Crítica | Missão Impossível: Brian De Palma filmou um ótimo roteiro e resgatou os pontos fortes da antiga série de TV. Virou franquia milionária!

Missão Impossível: direção de Brian De Palma
UMA FÓRMULA IRRETOCÁVEL
O primeiro filme da franquia Missão Impossível, dirigido em 1996 por Brian de Palma, surgiu como um feito narrativo; trouxe para a tela grande a mesma atmosfera que respirávamos na telinha da TV dos anos 1960. Comparado aos longas mais recentes, onde Tom Cruise se exibe dispensando dublês em ousadias cada vez mais espetaculares, é mais lento e cadenciado; ainda que repleto de ação e emoção, tem o ímpeto menos afoito, próprio dos clássicos filmes de espionagem. Vale a pena recapitular a sinopse:
Realizando proezas espetaculares
O que acompanhamos é a história de Ethan Hunt (Tom Cruise), um jovem agente secreto que faz parte da equipe da IMF (Impossible Mission Force), chefiada por Jim Phelps (Jon Voight). Durante uma missão em Praga, quando tentavam evitar o roubo de uma lista com as identidades de todos os agentes secretos da CIA na Europa, seus colegas são assassinados. Ethan é incriminado e passa a ser perseguido pela CIA.
Missão Impossível: Brian De Palma transpôs a série para a linguagem do cinema
Para provar sua inocência ele terá que negociar com os criminosos e despistar os agentes do governo. Contará com a ajuda da viúva de Jim, Claire (Emmanuelle Béart), do hacker Luther Stickell (Ving Rhames) e do piloto Franz Krieger (Jean Reno); e terá que realizar proezas espetaculares, correndo contra o relógio, usando máscaras incrivelmente realistas e esbarrando em todos os limites da verossimilhança.
Memórias de infância
Quando era garoto, Missão Impossível morava na televisão – aquela caixa volumosa que dominava, feito um altar, a nossa sala de estar. Meu pai exigia silencio assim que ouvia os primeiros acordes do vibrante tema musical e imediatamente acendia o seu cachimbo. Parecia aproveitar o mesmo palito de fósforo que incendiava o estopim na vinheta de abertura, para deixar um rastro de ação, emoção e suspense. Os próximos minutos transcorriam ligeiros e divertidos, enquanto xeretávamos o mundo da espionagem que animava os bastidores da Guerra Fria.

Missão Impossível: um elenco carismático
Todos os clichês do gênero
Como o próprio título insinuava, a impossibilidade era o elemento que desfazia todos os vínculos com a realidade. As façanhas improváveis dos personagens ensinavam ao espectador a diferença entre verdade e verossimilhança. As dissimulações e os sucessivos pontos de virada deixavam claro que todo o esforço era em nome do entretenimento. As cenas, editadas para manter o sentido de urgência, mostravam os mocinhos em sua corrida contra o relógio, até que derrotassem os bandidos. As únicas certezas eram as de que, em cada episódio, haveria uma mensagem autodestruída em cinco segundos e alguém levaria a mão ao rosto para retirar uma máscara incrivelmente realista, revelando sua verdadeira identidade.Diretor e roteiristas do primeiro time
A série Missão Impossível foi uma criação bem-sucedida do diretor e produtor de TV Bruce Geller; estendeu-se por sete temporadas, levadas ao ar entre 1966 e 1973. Ressuscitou em 1988 e ganhou mais duas temporadas, até que seu apelo televisivo se exauriu. Hollywood, contudo, pretendia explorar esse veio de ouro reluzente; quem aproveitou a oportunidade foi o produtor Tom Cruise, que adquiriu os direitos para o cinema e inaugurou a franquia milionária. O astro reuniu uma equipe imbatível, formada por Brian De Palma, Steven Zaillian, David Koepp e Robert Towne; o primeiro nome é conhecido por qualquer cinéfilo que se preze: dirigiu sucessos como Scarface e Os Intocáveis. Os demais, são de roteiristas do primeiríssimo time, responsáveis por verdadeiras obras-primas.
Missão Imossível: Tom Cruise sempre aprontando das suas
Tema de abertura inesquecível
Espertamente, eles mantiveram os pontos fortes da série original; o principal deles, é claro, está no memorável tema de abertura, intitulado Theme from Mission: Impossible, de autoria do compositor argentino Lalo Schifrin. A música, orquestrada com brilhantismo, consegue condensar todos os sentimentos que percorrem nossas artérias durante as cenas de ação – é uma espécie de bomba de adrenalina pulsante, pontilhando em Código Morse um pedido por mais e mais emoção desenfreada.
Três versões para você conferir
Para o fime de 1996, o tema foi regravado pela dupla Adam Clayton e Larry Mullen Jr., integrantes da banda U2, que o modernizaram para agradar ao público da virada de século; foram respeitosos e reverentes, mas trouxeram um toque mais dançante. Particularmente, prefiro a orquestração clássica de Lalo Schifrin, pontuada pela batida sofisticada dos bongôs. Vale a pena conferir o fantástico tema musical em três momentos distintos: na série de 1966, na série de 1988 e no primeiro filme dirigido por Brian De Palma. Veja os três vídeos disponíveis no YouTube:
Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção criativa de Brian De Palma, a atuação do elenco afinado, o roteiro impecável, a trilha sonora memorável e a narrativa ágil e envolvente.
O que surpreende: os realizadores mantiveram a personalidade da série de TV e lançaram mão de todos os clichês do gênero, adicionando o imperativo tecnológico.
Vale a pena. É entretenimento de qualidade.
Resenha crítica do filme Missão Impossível
Título original: Mission: Impossible
Ano de produção: 1996
Direção: Brian De Palma
Roteiro: David Koepp e Robert Towne
Ano de produção: 1996
Direção: Brian De Palma
Roteiro: David Koepp e Robert Towne
Elenco:
- Tom Cruise
- Jon Voight
- Emmanuelle Béart
- Henry Czerny
- Jean Reno
- Ving Rhames
- Vanessa Redgrave
- Kristin Scott Thomas
- Ingeborga Dapkūnaitė
- Emilio Estevez
- Rolf Saxon
- Marcel Iureș
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