Crítica | Marshall: Igualdade e Justiça: retrato de um herói autêntico

Marshall: Igualdade e Justiça: direção de Reginald Hudlin
ATIVISTA E INFALÍVEL
É provável que você ainda não saiba quem é esse tal de Thurgood Marshall. Como bom brasileiro, também só tomei conhecimento da existência do personagem depois de assistir ao filme Marshall: Igualdade e Justiça, dirigido em 2017 por Reginald Hudlin. No serviço de streaming, a sinopse dizia apenas que a produção é baseada em fatos e trata do primeiro homem negro a fazer parte da Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos. Mas, ao contrário do que parece à primeira vista, esse longa não é uma cinebiografia completa. Aborda apenas um episódio na vida do protagonista. E que vida! Basta alguns cliques no Google para perceber que o sujeito realizou grandes feitos – com certeza renderiam material para uma série completa, com vários episódios.
Um embate propenso a injustiças
Marshall: Igualdade e Justiça se detém no drama de tribunal que Thurgood Marshall (Chadwick Boseman) protagonizou em 1941, enquanto atuava como advogado para uma entidade dedicada à defesa de negros acusados injustamente. Ele é destacado para um caso na cidade de Bridgeport, em Connecticut, onde defenderá Joseph Spell (Sterling K. Brown), um motorista acusado de estupro por sua patroa, a socialite Eleanor Strubing (Kate Hudson). O problema é que só poderá atuar na corte local se outro advogado branco estiver à frente dos trabalhos. O escolhido é Sam Friedman (Josh Gad), um advogado especializado em seguros que não quer se meter em confusões raciais – como judeu, já sofre o bastante com preconceitos. Na medida em que o julgamento segue, vemos uma avalanche de injustiças, parcialidades, mentiras e revelações surpreendentes soterrar a sala do tribunal. Ficamos em dúvida se a justiça será feita no final.

Marshall: Igualdade e Justiça: ótima atuação de Chadwick Boseman
De advogado para advogado
A ideia para o filme nasceu na cabeça de outro advogado engajado na causa dos direitos civis dos negros: Michael Koskoff. Sem qualquer experiência com cinema, ele se atreveu a escrever um roteiro, onde focalizou a amizade nascida entre os advogados Thurgood Marshall e Sam Friedman, quando juntos defenderam Spell. Usou como pano de fundo as tensões na Europa em guerra, para costurar uma boa trama. Koskoff conseguiu que seu roteiro chegasse às mãos da filha de Sam Friedman; ela gostou do texto e o mostrou para a experiente produtora Paula Wagner – essa sim, envolvida até o pescoço com o cinema: trazia no currículo as produções de Missão Impossível e Guerra dos Mundos, entre outros sucessos. Pronto! Paula Wagner envolveu o diretor Reginald Hudlin no projeto e viabilizou a realização do filme.
Um diretor experiente
Hudlin estabeleceu um novo foco para o filme: trouxe o protagonismo para Thurgood Marshall e o retratou como o herói do Harlem que ele de fato foi. Também impôs uma atmosfera de thriller jurídico e aproveitou para ressaltar os elementos culturais que imperavam nos anos 1940, quando a música de Duke Ellington agitava os Estados Unidos. Para escrever o novo tratamento do roteiro, o advogado Michael Koskoff contou com a ajuda do seu filho, Jacob, um roteirista experiente.
Marshall: Igualdade de Justiça: um caso real na carreira de um ativista renomado
Um ator superlativo
Para viver Thurgood Marshall, a escalação de Chadwick Boseman não poderia ter sido mais feliz. O ator ressalta o caráter heroico do personagem e eleva a qualidade do filme. Hudlin também acertou ao escalar Josh Gad para interpretar o sério advogado Sam Friedman; o humorista se saiu bem no papel dramático e trouxe um contraste positivo para o filme.Um personagem heroico
Marshall: Igualdade e Justiça se beneficia de um elenco carismático e também segue num ritmo ágil e envolvente. Evita o tom grandiloquente, mas não deixa de enaltecer os feitos de um personagem que bem merecia estar presente em outras produções. Afinal, se ele chegou à Suprema Corte, foi porque fez uma grande diferença para aqueles que preferem ver prevalecer a justiça. Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!
Ano de produção: 2017
Direção: Reginald Hudlin
Roteiro: Michael Koskoff e Jacob Koskoff
Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Reginald Hudlin, o roteiro eficiente, a atuação magnética de Chadwick Boseman, a fotografia impecável e a trilha sonora envolvente.
O que surpreende: o diretor conseguiu impor um ritmo ágil e tirou bom proveito do carisma do astro principal para enaltecer os feitos de um herói da vida real.
Vale a pena. É um filme de tribunal envolvente.
Ficha técnica do filme Marshall: Igualdade e Justiça
Título original: MarshallAno de produção: 2017
Direção: Reginald Hudlin
Roteiro: Michael Koskoff e Jacob Koskoff
Elenco:
- Chadwick Boseman
- Josh Gad
- Kate Hudson
- Dan Stevens
- James Cromwell
- Sterling K. Brown
- Keesha Sharp
- John Magaro
- Roger Guenveur
- mith, Ahna O'Reilly
- Jeremy Bobb
- Derrick Baskin
- Jeffrey DeMunn
- Andra Day
- Sophia Bush
- Jussie Smollett
- Rozonda 'Chilli' Thomas
- Barrett Doss
- Zanete Shadwick
- Brendan Burke
- Marina Squerciati
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