Sempre ao Seu Lado: laços emocionais apertados demais

Sempre ao seu lado: filme dirigido por Lasse Hallström
UMA BOA HISTÓRIA, CONTADA COM SIMPLICIDADE
Histórias que falam do relacionamento entre homens e cães são sempre emocionantes. Esbarram em arquétipos estabelecidos desde que ambas as espécies firmaram uma bem-sucedida pareceria na luta pela sobrevivência. Algumas dessas histórias são leves e divertidas, outras são tristes, especialmente as que falam sobre a dor da separação. Sempre ao Seu Lado, filme de 2009 dirigido pelo sueco Lasse Hallström, está na segunda categoria, mas irradia afetividade e um envolvente tom de serenidade. O filme é o remake de uma produção japonesa de 1987, intitulada Hachiko Monogatari, dirigida por Seijiro Koyama. A nova versão é estrelada por Richard Gere e conta a história real de Hachi, um cachorro cuja fidelidade o leva a voltar diariamente a uma estação de trem, para receber o professor universitário que o adotou. E o adorável cão continua a repetir o gesto cotidianamente, mesmo após a morte do seu dono, na esperança de reencontrá-lo.
É uma história singela, mas seu apelo emocional é poderoso: fala de fidelidade, laços de afetividade e toca com sutileza em assuntos espirituais. Teve grande alcance popular no Japão, onde aconteceu de verdade, entre as décadas de 1920 e 1930. O dono de Hachi era Hidesaburō Ueno, que morreu em 1925; seu cão, contudo, retornou à estação de trem de Shibuya diariamente, por nove anos. Essa história foi publicada nos jornais e ganhou repercussão nacional. De tão difundida, acabou engendrada na cultura local, mas contém elementos que lhe conferem um caráter universal. Hoje, quem visita a tal estação de trem, encontrará uma estátua de bronze erguida em homenagem a Hachi.
Em Sempre ao Seu Lado, o cão também é da raça akita e veio diretamente do Japão. Por falhas durante o transporte, o pequeno filhote vai parar na estação de trem de Bedridge, em Boston; lá ele é encontrado pelo professor de música, Parker Wilson (Richard Gere), que o acolhe imediatamente. Como ninguém reclama a posse do cão, Parker o adota, apesar da resistência inicial de sua mulher, Cate (Joan Allen). Com a ajuda de um colega da universidade, o professor Ken Fujiyoshi (Cary-Hiroyuki Tagawa), Parker descobre que o cão traz na coleira a palavra "hachi", o caractere japonês para o número oito. Pronto, o cãozinho está batizado! Com o passar dos anos, Hachi e seu dono se envolvem em uma rotina tranquila, mas cercada de afetividade e qualidade de vida. O recorte que acompanhamos na dinâmica entre todos personagens, nos remete a um período de amadurecimento, onde a busca por equilíbrio dá a tônica. Então, finalmente, chega o dia em que as idas e vindas pela estação chegam ao fim. Hachi, porém, não aceitará isso!
Para funcionar, uma história baseada em fatos precisa ser contada com emoção verdadeira. O elenco de Sempre ao Seu Lado, que além de Richard Gere conta com Joan Allen, Sarah Roemer e Jason Alexander, dá conta do recado e entrega excelentes atuações. O trabalho mais sutil, entretanto, ficou mesmo nas mãos do roteirista, Stephen P. Lindsey; ele inicia a narrativa na voz de Ronnie (Kevin DeCoste), neto do professor de música, que na escola faz uma apresentação para os colegas e fala do seu herói pessoal e seu inseparável Hachi. Pronto! Estamos emocionalmente fisgados! Outro mérito do roteirista está na sua manobra para conseguir credibilidade: incorporou elementos orientais à trama; acrescentou o personagem do professor Ken, responsável por explicar ao espectador os elementos culturais que dão amarração à história.
Para funcionar, uma história baseada em fatos precisa ser contada com emoção verdadeira. O elenco de Sempre ao Seu Lado, que além de Richard Gere conta com Joan Allen, Sarah Roemer e Jason Alexander, dá conta do recado e entrega excelentes atuações. O trabalho mais sutil, entretanto, ficou mesmo nas mãos do roteirista, Stephen P. Lindsey; ele inicia a narrativa na voz de Ronnie (Kevin DeCoste), neto do professor de música, que na escola faz uma apresentação para os colegas e fala do seu herói pessoal e seu inseparável Hachi. Pronto! Estamos emocionalmente fisgados! Outro mérito do roteirista está na sua manobra para conseguir credibilidade: incorporou elementos orientais à trama; acrescentou o personagem do professor Ken, responsável por explicar ao espectador os elementos culturais que dão amarração à história.
De seu lado, o diretor Lasse Hallström sabe onde pisa – seu primeiro filme internacional, realizado em 1985 foi Minha vida de cachorro e em 2017, repisou o tema com Quatro Vidas de Um Cachorro! Ele conduz Sempre ao Seu Lado com sensibilidade, num ritmo e preciso e ressalta os momentos emocionantes por meio de uma trilha sonora eficiente e bela. Para as filmagens, o diretor usou três Akitas, cada um interpreta uma fase na vida de Hachi. Com belas imagens, o filme nos deixa respirar uma atmosfera oriental o tempo todo, o que ressalta a força poética da história.
Em Sempre ao Seu Lado, os laços emocionais — e como eles se fortalecem — são abordados com delicadeza e bom gosto. Não há exageros nem apelos fáceis para verter lágrimas. Elas vêm, mas brotam da sinceridade com que a história é contada.
Resenha crítica do filme Sempre ao Seu Lado
Data de produção: 2009
Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Stephen P. Lindsey
Elenco: Richard Gere, Joan Allen, Erick Avari, Jason Alexander, Sarah Roemer, Cary-Hiroyuki Tagawa, Robbie Collier Sublett, Davenia McFadden, Kevin DeCoste e Tora Hallström
Roteiro: Stephen P. Lindsey
Elenco: Richard Gere, Joan Allen, Erick Avari, Jason Alexander, Sarah Roemer, Cary-Hiroyuki Tagawa, Robbie Collier Sublett, Davenia McFadden, Kevin DeCoste e Tora Hallström
Esse filme me pegou num momento MT especial pois tinha perdido meu cachorro. Chorei pra caramba.
ResponderExcluirÉ impossível não se emocionar com essa história, ainda mais quando há um forte identificação afetiva.
ExcluirTenho o o filme só de pensar nele, choro.
ResponderExcluirSim, Maria Fernandes. E são lágrimas que brotam da emoção verdadeira que os realizadores conseguiram expressar.
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