Moonfall - Ameaça Lunar: um filme de catástrofe que é... catastrófico!


Cena do filme Moonfall - Ameaça Lunar
Moonfall - Ameaça Lunar: direção de Roland Emmrich

O DESASTRE COMEÇA PELO ROTEIRO!

Para contar uma história da melhor maneira possível, é legítimo que um cineasta subverta as leis da física, ignore as forças da natureza e chute para o espaço os princípios da lógica. Só não pode abrir mão da verossimilhança. É preciso manter coerência entre as situações extraordinárias que inventa e o universo interno dos seus personagens. Enquanto o espectador seguir reconhecendo a verdade no fluxo emocional que chega irradiado da tela, pouco importa se a história parece irreal e improvável. Pelo menos ela é verossímil! No filme Moonfall – Ameaça Lunar, dirigido em 2022 por Roland Emmerich, todos os baldes foram chutados, respingando absurdos por todos os lados. Foi tudo em nome do entretenimento, é verdade, mas quem gosta de cinema não se contenta com passatempos. Para ficar no trocadilho, o filme é um desastre.
        Quem entra na sala de cinema para assistir a um filme sobre a destruição catastrófica do planeta Terra, busca diversão e sabe que será obrigado a fazer concessões ao bom senso. Sabe também que será submetido a incontáveis cenas criadas por computação gráfica – de um realismo arrebatador, diga-se de passagem. Mas quando me agarrei ao meu balde de pipoca para conferir Moonfall – Ameaça Lunar, também esperava ver repetidos os bons resultados que Roland Emmerich alcançou quando realizou O Dia Depois de Amanhã, seu melhor filme de catástrofe. Lá os personagens, ainda que estereotipados, convenciam. Aqui, faltou consistência. Lá as cenas expositivas eram inseridas com elegância na estrutura narrativa. Aqui, vieram enfadonhas e gélidas. Mas antes de começar a descer a lenha no desastre que é esse roteiro, vamos mergulhar na história do filme.
        O filme Moonfall – Ameaça Lunar conta como a astronauta Jocinda "Jo" Fowler (Halle Berry) é salva pelo seu colega Brian Harper (Patrick Wilson) durante uma missão fracassada do ônibus espacial em 2011 – foram atacados por uma entidade alienígena, mas apenas Harper foi testemunha. Desacreditado, ele é banido da NASA e entra numa curva de depressão, que o leva a se separar da mulher e se distanciar do filho, mergulhando no fundo do poço. Mas eis que em 2021 um fato improvável acontece: a Lua sai de órbita e caminha em rota de colisão com a Terra. O apocalipse virá em questão de semanas. Jo Fowler é agora diretora da NASA e descobre que Harper dizia a verdade quanto à improvável entidade alienígena. Vai atrás dele em busca de ajuda para salvar o planeta, mas o astronauta está metido com K.C. Houseman (John Bradley) um “megaestruturista”  um teórico da conspiração que acredita que a Lua não é um satélite natural, mas uma construção oca e artificial. Os três formam um time destrambelhado, mas decidido a salvar suas famílias e... todo o resto da humanidade.
        Há destruição e catástrofes no filme Moonfall – Ameaça Lunar, mas elas não são as vedetes do espetáculo. As cenas são exibidas sem preparação, sem preocupação em fazer suspense. Ficamos com a impressão de que o diretor preferiu deixar a destruição global como pano de fundo, talvez acreditando que o público já esteja saturado com essas cenas em computação gráfica, usadas à exaustão por ele mesmo e por seus seguidores. Bobagem! Cenas de catástrofes são como aquelas antigas lutas de telecatch, onde personagens mexicanos se digladiavam no ringue, para uma plateia que sabia muito bem se tratar de pura marmelada, mas que vibrava sempre que o vilão era levado à lona com golpes coreografados. E aplaudia entusiasmada, sempre!
        Roland Emmerich preferiu ficar grudado nos seus personagens, mas se esqueceu de dar a eles alguma profundidade. Os pobres atores nem sequer tinham linhas de diálogo minimamente satisfatórias para poder entregar alguma interpretação plausível – senti pena de Donald Sutherland, Charlie Plummer e Michael Peña, que têm tanto a oferecer em qualquer produção. No filme Moonfall – Ameaça Lunar as cenas se sucedem em ritmo acelerado e são cortadas antes que o espectador tenha a oportunidade de assimilar o beat emocional que elas tentam insinuar. E quando já desistimos de encontrar o fio da meada dramática, somos bombardeados com explicações e mais explicações em cenas expositivas, que fariam corar de vergonha até mesmo os roteiristas mais inexperientes. Sem ritmo e sem fluxo narrativo, o filme é uma decepção.
        Roland Emmerich escreveu o roteiro em colaboração com Spenser Cohen e Harald Kloser, inspirados no livro Who Built the Moon?, escrito por Christopher Knight e Alan Butler. Um é publicitário especializado em marketing e o outro, engenheiro e astrólogo. A dupla de escritores ficou consagrada por seus best-sellers sobre cavaleiros templários e o Santo Graal. Nesse livro eles se valem de muita imaginação e uma boa base científica para sustentar que a Lua talvez tenha sido construída por seres do futuro e... Bem, é melhor deixar essa discussão para outros fóruns mais apropriados. De volta ao cinema, ficamos com um fato inquestionável: esse roteiro, trabalhado por Emmerich por longos quatro anos, não faz jus à sua reputação como o sujeito que redefiniu o cinema catástrofe. Mas talvez ele continue mantendo o posto de diretor mais lucrativo do cinema arrasa-quarteirão. Com um orçamento de praticamente 150 milhões de dólares, o filme Moonfall – Ameaça Lunar deve recuperar ese valor e retornar um bom lucro para os investidores.

Resenha crítica do filme Moonfall - Ameaça Lunar

Ano de produção: 2022
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser e Spenser Cohen
Elenco: Halle Berry, Patrick Wilson, John Bradley, Michael Peña, Charlie Plummer, Kelly Yu e Donald Sutherland

Comentários

  1. Durante o filme eu quase desisti de chegar ao fim por quatro vezes.

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    1. Ah, já sei!!! Você deve ter resistido enquanto ainda tinha pipoca no balde!!!

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  2. Gostei da sua crônica mas não Gostei do filme.

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    1. Obrigado! Vamos continuar na torcida para que Emmirich recobre a boa forma e nos apresente um entretenimento de qualidade no futuro.

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