Cães de Aluguel: o que há de novidade nesse Tarantino?

Cena do filme Cães de Aluguel
Cães de Aluguel: filme dirigido por Quentin Tarantino

O ESTILO TARANTINO DE FAZER CINEMA

De quais substâncias é feita uma novidade? Originalidade? Ineditismo? Singularidade? Quando Quentin Tarantino escreveu e dirigiu Cães de Aluguel, em 1992, seu filme exalava novidade. Era diferente de qualquer outro já feito. Contava uma história brutal, mas o fazia com pitadas de humor, insinuando algo de improvisado e realizado com certo desleixo. Era uma obra que parecia não se levar a sério. Lembrava mais um mero fragmento do verdadeiro drama policial que tentava narrar.
        Cães de Aluguel é um filme sobre um assalto bem-sucedido, realizado por um bando de homens que não se conhecem. Mas a ação, que nas mãos de um diretor convencional seria tratada como a cereja do bolo, foi solenemente ignorada por Tarantino. Ele prefere contar os fatos que acontecem após o assalto, quando se encontram em um galpão abandonado para dividir os diamantes roubados.
        Mas onde, exatamente, está a novidade apresentada por Tarantino? A narrativa não linear, usada para distribuir os pontos de tensão da história e revelar as diferentes facetas dos personagens, não foi inventada por ele. A verborragia compulsiva derramada em diálogos intermináveis é herança dos romances pulp, tão populares entre os americanos. Violência extrema, palavrões, referências a canções, filmes e obras da cultura popular... Muitos cineastas antes dele se valerem desses recursos. Em entrevistas, o próprio Tarantino já revelou suas fontes de inspiração para escrever seu filme: O Grande Golpe, O Império do Crime e Os Quatro Desconhecidos, entre outros.
        Depois dessa reflexão, sou tentado a afirmar que o principal ingrediente da novidade é a... idiossincrasia! O que vemos em Cães de Aluguel é a maneira peculiar como Quentin Tarantino vê, sente e reage ao mundo e aos personagens que cria em suas histórias. Ele expressa sua personalidade com intensidade marcante e o faz sem receio de se expor. Sem se levar a sério demais. Deixa que seu humor negro se imponha, encontrando o engraçado depois de alguns momentos de tensão.
        No mundo de Tarantino, os criminosos se vestem com ternos pretos, gravatas e óculos escuros, são mafiosos estereotipados que conhecem a fundo as canções da Madona, são resignados diante da morte iminente, não gostam de dar gorjeta... Fantasioso? Talvez. Mas quantos de nós conhecem, de fato, como é o verdadeiro mundo do crime? Poucos, certamente. E não será em Cães de Aluguel que descobriremos a resposta. Tudo o que temos aqui é uma boa história, muito bem contada.

Resenha crítica do filme Cães de Aluguel

Ano de produção: 1992
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Harvey Keitel, Michael Madsen, Chris Penn, Steve Buscemi, Lawrence Tierney, Edward Bunker, Quentin Tarantino e Tim Roth

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