Crítica | No Escuro da Floresta: Patrícia Rozema vai muito além do apocalipse: ao ao âmago do ser feminino

Cena do filme No Escuro da Floresta
No Escuro da Floresta: filme dirigido por Patricia Rozema

O APOCALIPSE SE TORNA INTIMISTA AO GANHAR UM TOQUE FEMININO

Por pouco minha mulher e eu deixamos de assistir ao filme No Escuro da Floresta, escrito e dirigido em 2016 pela canadense Patricia Rozema. Classificado no serviço de streaming como um drama e descrito rapidamente como um filme pós-apocalíptico, não causou empolgação quando nos deparamos com ele na aba de sugestões. O que me motivou a apertar o play foi a capa, ilustrada com a foto de Ellen Page e Evan Rachel Wood, duas atrizes conhecidas de outras produções de qualidade.

Música, atmosfera e ambientação

        Ainda bem que apertei o play! O filme conquista logo de cara com a música de Max Richter, o compositor alemão que assina a trilha sonora. As cenas sempre muito iluminadas, a ambientação calorosa e aconchegante e os belos cenários internos e externos ajudam a caracterizar os personagens já no começo. Somos apresentados a uma família estruturada que, apesar de viver isolada na floresta, desfruta de conforto e tecnologia.

Cena do filme No Escuro da Floresta
No Escuro da Floresta: Patricia Rozema usa o apocalipse como pretexto para falar de amadurecimento

Já no começo, o apocalipse!

        Em No Escuro da Floresta, estamos sempre à espera do pior. O incidente apocalíptico, que acaba com a energia elétrica no mundo inteiro, ocorre logo nas primeiras cenas. As complicações que ele gera crescem ao longo de todo o filme, juntamente com os personagens! Vemos a trajetória de amadurecimento e transformações das duas irmãs protagonistas, enquanto são obrigadas a superar dificuldades previsíveis e inevitáveis.

Narrativa pautada pela objetividade

        Tristeza, tensão constante, desesperança, desorientação… As enxurradas de emoções se sucedem, uma após outra. Mas o que nos surpreende é a objetividade com a qual a diretora encara sua missão: revelar as diversas camadas psicológicas das duas irmãs, para que elas se conheçam mutuamente, para que nós possamos conhecê-las por inteiro.

Cena do filme No Escuro da Floresta
No Escuro da Floresta: expostas aos perigos do mundo

Uma história de superação

        Patricia Rozema se vale de recursos já consolidados no cinema, mas não de forma estereotipada. A deterioração da bela casa onde vivem surge como símbolo do mundo interno, marcando a necessidade de desconstruí-lo e reconstruí-lo. A janelas enormes e transparentes, que deixam o interior da casa sempre visível – e vulnerável – também permitem entrever na paisagem lá de fora, os perigos iminentes que podem se materializar sem aviso.

Nada de clichês apocalípticos

        O filme segue num bom ritmo até o final, pontuado pela trilha sonora evocada nos momentos certos. Quem espera por cenas de catástrofes, zumbis apocalípticos ou lutas insanas pela sobrevivência, termina frustrado. Mas quem gosta de filmes intimistas, dedicado a narrar as transformações dos personagens diante das suas escolhas, veio ao lugar certo!

Cena do filme No Escuro da Floresta
No Escuro da Floresta: personagens com arcos dramáticos bem desenhados

O elemento feminino é decisivo

        Quanto a mim, fui tocado pelo elemento feminino que impera no filme. Sim, o filme No Escuro da Floresta é sobre mulheres, feito por mulheres e voltado para... todo mundo! Há um ritmo, uma atmosfera, uma atitude narrativa que só poderiam ter sido adequadamente conduzidos por mulheres. Acho difícil que um homem reúna a sensibilidade necessária para realizar um tal filme. Não é uma questão de competência. É de vivência, mesmo! Um diretor, ao partir do mesmo enredo, teria realizado um filme diferente.

Para as mulheres, nada mais natural

        Para mim, No Escuro da Floresta abriu uma janela, através da qual tive a oportunidade de espiar um pouco do universo feminino. A índole de cuidar e manter em ordem os elementos que sustentam a vida e a saúde; a vulnerabilidade imensa e o seu oposto exato, a força assombrosa, que advêm da capacidade de ser mãe; a sensibilidade estética determinando a atitude diante do mundo; está tudo lá! Foram essas impressões nítidas, mas difíceis de pôr em palavras, que tentei explicar para Ludy. Ela não havia se atentado para esses detalhes, afinal, como mulher, acolheu-as com naturalidade durante o filme. Em vez disso, deixou-se emocionar pelas dificuldades e percalços das protagonistas e sobretudo pela incômoda atmosfera de tensão que se respira do começo ao fim.

Veredito da crônica de cinema

★★★★☆(4 / 5 estrelas)

O que brilha: a direção segura de Patricia Rozema, as atuações de Ellen Page e Evan Rachel Wood, a trilha sonora com relevância narrativa e a ambientação bem arquitetada.

O que surpreende: a profundidade psicológica dos personagens e a exposição do universo feminino em destaque.

Acima da média. É cinema de qualidade.

Ficha técnica do filme No Escuro da Floresta

Título original: Into the Forest
Data de produção: 2016
Direção: Patricia Rozema
Roteiro: Patricia Rozema

Elenco:
  • Ellen Page
  • Evan Rachel Wood
  • Max Minghella
  • Callum Keith Rennie
  • Michael Eklund
  • Wendy Crewson
  • Ronin Cara
  • Owen Cara
  • Crystal Pite
  • Lorne Cardinal
  • Katherine Cowie
  • Sandy Sidhu
  • Bethany Brown
  • Jordana Largy
  • Simon Longmore
  • Brittany Willacy

Comentários

  1. Adorei esse filme! Eu gosto muito da Evan Rachel Wood. Acho que nunca vi um filme ruim com ela.

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  2. Nem eu! Por isso me interessei pelo filme!

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  3. Fiquei muito curiosa pra ver o filme. Assistirem e depositária minha opinião! Obrigada pela recomendação.

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  4. Se tivesse terror não iria assistir,mas fiquei interessada com certeza irei ver. Obrigado.

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