Crítica | O Garoto: um século inteiro emocionando, graças ao gênio de Charlie Chaplin
O Garoto: filme dirigido por Charlie Chaplin

O Garoto: Charlie Chaplin conta uma história simples e emocionante

O Garoto: passados mais de cem anos, continua emocionando
Elenco:
SEM CORES E SEM SOM, MAS ABARROTADO DE EMOÇÕES
Há cem anos, Charlie Chaplin realizou O Garoto (1921), uma comédia dramática filmada em preto e branco e sem som, que se tornaria um dos seus maiores sucessos. Meus avós vivenciaram a explosão de criatividade que o cineasta provocou naqueles primórdios do cinema. Meus pais conheciam seus filmes e se divertiam com eles. A minha geração continuou admirando e respeitando Chaplin, ainda que sua obra estivesse praticamente confinada na telinha da TV. Já Carlitos, o personagem que ele criou, habitava os espaços gráficos dos pôsteres, dos anúncios, das capas de caderno, das camisetas... Estava mais vivo do que nunca!
Chaplin desenhou um ícone
Para a geração da minha filha, o nome Charlie Chaplin ainda tem significado. Continua sendo pronunciado na mídia, embora dispute espaço com bilhões de outras atrações. Como isso é possível? Por que tantas obras e tantos cineastas foram sepultados sob a pilha de um século de produtos da indústria cultural, enquanto o vagabundo com chapéu-coco continua girando sua bengala por aí? A resposta mais óbvia é: porque Chaplin foi um gigante! Mas há uma virtude que passa despercebida por muitos cinéfilos: o seu notável poder de síntese. Visualmente, Carlitos é composto por formas básicas e bem definidas, contrastadas e praticamente sem meios-tons. Não fala, ou melhor, não precisa verbalizar suas falas; vale-se da expressão corporal e de gestos cujos significados são facilmente reconhecidos – e por isso pode ser compreendido em qualquer idioma. Além disso, move-se numa velocidade diferente do resto do mundo, quando capturado pela câmera rudimentar.Gosta de analisar os filmes em profundidade?
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O Garoto: Charlie Chaplin conta uma história simples e emocionante
Fortes laços paternais
Esse poder de síntese não fica só no âmbito da caracterização do personagem. Se estende para a narrativa dos seus filmes. Veja, por exemplo, a sinopse de O Garoto: temos uma mãe atormentada pela pobreza, abandonando seu filho recém-nascido no banco traseiro de um carro, na esperança de que ganhe um lar mais abastado. O carro é roubado e quando se dão conta da presença do bebê, os desalmados ladrões o largam na sarjeta. Quem o encontra? Carlitos! O vagabundo bem que tenta se livrar dele, mas sua alma generosa o impede. Os anos passam e o garoto se torna parceiro das vigarices de Carlitos; os dois criam fortes laços e mantêm uma sólida relação de pai e filho. Porém, a mãe do garoto reaparece, agora em ótimas condições financeiras, para reclamar a guarda do garoto e causar na dupla a dor da separação.
Feito para emocionar
O roteiro de Chaplin é simples e objetivo. Sem a força dos diálogos para dar explicações ao espectador, as cenas precisam ser dramatizadas com ênfase na ação. O ritmo da narrativa se impõem mais pelo andamento de cada cena do que pelos recursos de edição. Medo, raiva, compaixão, amor, amizade... As emoções brotam não apenas do trabalho dos atores, mas de todos os elementos e símbolos que as lentes do diretor consegue enquadrar. Tudo isso faz de O Garoto um filme encantador, capaz de emocionar qualquer um, mesmo nesses nossos dias acelerados.
O Garoto: passados mais de cem anos, continua emocionando
Tirando proveito da ausência de som
Além de possuir grande sensibilidade artística e um preciso timming humorístico, Chaplin soube tirar proveito de uma das maiores virtudes do cinema da sua época: seu mutismo. Sim, nos seus primórdios, a sétima arte era universal e Carlitos podia ser compreendido em qualquer canto do planeta. E sem o realismo das cores, o diretor podia facilmente transportar o espectador para um mundo distante da realidade; envolvia a audiência com apelos emocionais e afetivos, enquanto ela se mantinha ocupada no esforço de completar o processo de comunicação.Uma referência para os humoristas
Como cineasta, Charlie Chaplin ajudou a consolidar a indústria do cinema, ao estabelecer os padrões técnicos e artísticos para a produção de um filme. E também ajudou na formação das plateias, educando o espectador na compreensão do alfabeto audiovisual. Isso tudo sem falar que ainda hoje Chaplin é uma das principais referências para todos aqueles que se aventuram a fazer humor. Bem, caro cinéfilo, a partir desse ponto, o assunto será melhor tratado nos artigos exclusivos, que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta você se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se clicando aqui!Veredito da crônica de cinema
★★★★★(5 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Charlie Chaplin, o roteiro inspirado e a caracterização do protagonista.
O que surpreende: Charlie Chaplin usa com maestria os vários recursos narrativos que tem ao seu dispor, criando uma narrativa tão envolvente que segue emocionando passados mais de cem anos.
Imperdível. É cinema de alta qualidade.
Ficha técnica do filme O Garoto
Título original: The KidAno de produção: 1921
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Elenco:
- Charlie Chaplin
- Edna Purviance
- Jackie Coogan
- Baby Hathaway

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