Crítica | O Dia Depois de Amanhã: em 2004, o filme previa o caos. Ficou só na promessa?

O Dia Depois de Amanhã: filme de Roland Emmerich
PERSONAGENS VEROSSÍMEIS, PREMISSAS POUCO CIENTÍFICAS
Dia desses, procurando algo decente ao qual assistir nas plataformas de streaming, tropecei em O Dia Depois de Amanhã, dirigido em 2004 por Roland Emmerich. O filme é garantia de ótimo entretenimento e certamente está na lista de muitos cinéfilos que o visitam quando querem apenas relaxar no sofá. Realizado há mais de 20 anos, tornou-se um marco no cinema catástrofe, ao exibir efeitos visuais de um realismo arrebatador. Também contribuiu para alimentar a cansativa lengalenga sobre o aquecimento global provocado pela sanha capitalista da raça humana.Este é um planeta vivo!
Cá entre nós, esse alarmismo ambiental não passa de pura arrogância. A ciência só começou a monitorar a temperatura global a partir de meados do século XIX, há menos de dois séculos – um piscar de olhos na turbulenta história climática do planeta, que já passou por incontáveis sobressaltos causados por fenômenos naturais. Culpar o dióxido de carbono emitido pelos combustíveis fósseis – e os gases ruminados pelas vacas que cultivamos em escala industrial – é uma desculpa fajuta, inventada por ideólogos mais interessados em praticar o controle social.
O Dia Depois de Amanhã: linguagem científica e reações emocionais dos personagens
Alarmistas versus climatologistas
Políticos ameaçavam nossas faixas litorâneas desde a década e 1970, afirmando que o nível dos oceanos iria subir. Passados cinquenta anos, ficou claro: só alimentaram a especulação imobiliária. Os ambientalistas, com suas narrativas ideologizadas, foram paparicados pela mídia, enquanto os cientistas de instituições respeitáveis, com dados e argumentos sólidos contra o alarmismo, foram mantidos encarcerados nos círculos acadêmicos. Quando está sozinho com sua consciência, não sei a qual dos grupos o diretor Roland Emmerich prefere escutar, mas quando faz cinema, não perde a oportunidade de torcer pela catástrofe. E como isso tem sido lucrativo para ele!
O Dia Depois de Amanhã: Roland Emmerich é o nome mais lucrativo do cinema catástrofe
O midas do cinema catástrofe
Aliás, o diretor alemão é um dos nomes mais lucrativos para Hollywood; já assinou os principais sucessos do cinema catástrofe, como Independence Day, Godzila, 2012 e Moonfall. O melhor deles é O Dia Depois de Amanhã, mas não pelas premissas científicas – duvidosas e sensacionalistas –, nem pela profundidade dos seus personagens, caracterizados a partir de clichês clássicos. O que atrai nesse filme é o domínio mostrado pelo diretor sobre as ações paralelas, decupadas com ritmo e precisão. Ele também esbanja habilidade na hora de mostrar ao espectador aquilo que ele está ansioso para ver, mas apenas no momento certo e de um jeito surpreendente.Uma conclusão estarrecedora
O Dia Depois de Amanhã conta a história de Jack Hall (Dennis Quaid), um paleoclimatologista dedicado a investigar as modificações climáticas sofridas pelo nosso planeta ao longo dos milênios. Ele e sua equipe topam com descobertas desconcertantes, que não impressionam seus colegas cientistas, à exceção do renomado professor Terry Rapson (Ian Holm). Os dois trocam informações e chegam a uma conclusão estarrecedora: nos próximos 100 anos a Terra passará por uma nova era glacial e terá seu hemisfério norte congelado, o que resultará numa série de catástrofes.
O Dia Depois de Amanhã: personagens que carregam verdade emocional
Acontece que Jack estava errado! A escala de tempo não deveria ser medida em séculos, mas em horas! Suas tentativas de alertar o governo, para salvar o maior número de pessoas, dão em nada; vê seu país ser arrasado por furacões, tornados, tempestades de neve, terremotos, ondas gigantes e o que mais a mãe natureza enfurecida tiver em seu cardápio de desgraças. Jack também precisa salvar o filho, Sam (Jake Gyllenhaal), isolado com os amigos em uma Nova Iorque arrasada e congelada.
Os efeitos visuais continuam espetaculares
O Dia Depois de Amanhã é puro entretenimento. O roteiro, assinado por Jeffrey Nachmanoff em parceria com o próprio Emmerich, gera credibilidade e verossimilhança. Veja bem, não falo em precisão científica. Ainda que os acontecimentos narrados sejam pura invencionice, a linguagem científica e as reações emocionais dos personagens mantém o espectador grudado na poltrona, enquanto se delicia com o espetáculo visual. Os efeitos digitais, gerados por numerosas equipes de técnicos à frente dos seus computadores, dão conta de materializar qualquer ideia dos realizadores. Porém, isso exige postura gerencial por parte do diretor e o deixa mais próximo das práticas industriais de Hollywood.Prepare o balde de pipoca
Em O Dia Depois de Amanhã a máquina de fazer dinheiro, digo, de fazer filmes, conseguiu ótimos resultados. Vemos Nova Iorque sendo destruída, com o 11 de setembro ainda aceso na memória do público. Vemos Los Angeles varrida por tornados em série, com direito a transmissões ao vivo pela TV. E vemos americanos cruzando a fronteira na contramão, guiados por coiotes, para tentar sobreviver no México! Ah! Esse filme é para ser consumido junto com doses exageradas de pipoca!Veredito da crônica de cinema
★★★★☆(4 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção competente de Roland Emmrich, os efeitos visuais de tirar o fôlego, as histórias paralelas bem costuradas em um roteiro ágil e o carisma de um elenco competente.
O que decepciona: a falta de premissas científicas e personagens construídos a partir de clichês.
Acima da média. É o melhor do gênero catástrofe.
Resenha crítica do filme O Dia Depois de Amanhã
Data de produção: 2004
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Jeffrey Nachmanoff
Elenco: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Dash Mihok, Sela Ward, Ian Holm, Sasha Roiz, Austin Nichols, Tamlyn Tomita, Arjay Smith, Jay O. Sanders, Adrian Lester, Glenn Plummer, Perry King, Kenneth Welsh e Nestor Serrano
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Jeffrey Nachmanoff
Elenco: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Dash Mihok, Sela Ward, Ian Holm, Sasha Roiz, Austin Nichols, Tamlyn Tomita, Arjay Smith, Jay O. Sanders, Adrian Lester, Glenn Plummer, Perry King, Kenneth Welsh e Nestor Serrano
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