Crítica | O Preço de um Resgate: vale a pena ver este remake com Mel Gibson?

Cena do filme O Preço de um Resgate
O Preço de um Resgate: filme dirigido por Ron Howard

DOSES GENEROSAS DE AÇÃO E AFLIÇÃO

Sequestro é crime hediondo. Sequestro de uma criança, então, eleva a sordidez do criminoso à enésima potência! Um tal sequestrador renuncia à condição de humano e permite que o vejamos como um monstro, digno dos castigos mais atrozes que possamos arquitetar. O cinema já tratou do sequestro infantil em inúmeras produções, sempre explorando o turbilhão de dor e emoções envolvidos nesse tipo de história. O Preço de Um Resgate, filme de 1996 dirigido por Ron Howard, é mais um desses tantos, mas foi realizado com notável competência.

De milionário a pai desesperado: a trama

        Trata-se de um remake do filme Decisão Amarga, de 1956, dirigido por Alex Segal. Nessa nova versão, Mel Gibson interpreta Tom Mullen, um milionário do setor de aviação que vive o ápice do sucesso. Sua mulher, Kate (Rene Russo) e seu filho, Sean (Brawley Nolte), desfrutam as benesses de uma vida tranquila e confortável. Isso muda rapidamente quando o garoto é sequestrado. Quando o FBI é envolvido para coordenar o pagamento do resgate, surgem denúncias de corrupção que envolvem a própria família do garoto sequestrado.

Cena do filme O Preço de um Resgate
O Preço de um Regate: remake estrelado por Mel Gibson

O ponto de virada: o dilema de Tom Mullen

        A partir daí, acompanhamos a ação dos sequestradores, os esforços da polícia e o desespero da família; entretanto, somos alertados para o triste desfecho que se anuncia: os pais jamais verão o filho novamente, pois a intenção dos criminosos é matá-lo, mesmo que o valor do resgate seja pago. Por isso, quando o pai toma a decisão de não pagar um único tostão vem à tona – o ponto de virada na trama – não ficamos surpresos, mas aflitos!

Ação e emoção em boas doses: prepare a pipoca! 

        O Preço de um Regate é um thriller policial com boas doses de ação, onde o vilão, desprezível e ardiloso, chafurda na mediocridade e pensa apenas em dinheiro. Adiantar mais detalhes do que isso seria dar spoilers, coisa que evito aqui na Crônica de Cinema. Adianto, porém, que o filme merece ser visitado, porque todo o elenco esbanja competência e traz verossimilhança para os personagens. A direção de Ron Howard, que mais tarde assinaria filmes como Uma Mente Brilhante e Rush – No Limite da Emoção, é segura e competente, ainda que tenha optado por uma trilha sonora datada e em alguns momentos impertinente.
        O roteiro é assinado por Richard Price e Alexander Ignon, que se basearam na história criada por Cyril Hume e Richard Maibaum, roteiristas do filme de 1956. Nessa nova versão, foram adicionadas subtramas que ajudaram a criar uma base sólida, capaz de dar mais substância aos personagens.

Cena do filme O Preço de um Resgate
O Preço de um Regate: Gary Sinise em ótima atuação

Um espetáculo hollywoodiano que prende a atenção

        Desde os primeiros instantes, O Preço de Um Resgate sequestra a atenção do espectador e nos conduz hipnotizados até o final, ainda que termine como acabam todos os filmes comerciais em Hollywood: com o embate entre o herói e o bandido e a vitória do bem sobre o mal. Mas isso não é demérito. Vale o preço do ingresso!

Veredito da crônica de cinema

★★★☆☆(3 / 5 estrelas)

O que brilha: a direção segura de Ron Howard, o roteiro bem costurado e a atuação de um elenco carismático.

O que decepciona: personagens estereotipados e uma trilha sonora datada, que em alguns momentos soa impertinente.

Vale a pena. É um bom entretenimento.
 

Ficha técnica do filme O Preço de um Resgate

Título original: Ransom
Título em Portugal: Resgate
Ano de produção: 1996
Direção: Ron Howard
Roteiro: Richard Price e Alexander Ignon

Elenco:
  • Mel Gibson
  • Rene Russo
  • Gary Sinise
  • Delroy Lindo
  • Lili Taylor
  • Liev Schreiber
  • Evan Handler
  • Donnie Wahlberg
  • Brawley Nolte
  • Dan Hedaya
  • Paul Guilfoyle
  • Michael Gaston
  • José Zuniga
  • Nancy Ticotin
  • John Ortiz
  • David Vadim

Comentários

  1. Bah! Assisti esse filme, muito bom com o final surpreendente, tirando o embate entre os dois, mas a forma como o Pai concluiu foi diferente....bom filme...

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