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Crítica | Sonhos: Kurosawa convida você para uma experiência estética

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Sonhos: filme de Akira Kurosawa UMA CONVERSA INDIVIDUAL COM CADA ESPECTADOR Filmes nos falam por meio de metáforas e nos alcançam com símbolos e arquétipos. São projeções que nos confrontam com nossas emoções, desejos e frustrações; dialogam com nosso inconsciente. Também poderíamos chamá-los de... sonhos! Desde os seus primórdios, a função onírica do cinema ficou clara. A linguagem que os teóricos estabeleceram, guarda similaridade com a linguagem dos sonhos – trazida como herança do teatro, do circo, dos espetáculos operísticos... Os cineastas sempre compreenderam tal relação e se esbaldaram com a possibilidade de trazer para as telas os misteriosos eventos que nos visitam enquanto dormimos. Foi Akira Kurosawa, porém, quem realizou um filme intitulado Sonhos ! Lançado em 1990, é uma das suas obras mais cativantes e envolventes, porque se assenta sobre uma narrativa visual impressionante. Uma experiência estética           Kurosawa extraiu algumas mem...

Crítica | Todo o Dinheiro do Mundo: Ridley Scott comeu o pão que o diabo amassou, mas finalizou um de seus melhores filmes

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Todo o Dinheiro do Mundo: filme dirigido por Ridley Scott A MÍDIA TRABALHA COM FATOS, O CINEMA, COM O DRAMA! Certa vez li uma entrevista com um grande diretor – não lembro qual – onde perguntaram sobre em que pé estava seu próximo filme. – Está pronto – respondeu, para depois emendar: – Agora só falta filmar! Ao ler essa frase de efeito, compreendi que os filmes são construções mentais. Nascem, crescem, amadurecem e despontam para a vida nas cabeças dos seus realizadores. A partir desse insight, entendi também porquê os cineastas são chamados de realizadores – incluo nessa categoria os produtores, que viabilizam os filmes! Um roteiro de David Scarpa           Lembrei-me dessa história quando parti para pesquisar sobre Todo o Dinheiro do Mundo , produção de 2017 dirigida por Ridley Scott. O diretor é um realizador irrequieto, que salta de projeto em projeto com grande avidez, para felicidade dos cinéfilos. Porém, ao contrário do que faz na maioria dos seu...

Crítica | Simonal: que tristeza! Faltou a alegria contagiante de Wilson Simonal

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Simonal: filme dirigido por Leonardo Domingues SÓ ESQUECERAM DE MOSTRAR O CANTOR ALEGRE E CARISMÁTICO Lembro com saudosismo do astro Wilson Simonal. Sua música era contagiante, com letras fáceis e um balanço alegre, que irradiava brasilidade. Ouvir seus sucessos no rádio, ou dar de cara com o cantor nos programas de auditório  era sempre uma festa. Ao pronunciar seu nome, a palavra que me vêm à mente é alegria. F oi justamente essa palavra, no entanto, que faltou em   Simonal , filme dirigido em 2018 por Leonardo Domingues. Para mim, foi uma decepção!  Caprichar no repertório não foi o suficiente para resgatar a alegria e o carisma daquele que se destacou como um dos maiores nomes do show business brasileiro. Simonal era muito mais que isso!          O filme é bem realizado! T em uma produção criteriosa e esmerada. Os figurinos são ótimos, os atores se saem bem, a trilha sonora é empolgante, a fotografia é bela e a direção de arte resgata com su...

Crítica | Boyhood: da Infância à Juventude: 12 anos filmando. Quanto tempo bem aproveitado!

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Boyhood: direção de Rchard Linklater COMO NA VIDA, A PASSAGEM DO TEMPO SIMPLESMENTE ACONTECE Em vez de rodar um drama sensível e envolvente, Richard Linklater poderia ter se contentado em realizar um documentário com vocação para estudo acadêmico. Mas não! Manteve a determinação de produzir uma obra com relevância artística. Boyhood: da Infância à Juventude , seu filme de 2014, exigiu paciência, domínio das técnicas narrativas, muita sensibilidade e maturidade para lidar com os percalços da vida. Um projeto de 12 anos           Richard Linklater levou 12 anos para captar as imagens que usaria em seu filme, onde conta a história de um garoto de seis anos criado por pais separados, ao longo se sua trajetória entre a infância e a juventude, até ingressar na faculdade, aos 18 anos. O projeto cinematográfico foi bem idealizado e realizado com método e paciência: a cada ano, a equipe de filmagem se reunia com os atores por três ou quatro dias, para ajustar o rote...

Crítica | Nossas Noites: astros aceitando a velhice

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Nossas Noites: filme dirigido por Ritesh Batra  AH, A BELEZA DA MATURIDADE! Nossas Noites , dirigido em 2017 por Ritesh Batra, é um dos  poucos filmes que escolhem conversar diretamente com os cinéfilos das antigas. I nteligente, sensível e delicioso de assistir, é um longa estrelado por dois octogenários.   Mas não são dois octogenários quaisquer! Tratam-se de Jane Fonda e Robert Redford, astros do primeiro time de Hollywood. A presença deles é razão de sobra para apertar o play. E na medida em que embarcamos na história, encontramos outros bons motivos: o ritmo apropriado da narrativa, a densidade dos personagens, a objetividade do roteiro, a delicadeza e a ternura empregadas no tratamento do tema... Nesse film e, há muita gente madura, na frente e por trás das câmeras! Muita experiência de vida           Para apreciar Nossas Noites o espectador terá que trazer na bagagem alguma dose de maturidade, ou pelo menos já ter refletido sobre a v...

Crítica | Koyaanisqatsi: ainda hoje, uma obra de arte audiovisual moderna e instigante

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Koyaanisqatsi: filme dirigido por Godfrey Reggio  UMA ESTÉTICA REPETIDA À EXAUSTÃO, QUE AINDA ASSIM CONTINUA MODERNA Belíssimas imagens em movimento, sincronizadas com uma música minimalista e hipnótica. Essa receita virou estrogonofe cinematográfico: é requintada, lida com uma certa complexidade de sabores e exige atenção no preparo, mas há muito deixou de ser prato principal em cardápios com pretensões sofisticadas. Logo que foi inventada, no entanto, irradiava inovação e originalidade. A primeira vez em que pudemos degustá-la foi em 1982, quando o diretor americano Godfrey Reggio lançou Koyaanisqatsi: Life Out of Balance . Cacoete moderno           Mesmo quem ainda não assistiu a essa obra instigante conhece seu legado estético, impregnado na nossa linguagem audiovisual. Hoje, até os diretores de comerciais de bebida se atrevem a lançar mão do cacoete moderno que o filme consagrou. Abusam das imagens urbanas capturadas à noite em time lapse – cenas...

Crítica | Contatos Imediatos do Terceiro Grau: o filme continua provocativo e instigante

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Contatos Imediatos do Terceiro Grau: filme dirigido por Steven Spielberg CONTINUA EM PERFEITO ESTADO DE FUNCIONAMENTO Há filmes que envelhecem com dignidade. O visual denuncia a data de nascimento, mas o conteúdo é de um frescor empolgante. Incluo nessa categoria  Contatos Imediatos do Terceiro Grau , realizado em 1977 por Steven Spielberg. Quem já assistiu ao filme, experimente lembrar das cenas iniciais – quem ainda não viu, pode conferi-las na cópia remasterizada lançada recentemente. São imagens que comprovam o imenso talento do diretor como contador de histórias: Spielberg nos provoca com o mistério          P rimeiro, vemos surgir de uma tempestade de areia no deserto de Sonora, uma esquadrilha inteira de caças da Segunda Guerra Mundial novos em folha, com seus pilotos que aparentam não ter envelhecido um único dia nos últimos 30 e poucos anos. Depois, vemos controladores de tráfego aéreo numa sala entulhada de equipamentos, desconcertados com o regis...