não tem a menor ideia de como operar a máquina do tempo, o valentão da escola faz de tudo para piorar a situação... O ano de 1955 reserva um enorme choque cultural para o rapaz, que terá que lidar com os jovens de uma geração mais ultrapassada que a sua, no exato momento em que experimentam novidades como o nascimento do rock n' roll, a prosperidade econômica e o imperativo da comunicação de massa.

Cena do filme De Volta Para o Futuro
De Volta Para o Futuro: elementos que viraram ícones da cultura pop

Difícil de emplacar

Com o envolvimento de Steven Spielberg como produtor executivo, a produção ganhou contornos industriais e recebeu a intervenção de diversos profissionais criativos. A equipe construiu todo um universo repleto de símbolos e ícones, que se popularizaram ao longo de décadas e se desdobraram em incontáveis subprodutos: gibis, desenhos animados, peças de merchandising, videogames... Mas a vida não começou fácil para De Volta Para o Futuro. Antes de conseguirem a adesão de um grande estúdio, Zemeckis e Gale tiveram seu roteiro rejeitado mais de 40 vezes. Como comédia de ficção científica, o filme conseguia abordar o tema da viagem no tempo dentro de uma lógica que fazia todo o sentido, mas esbarrava nos costumes da época. Alguns queriam que os temas adolescentes fossem tratados com mais picardia e referência sexuais, a exemplo das comédias de sucesso nos anos 80. Outros não admitiam incluir as crianças como público alvo, já que a história apresentava uma mãe apaixonada pelo próprio filho.

Uma bem-sucedida aventura narrativa

        Para nossa sorte, a visão de Robert Zemeckis ganhou na queda de braço com os estúdios; o diretor ganhou carta branca, especialmente depois do sucesso comercial do seu filme anterior, Tudo Por Uma Esmeralda. O filme De Volta Para o Futuro, junto com suas duas sequências igualmente divertidas, nos mostraram que avançar e recuar no tempo não é privilégio de cientistas visionários, com seus aparatos tecnológicos. Um narrador habilidoso também consegue conduzir o espectador com precisão pelos labirintos do antes e depois!  Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!

Veredito da crônica de cinema

★★★★★(5 / 5 estrelas)

O que brilha: a direção criativa de Robert Zemeckis, o roteiro muito bem escrito, a atuação magnética de Michael J. Fox e Christopher Loyd, a fotografia impecável e a trilha sonora envolvente.

O que surpreende: os realizadores souberam calibrar a história e suas subtramas para alcançar um amplo espectro de público, ampliando a durabilidade de uma produção que ainda tem potencial para agradar gerações futuras.

Imperdível. É entretenimento de alta qualidade.

Ficha técnica do filme De Volta Para o Futuro

Data de produção: 1985
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Bob Gale e 
Robert Zemeckis

Elenco:
  • Michael J. Fox
  • Christopher Lloyd
  • Lea Thompson
  • Crispin Glover
  • Thomas F. Wilson
  • Claudia Wells
  • James Tolkan
  • Marc McClure
  • Wendie Jo Sperber

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