Crítica | O Dorminhoco: ainda bem que descongelaram o judeu novaiorquino neurótico errado! Inundaram o filme com piadas politicamente incorretas
O Dorminhoco: direção de Woody Allen UM OLHAR NOSTÁLGICO PARA O FUTURO Nesses dias surrados de tanta pós-modernidade, os humoristas pisam em ovos. Tentam aliviar o peso exorbitante das regras de etiqueta e fazem um humor cauteloso, insosso e genérico. Há meio século, o cardápio era outro: ácido, provocativo, espontâneo, constrangedor, zombeteiro... Exatamente como podemos degustar em O Dorminhoco , filme de 1973 dirigido por Woody Allen – o quarto filme realizado pelo diretor, numa época em que estava empenhado apenas em ser reconhecido como um dos melhores comediantes americanos. Um distopia futurista hilariante O Dorminhoco é uma comédia farsesca, que flerta abertamente com o pastelão, mas vem salpicada com uma infinidade de piadas inteligentes, disparadas em ritmo veloz. A história é ambientada no futuro e mostra como Miles Monroe (Woody Allen), um clarinetista amador que se reveza entre o jazz e a administração da sua loja de alimentos ...