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Mostrando postagens de setembro, 2021

Crítica | Nomadland: Chloé Zhao tenta provar que a vida de nômade é infeliz, mas Frances McDormand mostra que não é bem assim

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Nomadland: filme dirigido por Chloé Zhao LIBERDADE, UM BOM MOTIVO PARA METER O PÉ NA ESTRADA Há um tom de ironia no título do filme Nomadland , dirigido em 2020 por Chloé Zhao. Numa tradução apressada, a palavra se refere a uma “terra dos nômades”. Ora, nômades, por definição, não têm terra; seguem errantes em busca de recursos e jamais se fixam. Logo, o termo deve ter sido cunhado para designar uma suposta terra imaginária, de sonhos e fantasias, como em “Disneyland”, ou “La La Land” – para citar outro ganhador do Óscar. Esse raciocínio me levou a supor qual seria, afinal, o viés ideológico do filme: ressaltar o quão melancólica e infeliz é a escolha dos que se afastam do sistema econômico e se agarraram a uma vida nômade, na tentativa inútil de alcançar uma liberdade utópica! Liberdade x felicidade           Ora, liberdade nada tem de utopia. É um conceito abstrato que emana da razão; é um direito fundamental e seu exercício é básico para que o ser humano...

A Batalha das Correntes: uma história real e... eletrizante!

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A Batalha das Correntes: filme de Alfonso Gomez-Rejon A FUNDAÇÃO DO MUNDO MODERNO A Batalha das Correntes , filme de 2019 dirigido por Alfonso Gomez-Rejon, é um drama baseado em fatos. Narra a épica disputa entre Thomas Edison e George Westinghouse mas últimas décadas do século XIX, para criar e dominar o mercado da eletricidade nos Estados Unidos. Foi uma corrida que ajudou a moldar o mundo como o conhecemos hoje, mas antes de falar sobre ela, ou sobre as qualidades da produção, quero tocar num assunto complexo: o título do filme!           Em Portugal ele virou Guerra das Correntes , enquanto aqui no Brasil foi batizado de A Batalha das Correntes – ganhou um desnecessário artigo e ainda teve seu alcance reduzido, já que uma batalha está longe denotar o que foi uma guerra inteira. Ambos os títulos foram criados para manter o paralelo com o original: The Current War . Mas há uma sutileza que não pôde ser abarcada pelos “tradutores”. Em português, o vocábul...

Crítica | Thelma & Louise: Ridley Scott conta a história de duas mulheres encurraladas pelo machismo e reflete o zeitgesist do final do século XX

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Thelma & Louise: filme dirigido por Ridley Scott ESPÍRITO DO TEMPO VEM SE MANISFESTAR Ao examinar  os filmes, percebemos a mentalidade reinante que os produziu. Ao olhar para Thelma & Louise , realizado em 1991 por Ridley Scott, é fácil perceber como o filme foi bem-sucedido em capturar o Zeitgeist !  Essa palavra do idioma alemão é traduzida como “espírito do tempo” e designa o ambiente intelectual, social e cultural de uma determinada época ou lugar.  O conceito surgiu n o final do Século XVIII, quando o romantismo alemão rompeu com a hegemonia do pensamento racional iluminista; deu voz aos sentimentos, à individualidade e às experiências pessoais nas reflexões filosóficas. A literatura, a música, as artes visuais e a cultura ficaram mais arrebatadoras e atormentadas! Refletindo e reforçando a mentalidade da época           As pessoas iam assistir a Thelma & Louise para ver um road movie protagonizado por duas mulheres; queria...

Crítica | O Cântico dos Nomes: drama real ou fictício?

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O Cântico dos Nomes: filme de François Girard UM DRAMA FICTÍCIO AGARRADO EM VERDADES Antes de mais nada é preciso deixar claro: O Cântico dos Nomes,  dirigido em 2019 pelo canadense François Girard, é um drama ficcional sobre o Holocausto. Seus personagens são inventados e as situações que vivem são imaginárias; mas há tanta autenticidade e verossimilhança envolvidas que o filme parece inspirado em fatos. Trata-se de uma adaptação do romance com o mesmo título escrito em 2002 pelo crítico musical britânico Norman Lebrecht, autor que conhece os bastidores do mundo da música erudita como poucos – ele mantém o blog de música clássica  Slipped Disc . A história narrada é comovente e combina um profundo respeito pela fé religiosa, pelos valores familiares e pela linguagem musical. Uma face dramática da música          Podemos dizer que O Cântico dos Nomes transita n aquela ponte que liga os universos da música e do cinema, construída antes mesmo que o áudi...

Clube da Luta: proposta anarquista para desvendar o sentido da vida

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Clube da Luta: dirigido por David Fincher A LUTA É PARA PREENCHER O VAZIO EXISTENCIAL Ao pensar no filme Clube da Luta , dirigido em 1999 por David Fincher, a primeira palavra que me vem à mente é "publicidade". A matéria me interessa profundamente, tanto que a escolhi como profissão – isso no comecinho da década de 1980, quando tinha 18 anos e ainda não sabia exatamente onde me meteria; porém, tinha plena noção de que iria trabalhar na atividade motora do capitalismo, crucial para alimentar a sociedade de consumo. Eram outros  tempos: os consumidores sabiam quando eram abordados por mensagens publicitárias. Elas chegavam pelos comerciais de rádio e TV, dos jornais e revistas, placas na rua... Hoje, nos meios digitais, informação e persuasão estão de mãos dadas e nem sempre a publicidade se mostra explícita aos consumidores.            Conhecer por dentro o mecanismo astuto da publicidade não me imunizou dos seus efeitos. Por várias vezes suc...

Sociedade dos Poetas Mortos: ainda hoje, uma mensagem poderosa

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Sociedade dos Poetas Mortos: filme de Peter Weir CINEMA E LITERATURA NUMA RELAÇÃO SIMBIÓTICA           – O livro é muito melhor do que o filme! Mais completo, mais descritivo. Revela detalhes que o diretor simplesmente ignorou.           – Nada disso! O filme dá de dez a zero! É mais objetivo e tem um final mais inteligente.           Discussões como essa são fáceis de encontrar em comentários nas postagens dos grupos de cinema. Com frequência acabam da mesma forma como começaram: ambos os lados saem com a mesma opinião que trouxeram. Soaria arrogante afirmar que tais discussões são inúteis, afinal elas trazem à tona informações relevantes para os apreciadores de cinema e literatura – além de serem um ótimo pretexto para interagir com gente que compartilha o mesmo prazer pelas artes narrativas. Prefiro lembrar que livro e filme são duas experiências sensoriais diferentes da mesma história e não pod...