Crítica | Relatos do Mundo: Tom Hanks acerta em cheio nesse seu primeiro western
Relatos do Mundo: filme dirigido por Paul Greengrass

Relatos do Mundo: Paul Greengrass segue na trilha dos clássicos

Relatos do Mundo: Tom Hanks e Helena Zengel em ótimas atuações

Relatos do |Munsdo: contador de histórias verdadeiras
UM CONTADOR DE HISTÓRIAS E UMA ÓRFÃ JUDIADA ENCONTRAM O CAMINHO DA ESPERANÇA
Lançado pela Netflix, o western Relatos do Mundo, dirigido em 2020 por Paul Greengrass, traz na capa um apelo irresistível: a imagem de um Tom Hanks de barbas grisalhas – para a maioria dos cinéfilos, a presença do ator funciona como um atestado de qualidade da produção. Outro aval importante é a condução de Paul Greengrass, diretor de filmes como Capitão Phillips, A Supremacia Bourne e 22 de Julho. Aqui, porém, ele não filma com a mesma câmera nervosa que o consagrou nos thrillers policiais; em vez disso, prefere as imagens estáveis e lindamente fotografadas, que remetem aos clássicos de John Ford. É um aviso de que esta produção segue os cânones dos filmes de bangue-bangue.Um velho e uma menina
Em Relatos do Mundo, Tom Hanks faz sua estreia no gênero western. Ele encarna o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um ex-combatente da guerra civil americana, que traz cicatrizes no corpo e na alma. Também carrega na mochila algumas edições de diferentes jornais, enquanto percorre as minúsculas cidades empoeiradas do Texas para ler as notícias em reuniões com moradores – muitos certamente analfabetos e todos ávidos por acompanhar os rumos do país ainda em ebulição.Gosta de analisar os filmes em profundidade?
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Relatos do Mundo: Paul Greengrass segue na trilha dos clássicos
Numa dessas andanças, o capitão Kidd encontra Johanna (Helena Zengel), uma menina de 11 anos que foi abandonada na estrada, depois que a família de índios Kiowa que a adotou foi massacrada. A coitada já havia presenciado o massacre da sua família verdadeira de imigrantes alemães, quando tinha apenas seis anos. Penalizado, o capitão Kidd decide levá-la consigo e entregá-la às autoridades.
Um western sensível e poético
O encontro de um homem bom e íntegro com uma menina duplamente órfã será difícil, permeado de imprevistos e acontecimentos trágicos. Nem sequer falam o mesmo idioma! Aos poucos, no entanto, constroem um entendimento para além dos seus mundos internos e caminham para estabelecer fortes laços, como os de um pai com sua filha. É assim que Relatos do Mundo termina por se mostrar um western diferente: sensível e salpicado de poesia.

Relatos do Mundo: Tom Hanks e Helena Zengel em ótimas atuações
Personagens bem construídos
Para filmar essa história baseada no romance da escritora americana Paulette Jiles, o diretor inglês Paul Greengrass escreveu o roteiro em parceria com Luke Davies – que também assinou Lion: Uma Jornada para Casa; juntos conseguiram construir uma narrativa simples e repleta de passagens emocionantes. Tiveram também o bom senso de não se prender às óbvias questões políticas, sociais e étnicas que dividem a América; em vez disso, focalizaram o drama humano, que acontece no âmbito de indivíduos livres, capazes de estabelecer seus próprios entendimentos e tomar suas decisões sem a tutela dos governos.Um formados de opinião
O tema que dá coesão a Relatos do Mundo é a comunicação, não só aquela que abraça o capitão Kidd e a menina Johanna – e permite que ambos compartilhem suas visões de mundo –, mas principalmente aquela que se estabelece entre um contador de histórias e seu público. Numa época em que não havia veículos de comunicação de massa, e em lugares inalcançáveis pelos eventos culturais, o capitão Kidd nos lembra a figura de um formador de opinião; uma espécie de blogueiro, que parte das notícias mais banais e consegue envolver sua audiência com boas histórias, que emocionam, aproximam indivíduos, geram identidade e servem de alívio para as pressões do mundo.
Relatos do |Munsdo: contador de histórias verdadeiras
Precursor dos influencers
Mesmo em 1870, como acontece hoje em dia, um contador de histórias que lida com notícias precisa ter... credibilidade! E isso não falta ao capitão Kidd. Por onde passa, encontra amigos que o reconhecem como um homem digno e independente – exerce seu ofício sem ceder às pressões daqueles que querem colocar palavras na sua boca. É fácil enxergar no personagem o protótipo dos bons profissionais da imprensa.Um belo trabalho de atores
Para concluir essa crônica sobre Relatos do Mundo, quero novamente pronunciar o nome de Tom Hanks. Para atuar no seu primeiro western, ele trouxe consigo a reconhecida capacidade de compreender um personagem em todas as suas camadas e expressá-las não só nas palavras, mas também nos silêncios. Mas o nome da pequena Helena Zengel também merece destaque; ao lado do astro, ela também brilhou; mostrou que tem recursos de sobra ascender em futuros papéis. Para narrar essa jornada solitária, sobre um homem em guerra com seu passado e uma menina em busca de um futuro, o diretor Paul Greengrass traçou um caminho de esperança e redenção; conseguiu romper os grilhões que o prendiam aos filmes de ação. Vale a pena conferir! E se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!Veredito da crônica de cinema
★★★★☆(4 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Paul Greengrass, o roteiro bem escrito, o ótimo trabalho de atores e a concepção visual elaborada.
O que surpreende: enquanto se apega à estética clássica dos westerns, o diretor encontra elementos de modernidade que agregam camadas adicionais ao subtexto.
Acima da média. É cinema de qualidade.
Ficha técnica do filme Relatos do Mundo
Título original: News of the WorldAno produção: 2020
Diretor: Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass e Luke Davies
Diretor: Paul Greengrass
Roteiro: Paul Greengrass e Luke Davies
Elenco principal:
- Tom Hanks
- Helena Zengel
- Elizabeth Marvel
- Tom Astor
- Andy Kastelic
- Travis Johnson
- Mare Winningham

Vc é este dom maravilhoso de escrever sempre despertando desejos em mim de correr atrás para assistir !
ResponderExcluirAh, muito obrigado, Leila. Esse filme é mesmo uma ótima recomendação.
ExcluirFábio, admito que sua sensibilidade, aliada a uma inteligência afiada, e a uma forma de redigir leve e única acaba de dar vida a um filme que aborda com seriedade um tema onde a tônica é a dignidade real do ser humano. Só os sensíveis reconhecerão as duas maravilhas. Sua crônica é o filme.
ResponderExcluirMuito obrigado pelo seu comentário, Corina. É um grande incentivo para seguir escrevendo minhas crônicas e compartilhando a paixão pela sétima arte. Um abraço!
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