Agente 86: remake da série dos anos 60


Agente 86: filme dirigido por Peter Segal

O VELHO TRUQUE DO REMAKE QUE FAZ JUS À SÉRIE ORIGINAL

Para se divertir assistindo ao filme Agente 86, realizado em 2008 e dirigido por Peter Segal, não é necessário que o espectador tenha acompanhado a série homônima apresentada na TV dos anos 60. Mas quem teve esse prazer, certamente fará melhor proveito, lendo com maior fluência as espaçosas entrelinhas que se formam entre uma piada hilariante e outra.
        Para começo de conversa, o nome mais vistoso por trás do filme é o de... Mel Brooks, que se tornaria um dos grandes nomes da comédia no cinema. Junto com Buck Henry, ele foi responsável pela criação do personagem e pela formatação da série, exibida entre 1965 e 1970 ao longo de cinco temporadas, totalizando 138 episódios. Depois da primeira temporada, Mel Brooks teve pouco envolvimento com a produção, que serviu de base para esse remake de 2008. A sinopse de ambos é a mesma:
        Maxwell Smart, o tal Agente 86, acaba de ser promovido a agente do C.O.N.T.R.O.L.E., a organização secreta do bem que combate a K.A.O.S., organização secreta do mal. Ao lado da veterana Agente 99 e contando com seus inusitados aparatos tecnológicos, ele tentará atrapalhar os planos dos vilões, obcecados em dominar o mundo. Enfrentará perigos inesperados, agentes duplos e toda sorte de imbróglios típicos dos filmes de espionagem.
        Nos anos 60, em plena guerra fria, o estrondoso sucesso do agente britânico 007 nos cinemas levou os americanos a tentar um contragolpe na TV, lançando as séries Agentes da U.N.C.L.E. e Missão Impossível, mas seus espiões se levavam a sério demais. Já o Agente 86 era puro deboche. Os vilões da K.A.O.S. mais pareciam nazistas com sotaque alemão, a presunção dos agentes americanos era pastiche intencional da fleuma britânica e as traquitanas tecnológicas não passavam de bobagens. O sapatofone, numa época em que o público nem pensava em smartphones – para ficar no trocadilho – era tão absurdo quanto o cone do silêncio que nunca funcionava.
        Agente 86, nas mãos do diretor Peter Segal, virou uma comédia de ação, ágil e divertida, sem nunca perder o timing das piadas. Porém, o nome mais vistoso nesse remake é o de... Steve Carell, que interpreta Maxwell Smart com grande competência. Na pele do ator, o personagem desastrado, desatento e dono de uma ingenuidade proverbial, vive uma nova encarnação, tamanha a semelhança física com Don Adams, a estrela da série original. Carrel resgatou o charme, a engenhosidade e o carisma de um dos agentes secretos mais sortudos do cinema.
        É preciso mencionar ainda a vistosa presença de Anne Hathaway, que vive a Agente 99 em toda a sua sensualidade e letalidade. Além disso, os amantes da série vão se esbaldar com o uso dos bordões, com as inúmeras piadas que não perderam a graça e também com as aparições do Agente 13, cujos disfarces eram impagáveis. Diversão garantida!



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Filme: Agente 86


Ano de produção: 2008
Direção: Peter Segal
Roteiro: Tom J. Astle e Matt Ember
Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson, Alan Arkin, Terrence Stamp, Terry Crews, David Koechner e James Caan

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