Hanna: uma garota transformada em máquina de guerra

Cena do filme Hanna
Hanna: filme dirigido por Joe Wright

EM BUSCA DA PRÓPRIA IDENTIDADE

Realizado em 2011 sob a direção de Joe Wright – cineasta que depois dirigiu O Destino de Uma Nação e A Mulher na Janela – o filme Hanna é um thriller eletrizante, com sequências de ação de tirar o fôlego. Mas é preciso que se diga: foi construído sobre uma base emocional consistente, revelando uma personagem carismática, que ainda não compreende como deve se inserir no mundo – em certos momentos, prefere moldá-lo às suas necessidades. No entanto, é difícil acompanhar a história da protagonista sem enxergar nela a contraparte feminina de Jason Bourne, o agente secreto invencível dos filmes de ação, posto em permanente perseguição da própria identidade.
        O filme nos conta a história de Hanna Heller (Saoirse Ronan), uma garota de 15 anos que vive isolada com o pai, Erik (Eric Bana), nos gelados confins da Finlândia. Lá ela passa por uma rotina de treinamento de sobrevivência e preparação militar, até se tornar uma verdadeira máquina de guerra. Ela espera ansiosa pelo dia em que será colocada em ação e ele chega de repente, quando uma tropa de agentes governamentais vem capturá-la, dando início a uma saga que envolve conspirações militares, experimentos científicos, espionagem e... vingança! Perseguida implacavelmente por Marissa Wiegler (Cate Blanchett), uma figurona do alto escalão da CIA, a imprevisível Hanna irá surpreender as pessoas comuns com quem terá que conviver e deixará um incômodo rastro de sangue por onde passa.
        A história de Hanna surgiu na cabeça do roteirista canadense Seth Lochhead, quando ainda era aluno do curso de redação para cinema e televisão da Vancouver Film School. Tinha pouco mais de 20 anos e viu seu roteiro ser disputado por vários estúdios. Quem comprou os direitos foi a Focus Features, que escalou Joe Wright para a direção e chamou o diretor de teatro e dramaturgo britânico David Farr para desenvolver um novo tratamento.
        De imediato, Joe Wright ficou interessado na personagem Hanna Heller, afinal, filmes de ação não costumam ser protagonizados por garotas adolescentes. Ainda que sua história contenha elementos largamente usados no gênero, a possibilidade de contrapô-la com as ações e reações de outros adolescentes mais... comuns, abriu espaço para que o diretor exercitasse sua preferência por um cinema com forte apelo visual. Empenhou-se em realizar um autêntico filme de ação, trabalhando com habilidade os elementos – e o cronograma apertado – que tinha ao seu dispor: suspense, sentido de urgência, vilões impiedosos e personagens com profundidade psicológica suficiente para render uma boa movimentação dramática. E conta com um elenco competente.
        Em Hanna encontrei um atrativo especial: uma bela cena em plano-sequência que confere muita personalidade à produção. Ela mostra o personagem de Eric Bana desembarcando no aeroporto de Munique, caminhando até a estação de metrô e enfrentando um bando de agentes até nocauteá-los. Gosto de lembrar que o plano-sequência é muito mais do que uma cena longa, gravada numa única tacada em sem cortes. Para realizá-lo é preciso articular a narrativa, prevendo os diferentes planos que normalmente comporiam uma sequência. Tudo precisa estar muito bem coreografado, para que a ação aconteça em sincronismo. O que se ganha com isso? Tensão, realismo e envolvimento do espectador.
        Joe Wright acertou! Se ao lutar na estação do metrô Eric Bana desferisse seus golpes entre cortes e closes, a cena seria apenas mais uma das muitas que se vê por aí. Ao invés disso o diretor preferiu investir na arte do cinema, fazendo como na vida real, onde tudo acontece em sequência e sem cortes – só que nossos olhos jamais deixam de perseguir a narrativa, enxergando plano após plano! Com esta cena em plano-sequência, o diretor matou dois coelhos de uma vez: economizou um dia inteiro de produção e conseguiu se distanciar do estilo de Paul Greengrass, o cineasta que dirigiu um dos episódios da franquia Jason Bourne e vem sendo copiado à exaustão desde então.
        O filme Hanna resultou numa produção consistente, tanto é que virou série, produzida pela Amazon Prime. Com o mesmo título, é escrita pelo roteirista David Farr, que desenvolveu uma versão inteiramente nova da história original. O elenco é diferente, assim como a estética adotada, mas a atmosfera é envolvente. Uma garota adolescente, afinal, continua sendo uma protagonista inusitada para um filme de ação!

Resenha crítica do filme Hanna

Data de produção: 2011
Direção: Joe Wright
Roteiro: Seth Lochhead e David Farr
Elenco: Saoirse Ronan, Eric Bana, Cate Blanchett, Olivia Williams, Tom Hollander, Jason Flemyng, Jessica Barden e Michelle Dockery

Comentários

  1. Bem, não conheço esse Film thriller, mas agora vou pesca lo para conferir, pois seus comentários analíticos atiçam a curiosidade. Vlw

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    1. Legal, Alexander! Vale a pena conferir. É um filme de ação bem acima da média.

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  2. Bem, não conheço esse Film thriller, mas agora vou pesca lo para conferir, pois seus comentários analíticos atiçam a curiosidade. Vlw

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