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Crítica | A Árvore da Vida: Terence Malick vai além do cinema e nos entrega um verdadeiro ensaio filosófico, emocionante e espiritual

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A Árvore da Vida: direção de Terrence Malick A BUSCA DE UM SENTIDO ESPIRITUAL O que leva alguém a apertar o play e assistir a um filme qualquer no serviço de streaming ? Cada um tem seu próprio motivo: busca por passatempo e diversão, desejo de se aprofundar em algum assunto, de aprender algo, de se emocionar... No final das contas, as pessoas só querem saber de fruir uma boa história! Quem se põe a assistir ao filme A Árvore da Vida , dirigido em 2011 por Terrence Malick, certamente espera acompanhar uma boa narrativa – nada mais natural para quem se depara com as fotos de Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain e lê a sinopse sobre as desventuras de uma família texana na década de 1950. O problema, para os desavisados, é que o diretor é notório por seu estilo não narrativo; aqui, a história que se propõe a contar está tão entranhada nos corredores secretos da sua própria alma, que vem codificada em pacotes de impressões pessoais. Um ensaio filosófico         ...

Os Fabelmans: filmando verdades emocionais

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Os Fabelmans: direção de Steven Spielberg A VERDADE ESTÁ NO... CINEMA! O impulso de realizar um filme autobiográfico sempre apareceu para cutucar o diretor Steven Spielberg – tentação para qualquer contador de histórias contumaz. Os Fabelmans , que ele dirigiu em 2022, é finalmente essa tão aguardada obra; nos chega com tamanha graça, vivacidade e profundidade emocional, que ouso colocá-lo entre seus filmes mais envolventes e arrebatadores.           Os cinéfilos – e a crítica cinematográfica – sempre enxergaram nos filmes de Spielberg diversos elementos reveladores de sua personalidade e de sua herança familiar; detalhes que se escondem nas entrelinhas dos seus roteiros, mas se tornaram conhecidos do público, na medida em que Spielberg virou celebridade e se tornou um dos maiores diretores da história do cinema. Agora, chegou o momento de se revelar por inteiro e ousar um nível de exposição inédito.           Os Fabelmans é, ...

Sangue e Ouro: uma espécie de western germânico

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Sangue e Ouro: direção de Peter Thorwarth CONTRIBUIÇÃO DOS ALEMÃES PARA O CINEMA DE AÇÃO Os filmes de bangue-bangue espaguete foram uma invenção inusitada no início dos anos 1960. Rodados na Sicília e na Espanha por diretores italianos em busca da mesma atmosfera dos westerns americanos, trouxeram um sopro de renovação para o gênero, além de toques de um humor mais... mediterrâneo. E trouxeram também a certeza de que outras nacionalidades poderiam ousar seus próprios faroestes, apropriando-se dos clichês narrativos consolidados por cineastas como Sergio Leone e seus seguidores.           Dentre todos os países, o mais improvável de tal ousadia seria a Alemanha. Não por incompetência, é claro! Seu cinema de peso e repleto de contribuições significativas para a construção da sétima arte está nítido na mente de todo cinéfilo; porque é dos alemães que nos costumam chegar algumas das produções mais compenetradas, como Metrópolis , O Enigma de Kaspar Hauser e As...

Crítica | A Luta Pela Esperança: isso é que é superação!

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A Luta Pela Esperança: direção de Ron Howard ESTÁ MAIS PARA PAI DE FAMÍLIA DO QUE PARA PUGILISTA Minha crônica anterior foi sobre o lutador de boxe asqueroso e desagradável retratado por Martin Scorsese no seu excelente Touro Indomável . Para ficar no tema, decidi escrever agora sobre o seu exato oposto: o lutador de boxe bom caráter e aferrado a sólidos valores éticos, que foi nocauteado pela grande depressão econômica na década de 1930; despencou para a miséria, mas conseguiu se reerguer e conquistar o título de campeão mundial dos meio-pesados. Sua história está contada no filme A Luta Pela Esperança , dirigido em 2005 por Ron Howard. Um conto de fadas da vida real            O protagonista dessa história verdadeira e tocante é James J. Braddock, um boxeador compenetrado no ringue e pai de família dedicado fora dele. Sua trajetória de superação, que lembra um conto de fadas, rendeu-lhe o apelido de Cinderella Man, dado por um jornalista esportivo ch...

Crítica | Touro Indomável: ótimo filme, péssimo personagem!

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Touro Indomável: direção de Martin Scorsese UM PROTAGONISTA NOS LEVANDO PARA AS CORDAS O boxeador Jake LaMotta, retratado no filme Touro Indomável , dirigido em 1980 por Martin Scorsese, nunca foi um sujeito agradável. Ao contrário, esbanjava mau-caratismo. Esteve na prisão, estuprou uma mulher, durante um assalto espancou sua vítima até quase matá-la, meteu-se com o crime organizado, foi casado sete vezes e bateu em todas as suas mulheres; a violência estava por toda a sua ficha corrida. Nova-iorquino nascido no Bronx, era descendente de italianos e começou no boxe profissional aos 19 anos, em 1941. Tornou-se campeão mundial na categoria peso médio em 1950. Depois da aposentadoria, comprou alguns bares e virou comediante; também foi ator e participou de vários filmes. Um protagonista execrável           Apesar da vida conturbada, Jake LaMotta virou símbolo de coragem e se tornou um herói para os apreciadores do esporte. Lançou alguns livros, entre ...

Atirador: ação ágil, envolvente e catártica

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Atirador: direção de Antoine Fuqua TEM COISAS QUE SÓ CONSEGUIMOS RESOLVER A BALA! Depois de um dia intenso de trabalho, são diversos os motivos que nos fazem deitar no sofá e assistir a um filme. O mais comum é a busca por diversão – que tal qual a busca pela felicidade, é sempre uma jornada individual. Porém, às vezes, levamos sorte e topamos com cinema de qualidade, aquele que surpreende e entrega mais do que mero entretenimento. Traz reflexões, provocações, dúvidas, elevação intelectual, regozijo estético... Atirador , filme de 2007 dirigido por Antoine Fuqua, definitivamente não é esse tipo de filme. Mas traz um bônus valioso: catarse!           Não me refiro ao efeito que os psicólogos adoram provocar nos seus pacientes, ao cutucar o inconsciente para fazer jorrar as emoções traumáticas que ficaram represadas desde a infância. A catarse aqui é justamente aquela aristotélica, que tem função purificadora e purgatória, usada desde a tragédia grega para tr...

Crítica | Treze Dias Que Abalaram o Mundo: uma análise do suspense histórico envolvendo a crise dos mísseis cubanos em 1962

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Treze Dias Que Abalaram o Mundo: direção de Roger Donaldson POLÍTICA É UM PROBLEMA, MAS TAMBÉM É A SOLUÇÃO! John F. Kennedy foi aquele presidente americano que teve um caso com a loira Marilyn Monroe e acabou morto enquanto passeava de conversível com a Jaqueline Onassis; levou um tiro na cabeça, disparado por Lee Harvey Oswald. Resumi de forma tosca? Sim! Mas é praticamente tudo o que o grande público de hoje guarda na memória sobre um dos presidentes mais populares dos Estados Unidos. É curioso como ninguém mais se refere a esse personagem glamouroso como um político. Como tal, era dado a politicagens e badalações, sua curta carreira, porém, não foi uma festa permanente; Kenedy precisou lidar com o estresse de um dos episódios mais tensos da Guerra Fria. É assim que ele aparece em Treze Dias Que Abalaram o Mundo , filme de 2000 dirigido por Roger Donaldson. Caracterizações assombrosas           O filme se esgueira pelos bastidores da crise dos mísseis de ...