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Crítica | A Cor Púrpura: a adaptação de Steven Spielberg ainda soa melodramática demais

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A Cor Púrpura: filme de Steven Spielberg ADAPTAÇÃO DESFOCADA DE UM ROMANCE CONTUNDENTE Eis que, em 1985, Steven Spielberg se vê às voltas com seu primeiro drama, depois de chegar ao topo como diretor de grandes sucessos de bilheteria. Certamente foi colocado à frente do projeto para transformar A Cor Púrpura em um arrasa-quarteirão. E conseguiu! Também conseguiu mergulhar em um mar infestado de polêmicas e críticas desfavoráveis. Revisitei o filme recentemente e ainda penso que o diretor errou a mão, embora tenha nos entregado uma produção caprichada, com uma narrativa ágil e envolvente. Uma vida de sofrimento           Antes de cutucar nos problemas, porém, vamos falar um pouco do livro que originou o filme; trata-se do romance A Cor Púrpura , escrito em 1983 por Alice Walker. Esse estrondoso sucesso, que rendeu a ela o Prêmio Pulitzer, traz uma característica importante: é construído por meio das cartas escritas pela protagonista – endereçadas ao Querido...

Crítica | Django Livre: Tarantino descobriu a verdadeira motivação do personagem

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Django Livre: filme dirigido por Quentin Tarantino TARANTINO VAI DIRETO NA ESSÊNCIA DO WESTERN: A LIBERDADE! Vingança é a motivação básica em diversos gêneros de filmes e recorrente em todos os dirigidos por Quentin Tarantino, como nesse seu Django Livre , produzido em 2012. Mas quem vê apenas a vingança explodindo sangrenta em cenas desconcertantes e exageradas, fica com uma mera fração do conteúdo. Os personagens de Tarantino não são rasos; se querem ser reconhecidos como vingativos é porque têm muito a esconder. Podemos deduzir isso por meio das suas falas extensas e minuciosas, em cujas entrelinhas pipocam as verdades que precisam manter ocultas e as mentiras que não querem ver desmascaradas. Motivações estéticas           Ouso dizer que em todos os personagens de Tarantino é possível encontrar uma motivação... estética! Não se trata apenas de consumar a vingança, mas de vê-la expressa graficamente, literariamente, musicalmente... O regozijo com a criaç...

Crítica | Taxi Driver: continua perturbador

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Taxi Driver: filme de Martin Scorsese UM PERSONAGEM ATORMENTADO, UMA CIDADE CÚMPLICE E UM TEMA PARA SAXOFONE Na foto que escolhi usar para ilustrar esta crônica sobre  Taxi Driver , filme de 1976 dirigido por Martin Scorsese, vemos ao volante do yellow cab o jovem e perturbado Travis Bickle. Ele está com os olhos arregalados, revelando desconfiança e apreensão, enquanto observa pelo retrovisor o passageiro no banco de trás. O sujeito, sinistro e perturbado, pede a Travis que pare em frente a um prédio e observe, numa janela, a silhueta de uma mulher. A sua mulher! A mulher que ele sabe infiel, já que a flagrou em pleno ato de traição; descreve como pretende matá-la com requintes de perversidade! Seu tom de voz irradia tanta dor de cotovelo e desejo de vingança, que consegue incutir em Travis a noção de que, sim, é possível matar alguém, como forma de corrigir o que julga estar errado. Ator e diretor trabalhando em parceria          A cena  retrata mai...

O Gângster: thriller com atmosfera dos grandes clássicos sobre a máfia

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O Gângster: filme dirigido por Ridley Scott UM FILME DE GÂNGSTERES QUE MERECE ESTAR ENTRE OS CLÁSSICOS DO GÊNERO O filme O Gângster , dirigido em 2007 por Ridley Scott, tem um atrativo poderoso: é baseado em fatos. Narra a história de Frank Lucas, um bandido do Harlem que herdou os negócios do mafioso Ellsworth Johnson. O ano era 1968. O jovem empreendedor teve uma ideia ousada: eliminar os intermediários no circuito da droga e importar heroína diretamente do Vietnã, usando a logística de militares corruptos. Em questão de meses, desbancou a máfia italiana e acumulou uma fortuna descomunal; porém, como levava uma vida discreta e sem ostentação, as autoridades nem sequer tinham conhecimento da sua existência. Vivia no melhor dos mundos.           Na outra ponta dessa história real, está Richie Roberts, um policial tão honesto que, certa vez, devolveu aos cofres públicos cerca de 1 milhão de dólares em dinheiro de suborno, que havia encontrado numa ...

Crítica | Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento: Julia Roberts brilha sob o comando de Steven Soderbergh

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Erin Brockvich: filme dirigido por Steven Soderbergh UM FILME DESTINADO A BRILHAR Sucesso! Essa é a palavra que me vem à mente quando penso em Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento , filme do ano 2000 dirigido por Steven Soderbergh. O sucesso é tão caudaloso que chega a transbordar para a vida real. É só fazer as contas: primeiro, temos o sucesso da própria Erin Brockovich, a personagem que dá título ao filme. Ela teve sua história incrível revelada para o mundo e acumulou uma fortuna nos tribunais, graças à sua luta para revelar um dos maiores crimes ambientais da história americana.  Temos também o sucesso da atriz Julia Roberts; quando ela aceitou o papel da protagonista, estava no auge da carreira e por ele ganhou seu Óscar de melhor atriz.  E para completar, temos o sucesso do diretor, que mais uma vez foi indicado ao Óscar.  Soderbergh já era respeitado por filmes como  Sexo, Mentiras e Videotape , Traffic e Onze Homens e um Segredo . Agora, c om este filme...

Crítica | Laranja Mecânica: Stanley Kubrick adaptou um dos romances mais influentes do século XX e fez um filme hiperviolento

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Laranja Mecânica: filme dirigido por Stanley Kubrick UMA HISTÓRIA SOBRE A VIOLÊNCIA, O CONTROLE DO ESTADO E A LINGUAGEM COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO Era um garoto de dez anos quando Laranja Mecânica foi realizado por Stanley Kubrick em 1971. Por volta dos quinze, fiquei sabendo da existência do polêmico filme, porque a mídia o abordava em frequentes reportagens – o próprio diretor, vejam só, havia pedido para banir a película das salas de exibição na Inglaterra, por ser hiperviolenta e sexualmente apelativa; além disso, as estrelas do rock britânico estavam sempre fazendo referências ao filme, mantendo acesa a curiosidade do resto do mundo. Enquanto isso, no Brasil, Laranja Mecânica estava proibido de pôr os pés. Espremido pelo estado           Por óbvio, minha curiosidade se voltou primeiro para o título do filme. Que serventia teria um tal mecanismo em forma de laranja? Mais tarde descobri se tratar de uma expressão criada pelo autor do livro, Anth...

Ghost - Do Outro Lado da Vida: o amor nunca morre

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Ghost - Do Outro Lado da Vida: filme dirigido por Jerry Zucker UMA HISTÓRIA DE AMOR DESPUDORADAMENTE SENTIMENTAL Patrick Swayze sentado atrás de Demi Moore, ambos manipulando a argila sobre a roda de oleiro, ao som da canção Unchained Melody . Há muito essa imagem deixou de ser cena de filme e virou ícone romântico, com potencial para continuar arrancando suspiros de futuras gerações. Ghost – Do Outro Lado da Vida foi realizado em 1990 e continua funcionando muito bem; Ludy e eu tropeçamos nele outro dia, enquanto vasculhávamos a programação da TV por assinatura e imediatamente nos acomodamos no sofá, para acompanhar essa história já conhecida, mas envolvente.           É muito fácil se render ao filme. Ele foi construído ao redor de dois conceitos poderosos, há muito incrustrados na cultura ocidental: o amor romântico e apaixonado como pilar dos relacionamentos e a imortalidade da alma, que arrefece nossas angústias diante da finitude da vida. Apesar de c...