7 Dias em Entebbe: a história real de um resgate bem-sucedido


7 Dias em Entebbe: filme dirigido por José Padilha

A HISTÓRIA É RESULTADO DE DECISÕES TOMADAS POR GENTE DE CARNE E OSSO

Tiros e polêmicas. Foi o que imaginei que veria quando decidi assistir ao filme 7 Dias em Entebbe, realizado em 2018 por José Padilha. Outros três filmes já exploraram a história do sequestro que eletrizou o mundo em 1976, todos enaltecendo a espetacular operação militar orquestrada por Israel para libertar seus cidadãos reféns dos terroristas palestinos na capital da Uganda. Por que revisitar mais uma vez esse tema? Ora, porque foi espetacular!
        Para minha surpresa, vi um cinema maduro e contido, feito com a melhor matéria-prima que existe: personagens consistentes. E há muitos deles ao longo do filme, de ambos os lados da fronteira ideológica. O roteiro de Gregory Burke focou mais nos personagens do que na ação militar. A direção segura do brasileiro José Padilha deu o tom certo entre realidade e dramatização, evitando os estereótipos e explorando a dimensão psicológica de todos os envolvidos. Foi assim que ele nos deu um painel multifacetado da intensa carga emocional que marcou o episódio.
        As implicações políticas, militares e ideológicas retratadas em 7 Dias em Entebbe ficam como pano de fundo. O motor da narrativa já é conhecido: dois alemães ligados ao grupo de extrema-esquerda Baader Meinhoff se juntaram a militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina para sequestrar um avião da Air France e desviá-lo para a Uganda. Fizeram reféns 83 passageiros israelenses e pretendiam trocá-los por 50 terroristas prisioneiros de Israel. O então primeiro-ministro Yitzhak Rabin tentou a via diplomática, mas Shimon Peres, seu ministro da defesa, costurou uma ousada operação de resgate – por que não dizer... cinematográfica?
        José Padilha prefere lembrar em seu filme que há pessoas de carne e osso por trás de cada decisão e de cada ato político ao longo do episódio. Para mostrar seu ponto de vista, recrutou alguns brasileiros: Lula Carvalho como diretor de fotografia e Daniel Rezende na montagem – Rezende, além do ótimo trabalho nos dois Tropas de Elite, também dirigiu o excelente Bingo - O Rei das Manhãs. Rodrigo Amarante, do grupo Los Hermanos, também foi convocado por Padilha para conduzir as trilha sonora.
        Ao contar essa história Padilha acerta no tom. Costurou uma narrativa emocional, pontuada com cenas hipnóticas de um belo número de dança, executado pela companhia Batsheva. Com coreografia de Ohad Narahin, a dança ofereceu um ótimo contraponto à tensão das operações militares e trouxe um elemento novo, que ainda não havia visto nos filmes de José Padilha: sensibilidade artística.


Fabio Belik é autor do livro Ventania

Um romance com sotaque de cinema. Em 278 páginas narra a história de Daniel, um garoto de 9 anos que em 1969 se vê às voltas com o abandono, vivendo momentos de amadurecimento e superação. À venda no Clube de Autores.



Filme: 7 Dias em Entebbe

Data de produção: 2018
Direção: José Padilha
Roteiro: Gregory Burke
Elenco: Rosamund Pike, Daniel Brühl, Vincent Cassel, Eddie Marsan e Ben Schnetzer

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