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Koyaanisqatsi: uma obra de arte audiovisual

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Koyaanisqatsi: filme dirigido por Godfrey Reggio  UMA ESTÉTICA REPETIDA À EXAUSTÃO, QUE AINDA ASSIM CONTINUA MODERNA Belíssimas imagens em movimento, sincronizadas com uma música minimalista e hipnótica. Essa receita virou estrogonofe cinematográfico: é requintada, lida com uma certa complexidade de sabores e exige atenção no preparo, mas há muito deixou de ser prato principal em cardápios com pretensões sofisticadas. Logo que foi inventada, no entanto, irradiava inovação e originalidade. A primeira vez em que pudemos degustá-la foi em 1982, quando o diretor americano Godfrey Reggio lançou Koyaanisqatsi: Life Out of Balance .           Mesmo quem ainda não assistiu a essa obra instigante, conhece seu legado estético. Hoje, até os diretores de comerciais de bebida se atrevem a lançar mão do cacoete moderno que o filme consagrou. Abusam das imagens urbanas capturadas à noite em time lapse – cenas filmadas quadro a quadro em longos intervalos de tempo, de...

Roubando a cena, literalmente

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TODOS NOS ACHAMOS CRÍTICOS DE CINEMA - E SOMOS MESMO!     Cinema: não se trata apenas de gostar ou não gostar Texto escrito originalmente para o site Pllano Geral                Escrever sobre cinema é parecido com pisar em ovos. É possível atravessar o desafio, mas algumas claras e gemas terminarão espalhadas. Nestes poucos meses em que me impus a obrigação de escrever uma crônica por semana, sempre comentando sobre algum filme relevante, percebi que é impossível agradar a todos. Ao contrário, o mais provável é acabar desagradando a muitos.             Isso acontece por um motivo básico: todo mundo entende de cinema. Esse é um fato inquestionável. Desde que nascemos – e até mesmo antes, na barriga da mãe – somos submetidos a incontáveis filmes, desenhos, seriados, programas de televisão, reality shows, noticiários... Criancinhas, somos alfabetizados na linguagem audiovisual e aprendemos como funciona...

Contatos Imediatos do Terceiro Grau: Spielberg seguiu a classificação dos ufólogos

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Contatos Imediatos do Terceiro Grau: filme dirigido por Steven Spielberg UM FILME QUE PERMANECE EM PERFEITO ESTADO DE FUNCIONAMENTO Há filmes que envelhecem com dignidade. O visual denuncia a data de nascimento, mas o conteúdo é de um frescor empolgante. Incluo nessa categoria  Contatos Imediatos do Terceiro Grau , realizado em 1977 por Steven Spielberg. Quem já assistiu ao filme, experimente lembrar das cenas iniciais – quem ainda não viu, pode conferi-las na cópia remasterizada lançada recentemente. São imagens que comprovam o imenso talento do diretor como contador de histórias:          P rimeiro, vemos surgir de uma tempestade de areia no deserto de Sonora, uma esquadrilha inteira de caças da Segunda Guerra Mundial novos em folha, com seus pilotos que aparentam não ter envelhecido um único dia nos últimos 30 e poucos anos. Depois, vemos controladores de tráfego aéreo numa sala entulhada de equipamentos, desconcertados com o registro de um fenômeno não ...

O Irlandês: o DNA é de cinemão!

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O Irlandês: filme dirigido por Martin Scorsese O MAGNETISMO DOS ATORES COMPENSA O MAU-CARATISMO DOS PERSONAGENS Histórias sobre gângsteres são sempre violentas. Geralmente falam de personagens torpes, com sérios desvios de caráter. Invariavelmente narram trajetórias de ascensão e queda em busca de dinheiro e poder. Falam de traições, de rompantes passionais, de ambição desmedida... Curiosamente, histórias sobre gângsteres acabam centradas nos valores morais. Sim! Os criminosos que se organizam em gangues o fazem ao redor de estritos códigos de ética – ainda que uma ética enviesada, agarrada aos interesses mesquinhos. Apesar de abjetas, algumas dessas histórias são tão surpreendentes que merecem ser contadas em filme. Mas quando seus personagens são asquerosos, o que faz um diretor criativo? Aposta tudo no carisma dos atores que vão interpretá-los! É isso que vemos no filme  O Irlandês , filme de 2019 dirigido por Martin Scorsese.           O filme nos ...

Sem Limites: fantasia sobre a droga da inteligência

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Sem limites: filme dirigido por Neil Burger UMA BOA HISTÓRIA, CONTADA COM ESTILO A ideia de ingerir uma poção mágica e ganhar poderes extraordinários, brota na mente humana desde tempos imemoriais, talvez plantada por curandeiros em busca de alívio para males mundanos. Magos, bruxas, alquimistas, feiticeiros e druidas elevaram o nível das promessas e inventaram fórmulas mirabolantes, que terminaram nas páginas da literatura. De Ulisses a Dr. Jekyll, muitos personagens experimentaram drogas transformadoras e pagaram um preço alto para se livrar dos seus efeitos indesejáveis. Com o cientificismo, a crença de que é possível misturar as substâncias certas, nas proporções certas, para obter qualquer efeito que se possa imaginar, tornou-se uma certeza. Daí para o mercado mundial das drogas, foi um pulo.           O homem moderno consome drogas de todos os tipos. Complexos vitamínicos, aspirina, comprimidos para dormir, pastilhas para deixar de fumar... As drog...

Crítica | Um Homem de Sorte: Bille August adapta o romance de um Nobel de Literatura e o resultado é deslumbrante

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Um Homem de Sorte: filme dirigido por Bille August FORA DOS PADRÕES DE HOLLYWOOD Já começo esta crônica com um aviso: o filme que analisarei aqui não é aquele em que um  soldado encontra a foto de uma garota no campo de batalha, depois sai à procura dela quando volta para casa. O homem sortudo sobre o qual escreverei é aquele apresentado pelo diretor Bille August no seu filme de 2018, também intitulado Um Homem de Sorte . Trata-se de um homônimo  dinamarquês e vem recheado com qualidades cinematográficas mais consistentes. Tem quase três horas de duração, mas passa num lampejo! Visual deslumbrante         Escrito, dirigido e estrelado por gente desconhecida para nós, brasileiros, Um Homem de Sorte impressiona. Primeiro, pelo espetáculo visual que oferece. Retrata a Dinamarca do final do século XIX com uma direção de arte que emana bom gosto e sofisticação. Os figurinos e os cenários são exuberantes. A fotografia se esbalda numa luminosidade natural e os...

Nasce Uma Estrela: já são cinco versões!

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Nasce Um Estrela: direção de Frank Pierson RECEITA DE SUCESSO, QUE JÁ RENDEU CINCO VERSÕES Já faz tempo que a palavra sucesso ganhou significado para além do sistema gramatical. Sugere algo acessível a poucos, mas que todo indivíduo deve tentar conquistar. De tão subjetivo, tornou-se aquilo que cada um bem entender e desejar. Tal como a palavra qualidade, que já é empregada sem qualquer complemento para significar apenas atributos positivos, o sucesso agora freq uenta nossas falas, conversas, publicações, filmes e produtos culturais, para sibilar provocações e atiçar as almas ambiciosas aquelas em busca de reconhecimento. Insinua que só há êxito verdadeiro quando os aplausos são ensurdecedores, quando os “ likes ” se contam aos milhões, quando nossos feitos alcançam multidões.           Foi quando passou a andar abraçado com a fama que o sucesso deixou de ter escala no esforço individual. Ganhou dimensão coletiva e passou a ser acumulado em cifras. Sem fa...

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