Os Aeronautas: inspirado em fatos, um filme de aventura repleto de dramatizações

Os Aeronautas: direção de Tom Harper
TUDO ACONTECEU ASSIM, MAS NÃO NECESSARIAMENTE NESSA ORDEM
Coragem! Valentia! Bravura! A humanidade deve suas grandes conquistas uns poucos indivíduos, que tiveram o atrevimento de colocar a vida em risco, sem se deter diante dos perigos. Encontramos aventureiros intrépidos por trás de cada invenção ou descoberta; alguns são movidos pela ambição de deixar o nome para a posteridade, outros buscam apenas o prazer de se tornar pioneiros em alguma área do conhecimento. Seja como for, é a história deles que merece ser contada – quem quer saber das infâmias perpetradas pelos covardes? O diretor Tom Harper se deparou com uma história das boas, quando leu o livro Falling Upwards: How We Took to the Air, escrito em 2013 pelo historiador militar britânico Richard Holmes. Mas para contá-la no filme Os Aeronautas, que realizou em 2019, precisou encontrar soluções narrativas mais adequadas.Antes de examinar esse ótimo filme de aventura, precisaremos ter uma visão geral do livro. O autor conta a história dos pioneiros do balonismo, que desde 1780 arriscaram as vidas em voos precários e superaram obstáculos numa série de experimentos heroicos. Enquanto cita passagens dramáticas, que envolvem aeronautas de balão do mundo inteiro, Holmes combina narrativa literária com abordagem científica para desenhar um registro histórico minucioso; ele também examina os avanços tecnológicos, o conhecimento que foi adquirido sobre a biosfera do planeta e o ímpeto humano na direção do desconhecido.
Para criar o enredo do filme, o diretor Tom Harper fez uma compilação de diversos voos descritos no livro, mas destacou aquele realizado em 5 de setembro de 1862 pelos britânicos James Glaisher e Henry Coxwell. Eles quebraram o recorde mundial de altitude, ao atingir 36 mil pés – uns 11 mil metros. Glaisher foi um pioneiro da meteorologia e, com a ajuda do seu piloto, subiu mais alto com seu balão do que qualquer um conseguiu, antes ou depois. O feito real foi notável, mas cá entre nós, pouco emocionante para ser encenado no cinema – dois homens confinados em um pequeno cesto, em total silêncio, com as atenções concentradas em seus aparelhos, enquanto faziam medições a cada dois segundos, chega a ser por demais aborrecido.
A solução encontrada pelo diretor foi lançar mão de outros elementos dramáticos, capazes de enriquecer a trama e estabelecer uma dinâmica mais ágil no interior da cesta. Harper substituiu o piloto Henry Coxwell por outro personagem fictício e mais atraente: concebeu a intrépida piloto de balões Amélia Wren e deu a ela um passado conturbado, além de uma atitude ousada de mulher emancipada, à frente do seu tempo. Harper não se preocupou em ser politicamente correto, ou em criar uma personagem que representasse todas as mulheres; apenas tratou de garantir verossimilhança para Amélia. Ela foi composta a partir de duas personagens reais: Sophie Blanchard, que voava com seu marido Jean-Pierre Blanchard e se tornou a primeira aeronauta profissional, e Margaret Graham, famosa balonista e artista britânica.
O voo que Harper retratou também recebeu eventos adicionais, pinçados de outros voos registrados, para fazer os protagonistas passarem por percalços incríveis. Foi assim que garantiu altas doses de adrenalina para o espectador. Os Aeronautas é, portanto, um filme inspirado em fatos, mas costurado com fortes linhas de dramatização. Podemos agora, finalmente, ver como ficou a sua sinopse.
A piloto Amelia Wren (Felicity Jones) e o cientista James Glaisher (Eddie Redmayne) decolam em Londres no maior balão já construído, diante de uma numerosa plateia ávida por espetáculo. Ela, aventureira e extrovertida, está ainda traumatizada com a trágica morte do marido. Faz seu show para agradar ao público pagante e garantir os lucros do empresário que os financiou. Ele, compenetrado em provar que o clima pode ser previsto – e com isso ser reconhecido pela academia –, é tão desajeitado quanto imprudente. O dois, no pequeno cesto, sobem pelas diferentes camadas da atmosfera, enquanto são cercados por perigos medonhos: tempestades imprevistas, temperaturas extremas, panes nos equipamentos... Por meio de flashbacks, vamos descobrindo os segredos de ambos os personagens, que agora dependem um do outro para sobreviver. Para tanto, terão que alcançar níveis incríveis de superação.
A piloto Amelia Wren (Felicity Jones) e o cientista James Glaisher (Eddie Redmayne) decolam em Londres no maior balão já construído, diante de uma numerosa plateia ávida por espetáculo. Ela, aventureira e extrovertida, está ainda traumatizada com a trágica morte do marido. Faz seu show para agradar ao público pagante e garantir os lucros do empresário que os financiou. Ele, compenetrado em provar que o clima pode ser previsto – e com isso ser reconhecido pela academia –, é tão desajeitado quanto imprudente. O dois, no pequeno cesto, sobem pelas diferentes camadas da atmosfera, enquanto são cercados por perigos medonhos: tempestades imprevistas, temperaturas extremas, panes nos equipamentos... Por meio de flashbacks, vamos descobrindo os segredos de ambos os personagens, que agora dependem um do outro para sobreviver. Para tanto, terão que alcançar níveis incríveis de superação.
Para escrever o roteiro de Os Aeronautas, o diretor convocou o roteirista Jack Thorne, que já havia escrito o roteiro do filme Extraordinário. O desafio de contar uma história que se passa praticamente o tempo todo em uma cesta de balão foi superado com a inclusão de cenas tensas, que deixam o espectador em dúvida se ambos chegarão vivos ao chão. O roteirista também inclui inúmeras cenas em flashback, para ajudar a dar consistência aos personagens; porém, não conseguiu descer além das camadas mais superficiais. É então que o casal Felicity Jones e Eddie Redmayne – ambos já haviam atuado juntos em A Teoria de Tudo – entra em ação; trazem carisma e leveza para finalmente fazer o filme... decolar.
É claro que os efeitos de computação gráfica são um espetáculo à parte; de certo modo, o recurso é o que viabiliza a realização de um tal filme. Mas para não ser obrigado a ficar enclausurado em um pequeno estúdio, cercado por telas azuis, o diretor decidiu adicionar doses generosas de realismo. Construiu um balão de verdade, subiu com os atores a 3 mil pés de altitude e filmou sequências que exigiram muito planejamento. George Steel, o diretor de fotografia, conseguiu soluções engenhosas na hora de movimentar a câmera e enquadrar os planos imaginados pelo diretor, sem causar estranhamentos para o espectador – as cenas não parecem filmadas de algum helicóptero, ou a partir de algum outro balão.
Na plateia, temos a sensação de estar ao lado dos personagens. Corremos os mesmos riscos e vivemos uma aventura heroica! É quando percebemos quanta coragem, valentia e bravura tiveram esses loucos pioneiros do balonismo.
Direção: Tom Harper
Roteiro: Jack Thorne e Tom Harper
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Himesh Patel, Tom Courtenay, Phoebe Fox, Rebecca Front, Robert Glenister, Vincent Perez, Anne Reid, Lewin Lloyd, Tim McInnerny, Thomas Arnold, Lisa Jackson, Elsa Alili e Connie Price
É claro que os efeitos de computação gráfica são um espetáculo à parte; de certo modo, o recurso é o que viabiliza a realização de um tal filme. Mas para não ser obrigado a ficar enclausurado em um pequeno estúdio, cercado por telas azuis, o diretor decidiu adicionar doses generosas de realismo. Construiu um balão de verdade, subiu com os atores a 3 mil pés de altitude e filmou sequências que exigiram muito planejamento. George Steel, o diretor de fotografia, conseguiu soluções engenhosas na hora de movimentar a câmera e enquadrar os planos imaginados pelo diretor, sem causar estranhamentos para o espectador – as cenas não parecem filmadas de algum helicóptero, ou a partir de algum outro balão.
Na plateia, temos a sensação de estar ao lado dos personagens. Corremos os mesmos riscos e vivemos uma aventura heroica! É quando percebemos quanta coragem, valentia e bravura tiveram esses loucos pioneiros do balonismo.
Resenha crítica do filme Os Aeronautas
Ano de produção: 2019Direção: Tom Harper
Roteiro: Jack Thorne e Tom Harper
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Himesh Patel, Tom Courtenay, Phoebe Fox, Rebecca Front, Robert Glenister, Vincent Perez, Anne Reid, Lewin Lloyd, Tim McInnerny, Thomas Arnold, Lisa Jackson, Elsa Alili e Connie Price
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