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Crítica | Calígula: O Corte Final: sem as cenas de sexo explícito, as excelentes atuações ficaram em destaque

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Tinto Brass e Gore Vidal renegaram Calígula: lixo cinematográfico UM FILME REVISIONISTA, SEM A MESMA VOCAÇÃO PARA O ESPETÁCULO Nos anos 1970, Bob Guccione era um pornógrafo de sucesso. Dono da revista Penthouse, investiu algum dinheiro em produções de cinema e gostou da experiência; desenvolveu uma ambição peculiar: criar seu próprio gênero cinematográfico. Imaginou um drama épico de relevância histórica e sólidos valores artísticos, misturado com cenas de sexo explícito. Concluiu que Calígula – o tirânico imperador romano que os livros de história registraram como um louco com delírios de grandeza –, seria o protagonista ideal para transmitir credibilidade com um bom tanto de lascívia. Pronto! Deu início ao mais caro filme independente até então já produzido. Nada como um verniz para o acabamento           Guccione contratou o consagrado escritor Gore Vidal para escrever o roteiro e o diretor italiano Tinto Brass para garantir uma abordagem erótica com est...

Crítica | Apocalypto: Mel Gibson foi além do filme de perseguição e mostrou como se vence o medo

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Apocalypto: direção de Mel Gibson A VIOLÊNCIA COMO RESPOSTA AUTOMÁTICA Quando as ideias econômicas dos marxistas naufragaram irrecuperavelmente, o que fizeram os pensadores da esquerda? Agarraram-se à filosofia de Jean-Jacques Rousseau, o escritor suíço do século XVI, expoente do iluminismo; suas ideias forneceram munição tanto para os liberais como para os comunistas, mas foram estes últimos que se esbaldaram na sua visão de mundo coletivista. Para Rousseau, os problemas da humanidade começaram quando decidimos conviver em sociedade e instituímos a propriedade privada. Deduziu que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe; emplacou o conceito do “bom selvagem”, que vivia em perfeita harmonia com a natureza, sem vícios ou maldades, até que veio o processo civilizatório e infundiu-lhe todo o mal. A narrativa colou! Barbárie x civilização           Basta percorrer algumas poucas páginas da nossa história para entender que é justamente o contrário: o mal s...

Crítica | Somos Marshall: McG realiza um filme previsível. Por isso funciona bem!

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Somos Marshall: direção de McG DESPRETENSIOSO, MAS PROVEITOSO Sempre evitei os filmes sobre futebol americano. Não tenho qualquer familiaridade com esse esporte – desconheço as regras, os ídolos, os times importantes e os campeonatos conduzidos pelas várias ligas esportivas. Tudo o que sei é que os jogadores usam pesados equipamentos de proteção, porque disputam cada ponto com impressionante truculência. Ah, e sei também que o esporte tem uma relação de simbiose com a vida universitária americana; para serem aceitos como jogadores, os estudantes precisam obter boas notas no boletim; para galgar até as ligas profissionais, precisam passar pelo futebol universitário. Uma tragédia real           Para ganhar a minha torcida, filmes sobre futebol americano precisam ir além do futebol; precisam exibir cinema de qualidade. Somos Marshall , dirigido em 2006 por McG, não é nenhuma obra-prima do gênero, mas tem elementos de sobra para prender a atenção do espectador ...

Crítica | Efeito Dominó: Roger Donaldson conseguiu informações sobre um assalto real, até hoje em sigilo

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Efeito Dominó: direção de Roger Donaldson REUNIÃO DE TODOS OS TIPOS DE MELIANTES Sim, Efeito Dominó , filme de 2008 dirigido por Roger Donaldson, é um ótimo thriller policial, capaz de nos prender na poltrona do começo ao fim. Porém, é preciso que se diga: é mais um daqueles filmes que enaltecem os criminosos e celebram suas ousadias. Aliás, o espectro de meliantes coberto pela trama é dos mais amplos; tropeçamos em ladrões ordinários, traficantes de drogas, exploradores da pornografia, gângsteres, ativistas, falsários, agiotas, políticos, agentes do estado... E o pior de tudo: eles protagonizam uma história real, passada na Inglaterra 1971. Para complicar, as implicâncias e desdobramentos dos crimes por eles cometidos ainda não são totalmente conhecidos, pois o caso está sob sigilo até 2054 – sim, lá na Inglaterra, como no Brasil, o sistema também se autoprotege sem qualquer constrangimento. Tudo culpa da Princesa Margaret           O filme foi construído ...

Crítica | Faces da Verdade: Rod Lurie entrega um thriller político ágil e envolvente, onde a verdade tem valor absoluto

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Faces da Verdade: direção de Rod Lurie VERDADE: VALOR QUE NÃO PODE SER RELATIVIZADO Sempre reservo um dia da semana para exercer o que chamo de... extrativismo cinematográfico: vasculho as plataformas de streaming com método e paciência, atento a qualquer pepita mais reluzente. Não é sempre, mas elas aparecem, presas na minha peneira criteriosa. Dessa vez, meu achado foi Faces da Verdade , escrito e dirigido em 2008 por Rod Lurie. Depois de reconhecer o nome do diretor, responsável por ótimos filmes como A Última Fortaleza e Posto de Combate , este cinéfilo garimpeiro apertou o play e não se arrependeu. No Brasil, o filme ganhou um título maroto           Faces da Verdade é um thriller político ágil e envolvente, com um roteiro bem costurado, diálogos bem escritos e ótimas interpretações. É entretenimento, mas tem qualidades estéticas e traz provocações que fazem pensar – nos lembra que a verdade é tudo o que de fato importa. Antes de começar a destrinch...

Crítica | O Quarto do Pânico: David Fincher filma um roteiro de David Koepp e entrega um thriller tenso, complexo e de dar nos nervos

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O Quarto do Pânico: direção de David Fincher NARRATIVA VISUAL COMPLEXA PARA UM ROTEIRO ENXUTO Depois de trabalhar nos roteiros de grandes sucessos, como  A Morte lhe Cai Bem ,  Jurassic Park  e  Missão Impossível , David Koepp se tornou um dos roteiristas mais requisitados de Hollywood. No início dos anos 2000, ele e screveu um roteiro de forma independente e o colocou à venda; provocou uma acirrada disputa entre os grandes estúdios, que foi vencida pela Columbia Pictures. O diretor recrutado para encabeçar o projeto, lançado em 2002 com o título de O Quarto do Pânico , foi David Fincher; realizou um thriller acima da média, com doses fartas de suspense e ação, enq uanto mantem o espectador enclausurado em um espaço cênico apertado. O enredo é previsível, e por isso mesmo eficiente: desde as primeiras cenas, vemos as forças antagônicas tomando posição e só podemos imaginar as surpresas e as reviravoltas que virão. Refúgio para os milionários      ...

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