Hanna: a história de uma garota transformada em máquina de guerra

Hanna: filme dirigido por Joe Wright

UM FILME DE AÇÃO ONDE A PROTAGONISTA ESTÁ EM BUSCA DA PRÓPRIA IDENTIDADE

É difícil acompanhar a história da jovem Hanna Heller e não enxergar nela a contraparte feminina de Jason Bourne, o protagonista de filmes de ação em permanente perseguição da própria identidade. Realizado em 2001 sob a direção de Joe Wright – cineasta que depois realizou O Destino de Uma Nação e o recente A Mulher na Janela – o filme Hanna é um thriller eletrizante, com sequências de ação de tirar o fôlego, mas foi construído sobre uma base emocional consistente, revelando uma personagem que busca compreender quem é e como deve se inserir no mundo – ou moldá-lo às suas necessidades.
        Hanna nos conta a história da garota que, aos 15 anos, vive isolada com o pai nos gelados confins da Finlândia, onde vive uma rotina de treinamento de sobrevivência e preparação militar. A garota é praticamente uma máquina de guerra, que espera o dia em que será colocada em ação. Quando esse dia chega, uma tropa de agentes governamentais vem capturá-la, dando início a uma saga que envolve conspirações militares, experimentos científicos, espionagem e... vingança!
        Joe Wright faz um autêntico filme de ação, trabalhando com habilidade os elementos que estão ao seu dispor: suspense, sentido de urgência, vilões impiedosos e personagens com profundidade psicológica suficiente para render uma boa movimentação dramática. E conta com um elenco competente, que além da jovem Saoirse Ronan traz nomes como Cate Blanchett e Eric Bana.
        No filme Hanna encontrei um atrativo especial: uma bela cena em plano-sequência que confere muita personalidade à produção. Ela mostra o personagem de Eric Bana desembarcando no aeroporto de Munique, caminhando até a estação de metrô e enfrentando um bando de agentes até nocauteá-los. Gosto de lembrar que o plano-sequência é muito mais do que uma cena longa, gravada numa única tacada em sem cortes. Para realizá-lo é preciso articular a narrativa, prevendo os diferentes planos que normalmente comporiam uma sequência. Tudo precisa estar muito bem coreografado, para que a ação aconteça em sincronismo. O que se ganha com isso? Tensão, realismo e envolvimento do espectador.
        Joe Wright acertou! Se ao lutar na estação do metrô Eric Bana desferisse seus golpes entre cortes e closes, a cena seria apenas mais uma das muitas que se vê por aí. Ao invés disso o diretor preferiu investir na arte do cinema, fazendo como na vida real, onde tudo acontece em sequência e sem cortes – só que nossos olhos jamais deixam de perseguir a narrativa, enxergando plano após plano!



Fabio Belik é autor do livro Ventania

Um romance com sotaque de cinema. Em 278 páginas narra a história de Daniel, um garoto de 9 anos que em 1969 se vê às voltas com o abandono, vivendo momentos de amadurecimento e superação. À venda no Clube de Autores.



Filme: Hanna


Data de produção: 2011
Direção: Joe Wright
Roteiro: David Farr
Elenco: Saoirse Ronan, Eric Bana, Cate Blanchett, Olivia Williams, Tom Hollander, Jason Flemyng, Jessica Barden e Michelle Dockery

Comentários

  1. Bem, não conheço esse Film thriller, mas agora vou pesca lo para conferir, pois seus comentários analíticos atiçam a curiosidade. Vlw

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    1. Legal, Alexander! Vale a pena conferir. É um filme de ação bem acima da média.

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  2. Bem, não conheço esse Film thriller, mas agora vou pesca lo para conferir, pois seus comentários analíticos atiçam a curiosidade. Vlw

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