Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo

Cena do filme Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo
O Mestre dos Mares: o Lado Mais Distante do Mundo: direção: Peter Weir

A ARMA SECRETA DE QUALQUER ESQUADRA

Filmes de corsários e piratas, com duelos de espada, homens pendurados nos mastros e outros tantos agarrados a cordas, voando feito pêndulos de estibordo para bombordo, fazem parte do imaginário de qualquer cinéfilo. Talvez estejam fora de moda, mas já foram populares em outras décadas. Depois de queimar todo o estoque de clichês, o gênero deixou de capturar o interesse do público e a indústria partiu para explorar outros nichos. Mas deixou como legado alguns títulos memoráveis – até Roman Polanski se esbaldou rodando Piratas, de 1986! A grande pergunta que sempre me fiz ao assistir a esse tipo de filme era de natureza filosófica: o que leva um bando de marujos confinados numa embarcação precária a desafiar a fúria do mar, lutar contra inimigos ensandecidos e enfrentar a morte certa? A resposta que ainda hoje me ocorre é uma só: liderança!
        É disso que se trata Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo, realizado em 2003 por Peter Weir e estrelado por Russel Crowe e Paul Bettany. Entrei no cinema imaginando que veria um filme de ação sobre as terríveis batalhas navais nas guerras napoleônicas, mas acabei assistindo a uma aula sobre liderança. Ao longo do filme, temos um vislumbre sobre como os líderes e os liderados são forjados a partir de valores cruciais como honra, coragem, lealdade e respeito. É um filme vibrante, onde Peter Weir – um diretor versátil, que já nos deu Sociedade dos Poetas Mortos e A Testemunha – não perde o foco e tempera as cenas com doses precisas de ação, emoção e aventura. Vamos à sinopse:
        O capitão Jack Aubrey (Russel Crowe), no comando do navio britânico HMS Surprise, está em uma missão perigosa: precisa localizar e afundar o Acheron, uma embarcação francesa muito mais moderna, rápida e poderosa. Para dar conta da tarefa, ele pretende levar seus homens ao limite e usar de toda astúcia, visão estratégica e sorte que puder encontrar. A bordo, seu grande amigo Stephen Maturin (Paul Bettany), médico, naturalista e agente da inteligência britânica, é a voz da sensatez e o contraponto perfeito para sua impetuosidade. Jack Aubrey e seus homens enfrentarão o Acheron mais de uma vez e conhecerão o horror das acirradas batalhas em alto mar, alternando momentos de tensão e oportunidades de superação. Viverão dramas pessoais e descobrirão de onde vem a fortaleza que os mantém unidos e... invencíveis!
        Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo é baseado na série de 20 livros escrita por Patrick O’Brian e conhecida como Série Aubrey-Maturin. São romances históricos considerados pelos críticos como os melhores já escritos, por combinar precisão histórica com a ação e a emoção presentes na literatura de aventura. Dois deles serviram como base para o filme: Master and Commander, de 1970 e The Far Side of the World, de 1984. Toda a série está centrada na amizade entre Jack Aubrey e Stephen Maturin e foi esse o elemento que Peter Weir fez questão de destacar em sua adaptação para o cinema. O filme é ambientado inteiramente no mar e não abre espaço para subtramas ou envolventes histórias de amor. Portanto, é a partir dessa amizade que derivam os ganchos emocionais, que vão desembocar em conceitos tão diversos: patriotismo, coragem, ciência, filosofia, razão...
        Os primeiros rascunhos do roteiro foram escritos por John Collee, mas foi a intervenção pragmática do diretor australiano que depurou a narrativa linear, enxuta e direta que temos no filme. Foi dele a decisão de excluir do enredo a presença de uma mulher – a história da esposa do artilheiro que vem à bordo, contada no romance The Far Side of the World. Peter Weir considerou que ela estava desviando o ponto focal do filme.
        Em relação às técnicas cinematográficas, Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo é resultado do uso correto de vários recursos. Nos sets de filmagem o diretor contou com um navio em tamanho real, montado sobre a mesma estrutura hidráulica usada para o filme Titanic. Além disso, utilizou várias maquetes em escala para coreografar as cenas de batalhas. E é claro que se valeu da computação gráfica para misturar todos esses elementos e obter imagens realistas e impactantes.
        Peter Weir é um cineasta concentrado em emocionar e não usou a tecnologia como pirotecnia. Ao contrário, deixou-a transparente, trabalhando a favor da narrativa. Seu filme recebeu dez indicações para o Óscar e saiu da festa com duas estatuetas: melhor fotografia e melhor som. Ao contar as aventuras do Capitão Jack Aubrey e de Stephen Maturin, seu braço direito, ele provou que um grande líder pode ser a melhor arma secreta à disposição de qualquer exército.

Resenha crítica do filme Mestre dos Mares: o Lado Mais Distante do Mundo

Título original: Master and Commander: The Far Side of the World
Título em Portugal: Master & Commander - O Lado Longínquo do Mundo
Ano de produção: 2003
Direção: Peter Weir
Roteiro: Peter Weir e John Collee
Elenco: Russell Crowe, Paul Bettany, James D'Arcy, Edward Woodall, Chris Larkin, Max Pirkis, Jack Randall, Max Benitz, Lee Ingleby, Richard Pates, Robert Pugh, Richard McCabe, Ian Mercer, Tony Dolan, David Threlfall, Billy Boyd, Bryan Dick, Joseph Morgan, George Innes, William Mannering, Patrick Gallagher, Alex Palmer, Mark Lewis Jones, John De Santis, Ousmane Thiam e Thierry Segall

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