Fratura

Fratura: filme dirigido por Brad Anderson

Uma coisa é encontrar a verdade junto com o personagem, depois de acompanhar sua saga. Outra, bem diferente, é ser manipulado por um roteiro que só quer... fazer suspense!

           O grande problema não é a loucura. É descobrir-se tomado por ela durante um lampejo de consciência! É reconhecer-se louco ao observar a sanidade acenando da estação, enquanto o trem da sua existência parte acelerando. É esse o momento crucial que esperamos ver no final de Fratura, filme de 2019 dirigido por Brad Anderson. Mas seu protagonista não vive tal experiência. Perde-se no meio do caminho.
            A premissa do filme é ótima: durante uma viagem de carro com a esposa e a filha, Ray faz uma parada. A garotinha sofre uma queda e quebra o braço. No hospital mais próximo, mãe e filha seguem para a sala de exames enquanto Ray espera na recepção. Adormece e quando acorda, não há sinal delas. Médicos e atendentes tentam convencê-lo de que jamais puseram os pés por lá. Ray tentará provar que não está louco!
            Pena que o roteiro precário, assinado por Alan B. McElroy, busca apenas distrair o espectador, lançando pistas sobre sua demência, para logo em seguida desdizer tudo, insinuando que não é nada disso – como se uma história fosse tão boa quanto a quantidade de pontos de virada que conseguimos enfiar nela ao contá-la. Sam Worthington, com seu porte esculpido nos filmes de ação, traz certa imponência ao personagem, mas é em vão. Não encontra nenhum texto decente para interpretar, que acrescente camadas psicológicas ao que vemos na tela.
            Apesar do ritmo bem conduzido e de ser muito bem fotografado, Fratura é apenas isso: um filme do gênero “me engana que eu gosto” – ou do tipo “façam suas apostas” – onde tudo o que conta é saber se, no final, a teoria do espectador é a correta. Ou não!

Drops de Cinema
Fratura

Data de produção: 2019
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Alan B. McElroy
Elenco: 
Sam Worthington

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