Diana: filme de 2013 estrelado por Naomi Watts

Cena do filme Diana
Diana: filme dirigido por Oliver Hirschbiegel

UM DRAMA BIOGRÁFICO CUJO FINAL JÁ CONHECEMOS

Realizar uma cinebiografia sobre a Princesa Diana deve ser muito parecido com pisar em ovos. Alguma sujeira acabará sendo deixada aqui e ali e sempre haverá alguém reclamando que os ovos quebrados eram justamente aqueles que deveriam permanecer intactos. No filme Diana, realizado em 2013, o diretor Oliver Hirschbiegel fez a coisa certa: priorizou o cinema e deixou as omeletes por conta daqueles que se consideram especialistas nos temas ligados à monarquia britânica. Como alguém que jamais mergulhou no mar de fofocas que cerca aquela família real, apertei o play nesse filme agarrado às dúvidas: haveria de aguentar chatices e futilidades, ou teria a chance de conhecer com mais profundidade essa personagem onipresente na mídia da década de 1990?
        Nenhuma coisa, nem outra! Diana está longe de nos trazer uma história aborrecida e também nem chega perto de arranhar as camadas mais profundas da tal princesa, que se tornaria a “mulher mais famosa do mundo”. Mas é cinema de qualidade, realizado por um diretor que domina a arte de contar histórias – seu filme mais famoso é certamente o aclamado A Queda! As Últimas Horas de Hitler.
       Baseado no livro escrito em 2001 por Kate Snell, intitulado Diana: Her Last Love, este drama biográfico se detém nos últimos dois anos da Lady Di, cuja vida terminou no trágico acidente que chocou o mundo em 1997. Nada de thriller investigativo, suspense especulativo ou homenagens póstumas. Este é um filme de... romance – e todos os sentimentalismos e breguices que invariavelmente se apoderam dos casais apaixonados.
        O enredo de Diana está concentrado no caso de amor vivido entre a Princesa Diana (Naomi Watts) e o cirurgião cardíaco paquistanês Dr. Hasnat Khan (Naveen Andrews). Depois de conceder uma entrevista bombástica para a BBC, em 1995. Ela anuncia o fim do seu casamento de 15 anos com o Príncipe Charles. Amargando um triste abandono e mergulhada na fase mais pessimista de sua vida, ela vai visitar um amigo no hospital e tropeça com o Dr. Khan. Apaixona-se de imediato. Os dois iniciam um caso, mas tentam se manter preservados, longe dos olhos do público e da imprensa bisbilhoteira. O sentimento que vemos brotar entre os dois é autêntico e verossímil, como são as óbvias barreiras que se colocarão no caminho do romance. Ela é uma mulher que se alimenta da fama e encontra propósito ao exercer a sua realeza em favor de causas nobres, como a campanha para o banimento das minas terrestres. Ele é um médico compenetrado, que se alimenta da privacidade e vem de uma família tradicional no Paquistão, que jamais aprovará seu envolvimento com alguém que seja o símbolo contundente do Império Britânico. Além do mais, sabemos que tudo terminará tragicamente num túnel em Paris.
        O polêmico livro de Kate Snell, baseado em entrevistas com confidentes e pessoas mais próximas de Diana, percorre os principais eventos ocorridos nos dois últimos anos da Princesa de Gales, para mostrar fatos desconhecidos do público. Revela que sua viagem para o Paquistão foi com o objetivo de conhecer a família do Dr. Khan e tentar convencer sua mãe a aceitar o casamento. Voltou sem sucesso – se conseguisse, talvez toda essa história tivesse um final feliz!
        Na adaptação para o cinema, escrita pelo dramaturgo Stephen Jeffreys, esses ingredientes dramáticos foram explorados, mas seu roteiro, embora bem costurado, festeja um certo pendor kitsch, evidente em diversas linhas de diálogo. O verdadeiro Dr. Hasnat Khan não deu seu aval para a história e declarou publicamente que não foi consultado pelos realizadores do filme.
        O fato é que Diana não agradou os críticos especializados, que desceram a lenha no filme. Já o grande público, que desconhece os detalhes da vida de Lady Di e apenas vão se lembrar do seu envolvimento com o milionário egípcio Dodi Fayed, encontrarão motivos para se envolver na narrativa bem construída do diretor Oliver Hirschbiegel. Sua concepção visual é vistosa e envolvente, explorando os cenários bem construídos, os figurinos impecáveis e a atmosfera elegante, que ressalta sofisticação do estilo de vida britânico. Além disso, o diretor soube preservar o mito que envolve a personagem. A princesa que ele exibe na tela é exatamente aquela que nos acostumamos a ver na TV – inclusive nas cenas de maior intimidade com seu amante, Hirschbiegel toma o cuidado de não exibir qualquer outra parte do seu corpo que não seja seu rosto.
        Aqui, aliás, o rosto de Diana é o rosto de... Naomi Watts! A atriz não é nem um pouco parecida com Lady Di, mas é incrível como consegue remeter à personagem de modo convincente. Em certos momentos, é como se estivéssemos assistindo à própria princesa. Chega a ser assustador! A atriz, que um ano antes havia arrasado em O Impossível, aqui se mostrou o maior trunfo do filme – embora o ator Naveen Andrews, que o espectador recordará ter participado da série de TV Lost, também esteja muito bem no papel do Dr. Hasnat Khan.
        O grande acerto de Hirshbiegel está no final de Diana. Ele omite as óbvias cenas do acidente de carro que matou a princesa, dando ao espectador a oportunidade de enxergar a tragédia com outros olhos. Agora o que vemos é uma mulher carente, apaixonada e de alguma forma em busca de seu propósito, que continuará eternamente ofuscada pelos holofotes e sufocada pelo mito criado pela opinião pública. O que vemos é uma triste história de amor, como aquelas que os poetas gostam de contar.

Resenha crítica do filme Diana

Ano de produção: 2013
Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Stephen Jeffreys
Elenco: Naomi Watts, Naveen Andrews, Cas Anvar, Laurence Belcher, Harry Holland, Douglas Hodge, Geraldine James, Charles Edwards e Mary Stockley

Comentários

  1. Eu vi o documento! Dessa mulher,embora conhecemos do início ao fim,sempre queremos mais!Ela era inesgotável!Na modernidade,na belesa,na bondade,em tudo!Uma Paixão.kundial!

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