Crítica | Planeta dos Macacos: A Origem: Rupert Wyatt pôs as mãos num grande roteiro e trouxe a dramaticidade que até hoje faz bem à franquia

Planeta dos Macacos: A Origem: filme dirigido por Rupert Wyatt
FICÇÃO CIENTÍFICA ANCORADA EM ÓTIMOS PERSONAGENS
Em 1963 o francês Pierre Boulle escreveu um romance de ficção científica onde narrava o autoextermínio da raça humana pelo uso descontrolado das tecnologias que criou, o que abriria o caminho para que os símios dominassem o planeta. Deu ao seu romance o título de La Planète Des Singes. Pronto! Cinco anos depois, surgiu nas telas O Planeta dos Macacos, filme estrelado por Charlton Heston, que amealhou fãs no mundo todo, ditou novas possibilidades para a ficção científica e originou uma franquia que nunca mais saiu de cartaz. Uma das etapas mais vistosas dessa trajetória aconteceu em 2011 com o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem.Um reboot oportuno
As técnicas de captura de imagens digitais conseguiram a proeza de se tornar, elas próprias, transparentes para o espectador. Nada de maquiagem ou truques cosméticos para caracterizar os personagens símios e nos lembrar, o tempo todo, que estamos diante de atores fantasiados; o realismo desconcertante de Planeta dos Macacos: A Origem chegou como um convite para embarcar numa história incrível. Dirigido pelo então desconhecido Rupert Wyatt, o filme despontou como uma surpresa: não desapontou os fãs da franquia e trouxe credibilidade para reiniciar a saga, com fôlego renovado.

O Planeta dos Macacos: A Origem: realismo e envolvimento emocional
A sinopse: a gênese da revolução símia
O filme nos conta a história de Will Rodman, interpretado por James Franco, um químico que trabalha para uma grande corporação, onde tenta descobrir a cura para o Alzheimer – motivado em salvar o próprio pai, acometido pela doença. Seus experimentos com chipanzés se mostram desastrosos e os animais têm que ser sacrificados; um deles, porém, consegue escapar: um recém-nascido que Will leva para casa e é batizado por seu pai como César. O chipanzé passa a ser criado como um membro da família e com o passar dos anos desenvolve uma inteligência impressionante, como resultado da droga inventada por Will.
O Planeta dos Macacos: A Origem: base narrativa para um reboot consistente
O cientista usa seu pai como cobaia e consegue resultados impressionantes, porém, quando o chipanzé vira um adolescente forte e ameaçador, surgem as complicações. O pai de Will tem uma recaída e César se envolve em encrencas com a vizinhança; acaba confinado num abrigo público, enjaulado com outros macacos. Mas a inteligência superior tornará César o líder que está destinado a ser e provocará uma verdadeira revolução símia.
Um estalo criativo dos roteiristas
Planeta dos Macacos: A Origem é muito mais que uma façanha tecnológica, é uma façanha narrativa! O filme nos apresenta a personagens carismáticos e perfeitamente críveis; mérito do casal de roteiristas Amanda Silver e Rick Jaffa. Marido e mulher, os dois já escreviam juntos havia 20 anos quando tiveram a ideia para o roteiro; Rick já se interessava por assuntos relacionados a chipanzés e colecionava matérias e relatos sobre esses animais criados como crianças em ambientes domésticos, que se tornam agressivos na adolescência – por volta dos 7 ou 8 anos. Quando veio o estalo criativo de usar esse conceito num novo filme para a franquia Planeta dos Macacos, Rick e Amanda trabalharam na ideia e a apresentaram aos executivos da Fox. Foram contratados para escrever o roteiro e produzir o filme.
O Planeta dos Macacos: A Origem: novo nível para a captura de imagens
Envolvimento emocional
Nos primeiros tratamentos, a motivação de César era a vingança pela morte da mãe, mas depois de 30 rascunhos o personagem assumiu sua vocação de líder revolucionário, diante da responsabilidade que a inteligência superior lhe impõe sobre os ombros. Certamente, o cuidado em focalizar o envolvimento emocional entre os personagens, trouxe densidade dramática à história e deu ao espectador a oportunidade de criar uma forte empatia com todos. Embora vejamos César e seus macacos como uma ameaça à nossa soberania no planeta, compreendemos suas motivações e torcemos por eles ao longo do filme.O diretor compreendeu as demandas dramáticas
Com um roteiro brilhante nas mãos, Rupert Wyatt mostrou competência na direção. Além de moldar os detalhes do roteiro à estética que tinha em mente, escalou um ótimo elenco e o integrou à equipe de efeitos visuais. Num filme com fortes demandas dramáticas e todo um aparato tecnológico a ser gerenciado, o diretor soube colocar o enredo na frente dos efeitos visuais, mas sem diminuir seu impacto.

O Planeta dos Macacos: A Origem: James Franco entendeu o protagonismo de César
O protagonismo de César
Andy Serkis, o ator por trás da performance de César e mestre da captura de imagens, recebeu a maior parte das atenções, pela forma como conseguiu dar credibilidade ao personagem e comunicar uma ampla gama de emoções. James Franco, no entanto, não ficou para trás; numa atuação econômica e competente, ele compreendeu que o protagonismo de César era o elemento motor do filme. Convenceu como o cientista que brinca de Deus, mas sem estar motivado por egoísmos.Novo fôlego para a franquia
No filme A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972, o personagem de Cesar já aparecia como “o primeiro macaco que falou”. Em Planeta dos Macacos: A Origem, os realizadores conseguiram desenvolver eventos convincentes para explicar o que ocorreu antes e depois desse fato. Criaram um excelente filme de ficção científica, mas para isso tiveram que passar por cima do remake Planeta dos Macacos, dirigido por Tim Burton em 2001; simplesmente agiram como se tal filme jamais tivesse existido. Para a maioria dos fãs da franquia, isso não foi problema algum!Veredito da crônica de cinema
★★★★☆(4 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Rupert Wyatt, o roteiro muito bem costurado, os efeitos visuais caprichados, o elenco talentoso e a narrativa ágil.
O que surpreende: os roteiristas criaram uma narrativa consistente para embasar a concepção criada por Pierre Boulle em 1963, em seu livro O Planeta dos Macacos.
Acima da média. É cinema de qualidade.
Ficha técnica do filme Planeta dos Macacos: A Origem
Ano de produção: 2011Direção: Rupert Wyatt
Roteiro: Amanda Silver e Rick Jaffa
Elenco:
- James Franco
- Andy Serkis
- John Lithgow
- Freida Pinto
- Tom Felton
Fiquei maravilhada com os detalhes desta filmagem, parecia que estavs acontecendo do meu lad.
ResponderExcluirEmpregaram uma narrativa fluente, colocando todos os recursos trabalhando a favor dela.
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