Crítica | A Condenação: Tony Goldwyn dá liberdade para seus atores e realiza um filme eloquente

A Condenação: direção de Tony Goldwyn
AINDA BEM QUE EVITARAM O MELODRAMA
A Condenação, filme de 2010 dirigido por Tony Goldwyn conta a história real de como a justiça americana meteu os pés pelas mãos ao julgar o caso de Kenneth Waters. Ele amargou 18 anos no cárcere, depois de ter sido condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu; foi sua irmã, Betty Anne Waters, quem vasculhou todos os escaninhos do sistema de justiça até encontrar os meios de comprovar sua inocência e reparar um assombroso acúmulo de erros e irregularidades cometidos.
O filme é baseado em fatos
Não, este não é um filme de tribunal. Tampouco é do tipo que enaltece as qualidades dos protagonistas, ao investir em cenas melodramáticas para gerar empatia e levar o espectador às lágrimas durante um final edificante. A Condenação é um drama sério e contido, que evita abordagens açucaradas e se concentra no arco dramático desenvolvido pelos protagonistas; está fortemente ancorado no carisma de Hilary Swank e Sam Rockwell, astros com atuações convincentes, que encontraram aqui um roteiro bem costurado e um diretor habilidoso na condução do elenco.Gosta de analisar os filmes em profundidade?
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Inscreva-se grátis clicando aquiPersonagens intragáveis
Para deixar o espectador a par dos desdobramentos legais do caso, o roteiro exigiu muitas cenas expositivas, além de idas e vindas em flashbacks. O temor é que, a qualquer momento, a narrativa derrape em pieguices. O diretor Tony Goldwyn, porém, não dourou a pílula: retratou Kenny e Betty como as pessoas complicadas que de fato são! Foram crianças abandonadas, que se tornaram adultos desagradáveis e aprontaram muito enquanto tentavam se adaptar à sociedade; ganharam a antipatia de muitos e o desprezo de outros tantos; sempre agiram por impulso e exibiram comportamentos obsessivos. Nos primeiros dois atos de A Condenação, o espectador acumula uma boa dose de raiva de ambos.A sinopse: antes do exame de DNA
Nos anos 1980, Betty (Hilary Swank), casada e mãe de dois filhos, vive ao redor de uma obsessão: tirar Kenny (Sam Rockwell) da prisão. Ele foi condenado pelo assassinato de Katherina Reitz Brow, com base em provas circunstanciais e no testemunho de sua ex-esposa, Brenda (Clea DuVall), da ex-namorada, Roseanna (Juliette Lewis) e da policial Nancy Taylor (Melissa Leo). A impulsiva Bety rema contra todas as dificuldades e faz o improvável: volta aos bancos escolares, forma-se em direito e presta exame para a ordem dos advogados; torna-se a defensora legal do irmão e descobre a possibilidade de provar sua inocência por meio de uma novidade tecnológica: o exame de DNA! Mas só isso não será suficiente, pois ela descobrirá que o sistema de justiça é pródigo em tentar varrer seus erros para debaixo do tapete.
Um estilo quase televisivo
Adaptar essa história real para as telas foi uma missão que coube à roteirista Pamela Gray, que já havia escrito o roteiro de A Walk on the Moon, filme anterior do diretor Tony Goldwyn. Essa nova parceria, no entanto, exigiu doses maiores de empenho; além de se envolver em longas sessões de pesquisa, ela entrevistou e conviveu com os personagens reais que retratou. Teve que se aprofundar nos meandros jurídicos do caso.Experiência na lida com atores
O diretor Tony Goldwyn levou oito anos para começar a filmar, depois de amargar um verdadeiro périplo, para enfim viabilizar a produção. Experiente no universo da TV – dirigiu vários episódios de séries como Dexter e Law & Order – ele talvez seja mais conhecido do público como ator, com participação em inúmeros filmes. Foi ele quem interpretou, por exemplo, o vilão Carl Bruner no filme Ghost - Do Outro Lado da Vida. Sua experiência à frente das câmeras certamente contribuiu para formar seu estilo na direção; ele dá total liberdade para os atores e, de certa forma, confia prioritariamente neles para ancorar a força dramática do seu filme.
A possibilidade de corrigir os erros da justiça
A Condenação nos lembra que não existe sistema judiciário perfeito. Aliás, no campo das ciências humanas, falar em perfeição é um atrevimento; mais apropriado é avaliar os sistemas de justiça pela sua eficácia. O que esperamos deles? Que garantam o cumprimento das leis e protejam os cidadãos da interferência dos poderosos, dos agentes políticos e dos governos. Acontece que, vez ou outra, algumas partes interessadas – como a polícia, o sistema prisional, a mídia, grupos de pressão e tantos outros agentes sociais – conseguem manipular o sistema na surdina; imparcialidade e independência deixam de existir e isso faz com que a eficácia caia por terra. O sistema de justiça decide de forma... injusta! Os danos são irreparáveis, pelo menos até o momento em que alguém consegue encontrar o erro e corrigi-lo.
Ao final, um filme proveitoso
É claro que, por causa dos antecedentes televisivos de Tony Goldwyn, A Condenação exibe um pouco da atmosfera que nos acostumamos a ver na telinha. Mas é injusto dizer que tem cara de telefilme. Nada disso! Além da trilha sonora muito bem escolhida, traz cenas econômicas e eloquentes, principalmente no final, quando respiramos aliviados por não termos sido expostos a doses exageradas de melodrama. Eis aqui uma história real muito bem contada. Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!
Veredito da crônica de cinema
★★★★☆(4 / 5 estrelas)
O que brilha: o roteiro bem costurado, o carisma do elenco, a direção segura de Tony Goldwyn e a abordagem sincera, que evitou o melodrama fácil.
O que complica: os personagens intragáveis, com os quais é difícil estabelecer empatia. Além disso, são necessárias muitas cenas expositivas.
Acima da média. É cinema de qualidade.
Ficha técnica do filme A Condenação
Título original: ConvictionTítulo em Portugal: A Advogada
Ano de produção: 2010
Direção: Tony Goldwyn
Roteiro: Pamela Gray
Elenco:
- Hilary Swank
- Bailee Madison
- Sam Rockwell
- Minnie Driver
- Ele Bardha
- Melissa Leo
- Ari Graynor
- Loren Dean
- Karen Young
- Jennifer G. Roberts
- Clea DuVall
- Juliette Lewis
- Peter Gallagher



Vou assistir pela crônica. Não tinha visto. Com certeza vou gostar
ResponderExcluirLegal! É um filme que merece ser visitado!
ExcluirAssisti pela recomendação e não me decepcionei. Além disso, que ator é o Sam Rockwell.
ResponderExcluirSim, o ator demonstra seu talento em vários filmes.
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