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Crítica | Gran Torino: ao 79 anos, Clint Eastwood faz um filme sobre a disposição de aprender. E dá uma aula de cinema!

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Gran Torino: filme dirigido por Clint Eastwood O VALOR DA TOLERÂNCIA Quando Clint Eastwood dirigiu e estrelou o filme  Gran Torino , em 2008, estava com 78 anos. Seu filme anterior, Menina de Ouro , havia sido um enorme sucesso de crítica e bilheteria. Também contabilizava o notável feito cinematográfico que o consagrou como diretor, o   excelente  Os Imperdoáveis . Por que raios, então, decidiu flertar com o experimentalismo? Por que aceitou se arriscar em aventuras e complicar sua vida nos sets de filmagem? Para fazer cinema de qualidade, oras! Para explicar esse ponto, precisarei apresentar a sinopse do filme: Um velho rabugento e intolerante Gran Torino conta a história de Walt Kowalski, um ex-combatente da Guerra da Coréia que se aposentou como trabalhador da Ford. Acaba de enviuvar e está mais interessado em viver sozinho os anos que lhe restam, de preferência sem ser perturbado pelos filhos e netos – que o consideram um velho ranzinza. Na garagem, guarda seu ...

A Vida Dos Outros: o estado espionando seus cidadãos

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A Vida dos Outros: Florian Henckel von Donnersmarck EIS QUE UMA SONATA PARA PIANO TOCA O CORAÇÃO DE UM HOMEM BOM Logo no início desse filme envolvente, somos apresentados a Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), um agente da polícia política da Alemanha Oriental, a temida Stasi. Bastam poucas cenas para concluir: trata-se de um reles burocrata, que exerce com meticulosa dedicação o infame ofício de bisbilhotar a privacidade alheia; tudo o que ele faz é proteger o estado, sem hesitações na hora de passar pelos direitos individuais de qualquer outro cidadão. Somos apresentados a um homem menor, esmagado pelo peso da própria mediocridade; um infeliz, que se submete a vigiar a vida dos outros como quem inspeciona frangos na esteira de um frigorífico.           Ocorre que Wiesler é destacado para vigiar o escritor Georg Dreyman (Sebastian Koch), uma celebridade da cena cultural berlinense, que goza das benesses do partido. A missão do bisbilhoteiro a mando do estado é desc...

O Céu da Meia-noite: no final, a inevitável catástrofe global

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O Céu da Meia-noite: filme dirigido por George Clooney UM FILME DOIS EM UM: METADE INTIMISTA, METADE AVENTURA ESPACIAL O cinema é uma viagem! A ação que nos prende à tela também leva a divagações; traça uma imprevisível trilha de livre associações. Foi o que aconteceu comigo a certa altura de O Céu da Meia-noite , filme de 2020 dirigido e estrelado por George Clooney. Apesar da sua longa barba grisalha se destacar em cena, lembrei dele vivendo o psiquiatra Chris Kelvin, que investiga bizarrices numa estação espacial em Solaris , filme de 2002 escrito e dirigido por Steven Soderbergh. É importante lembrar que se tratava de um remake do clássico Solaris , de 1972, dirigido por Andrei Tarkovski – um dos melhores filmes de ficção científica já realizados.           Mas, de volta ao objeto desta crônica, quero ressaltar que o clima de confinamento e a esmagadora solidão que preenchem a estação espacial daquele filme de Tarkovski são os mesmos que sufocam o ...

Mussum, Keanu Reeves e os Beatles: uma combinação inusitada

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Submarino Amarelo: filme dirigido por George Dunning SARGENT PEPPER E SUA BANDA ACABAM COM QUALQUER PANDEMIA DE TRISTEZA Alguém aí anotou a placa do ano que furou o sinal, atropelou nossos planos e passou por cima das nossas rotinas? Como diria o Mussum, Keanu Reeves! Começamos 2020, ano em que eclodiu a pandemia do Coronavirus, com a ambição de prosperar, mas tivemos que nos contentar em apenas sobreviver. 2021, 2022, 2023 e 2024 não foram diferentes. O que esperar de 2025?           A politicagem berrou o ano inteiro, desafinada e estridente, com uma insistência de enlouquecer. Falsas dicotomias surgiram a cada dia nos noticiários, para insinuar que o bem comum e os direitos individuais são irreconciliáveis. Escolhemos um dos lados e nos entrincheiramos nas redes sociais. Disparamos sem piedade contra quem vai erradamente contra as nossas certezas. Angustiados, estamos na iminência de explodir.           Enquanto escrevo, ol...

Klaus: até Papai Noel deixou de ser o mesmo

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Klaus: filme dirigido por Sergio Pablos PAPAI NOEL SEM A AURA ESPIRITUAL QUE ENVOLVE SÃO NICOLAU Ao longo da vida já enxerguei a noite de Natal por diferentes ângulos. Quando criancinha, sonolento dado o avançar das horas,  olhava os adultos de baixo para cima e  só prestava atenção no colorido dos papéis de presente; tentava adivinhar qual deles seria o meu. Cresci e passei a enxergar o tampo da mesa, só para arregalar os olhos com a fartura da ceia. Comecei a trabalhar e senti o prazer de poder presentear. Casei-me e precisei me desdobrar em dois, um ano lá outro cá. Minha filha nasceu e me flagrei a olhar de cima para baixo, já que agora era responsável por manter as tradições.           Amadureci e entendi que confraternizar era mais do que apenas levantar brindes e tilintar os copos. É claro que a prendi os significados religiosos do Natal, mas influenciado pela mentalidade consumista, continuei concentrado na prática da confraternização. É m...

Crítica | Fama: o legado estético deixado por Alan Parker continua valioso

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Fama; filme dirigido por Alan Parker FALOU COM A JUVENTUDE DOS ANOS 80 E AINDA TEM MUITO A DIZER Depois de filmar O Expresso da Meia-Noite , Alan Parker achou por bem retomar sua paixão pelos musicais. Foi parar em uma escola de artes performáticas de Nova Iorque, para contar as aventuras e desventuras dos jovens que batalham para ingressar no competitivo mundo do showbizz.  Seu filme Fama , de 1980, aborda o tema com sensibilidade, enquanto expõe os sonhos, as ansiedades e as inquietações dos que correm atrás dos holofotes em busca de reconhecimento e realização.  Conseguiu um imenso sucesso e marcou toda uma geração; ditou moda, inspirou a abertura de escolas de artes em todo o mundo e emplacou canções inesquecíveis nas paradas de sucesso. Uma ideia inspirada           Fama nasceu primeiro na cabeça do produtor David De Silva, depois que ele assistiu ao musical A Chorus Line , sobre dançarinos que disputam vaga em um espetáculo, durante as audi...

Top 10 de 2020

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OS FILMES QUE MAIS DERAM O QUE FALAR AQUI NA CRÔNICA DE CINEMA           Crônica de Cinema é praticamente uma recém-nascida: está completando um ano! Nasceu como blog em janeiro de 2020. E olha, devo dizer que demanda tanto cuidado quanto uma filha de verdade. Exige atenção diária com pesquisa, planejamento, busca por imagens, diagramação, redação... Sempre com horário marcado. É um empreendimento gratificante, que me traz a oportunidade de conhecer gente que adora filmes tanto quanto eu – e sempre tem informações e opiniões para acrescentar. Além disso, permite extravasar o impulso urgente de escrever, que trago comigo desde sempre.           Para divulgar a Crônica de Cinema, criei uma página no Facebook e um perfil no Instagram. Minha ideia foi usar estas redes sociais como microblogs, postando textos mais longos do que o normal. Raciocinei da seguinte forma: quero me dirigir às pessoas que gostam de ler, que val...

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